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Introducção
XXVII

punha[1]. O que ſabemos he, que não temos hoje o que elle certamen-

te


  1. Vicente Madio, e Franciteco Robortello julgárão, que ſómente hum Livro ſe perdêra; e Victorio, que o ſegundo, e o terceiro. Paulo Benidiz, que a Poetica formava hum ſó Livro no ſeu principio, pois que Ariſtoteles ſe referia muitas vezes a hum ſó; mas que fora depois dividida em diverſas partes por Theophraſto, Andronico, e outros, ſegundo o goſto de cada hum; pelo que chegara ás mãos de Plutarco dividida em tres Livros, e ás de Laercio ſómente em dous. Voſſio in Praefat. Oper. Inſtit. Poetie. quer que conſtaſſe ſómente de dous Livros, e que ſó eſtes foſſem conhecidos na antiguidade; porque o lugar de Diogenes Laercio na vida de Socrates, em que parece fazer menção do terceiro Livro, o tem elle por corrupto, julgando que em lugar de Poetica πεὶ ποιητεκῆς ſe deve ler πεὶ ποιητῶν dos Poetas, porque Ariſtoteles compoz tres Livros dos Poetas; e que a meſma emenda ſe devia fazer tambem em outro ſemelhante lugar de Plutarco na vida de Homero. Caſtelvetro, e Nunes ſeguem iſto meſmo: e Baillet Jugemens dos Scavans parece ſer da meſma opinião. Porém João Alberto Fabricio na ſua Bibliotheca Grega no Liv. III. c. VI. Sect. III. de Poet. Ariſt. com a authoridade de Boecio no principio do Liv. I. dos Commentarios Maiores an Livro de Interpretatione, ſegue, que Ariſtoteles eſcrevêra tres Livros de Poetica, e que o lugar de Laercio não eſtá corrupto. O meſmo ſegue Mr. de la Monnoye da Academia Franceza, que nas notas a Baillet corrige o ſentimento de Voſſio com a authoridade de Fabricio.