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perdeu-se os outros tres comeram uma herva venenosa, chamada tulipa. Os restantes deixámol-os com o wagon ao cuidado de Goza e de Tom (o boieiro e o guia), pedindo a um digno Missionario escossez que habita aquelle desterro, que caridosamente nos vigiasse o carrão, o gado e os homens. E no dia seguinte, acompanhados por Umbopa, Khiva, Venvogel, e meia duzia de carregadores que arranjámos em Inyati, largámos para o deserto, a pé, em seguimento da nossa temeraria aventura.
Era de madrugada; e lembrei-me que no momento de nos pôrmos em marcha estavamos todos tres bem commovidos! Cada um perguntava a si mesmo, decerto, se jámais tornaria a vêr o carrão, os bois e o Missionario. Eu por mim levava a certeza que não. Os primeiros passos foram lentos, dados em grave silencio. Mas de repente Umbopa, que marchava na frente, rompeu n’um grande canto — uma canção zulú, dizendo d’uns homens que, cansados da vida e da monotonia das coisas, se tinham mettido ao deserto, para achar occupação ou morrer, e que, para além dos sertões, subitamente, encontravam um paraiso cheio de raparigas moças, de gado, de caça, e de inimigos para matar! Esta canção pareceu-nos de boa promessa.
A quinze dias de marcha de Inyati come-