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ARTHUR AZEVEDO
LUCAS.
 

Mentir! Eu?

 
ANGELICA
 

Olé!
Apezar de não ser fina,
Claramente vendo estou
Que não gostas de Ambrosina
Já cá não está quem falou.

 
(Vae retirar-se, mas Lucas toma-lhe a passagem).
 
LUCAS.
 

Não gósto de Ambrosina? Engana-se! Ambrosina
E’a flor que me perfuma, o sol que me illumina!
Suppunha o meu affecto apenas fraternal,
Mas hoje, quando entrei, alegre e jovial,
E uma senhora achei na timida criança
Que do passado meu era a melhor lembrança,
Deslumbrei-me, e senti que uma transformação,
Meu Deus! se me operava aqui no coração!
Não póde calcular como os dois namorados[errata 1]
Me encheram de ciume, e como revivi
Quando, por serem tão ridiculos, os vi
Perder terreno... Oh, não! não diga, por piedade,
Que eu não gosto daquella esplendida beldade!
Eu amo a loucamente, eu amo-a com fervor!
Amor não pode haver maior que o meu amor!
Mas peço-lhe por Deus que guarde este segredo
Que murmuro a tremer e balbucio a medo.
Não me devo casar com sua filha, pois
Que um abysmo fatal existe entre nós dois!
Se o meu segredo för por mais alguem sabido,
Juro-lhe que disparo um revólver no ouvido!

 
AMBROSINA, mostrando-se.
 

Vamos! Dispara! O teu revólver onde está?
Eu quero ver morrer um homem! Vamos lá!

 
LUCAS.
 

Ambrosina!

  1. Correcção: Não póde calcular como os dois namorados deve ler-se Não póde calcular como os dois namorados
    Tão senhores de si, risonhos, conflados,