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1.ª PARTE

 
DA VIDA SENSITIVA EM GERAL
 

Nesta primeira parte consideramos principalmente a vida sensitiva dos animaes, cujo conhecimento contribue naturalmente para comprehensão mais completa da vida sensitiva do proprio homem.

I Definição

 

O animal define-se: "ser vivo sensitivo". A sensação, nota distinctiva fundamental entre a vida do animal e a vida vegetativa, tem como complemento natural: o appetite sensitivo e o movimento espontaneo.

A theoria de Descartes considera os animaes apenas como machinas sem sensação, cujos movimentos são produzidos mechanicamente. Ainda que de todos abandonada, está theoria é ainda, por alguns autores, applicada aos animaes inferiores.

Bichat attribue vida sensitiva até ás plantas, theoria esta que achou alguns defensores entre os proprios philosophos modernos. Não parece, entretanto, acceitavel porque (a) o principio superior da vida sensitiva devia manifestar-se mais claramente, (b) a sensação seria inutil, (c) o heliotropismo e outros phenomenos analogos explicam-se muito bem sem vida sensitiva, (d) a propria regularidade das suppostas manifestações da vida sensitiva denota sua origem mechanica.

 

II Dos sentidos

 

Os sentidos são perceptivos ou reproductivos. Os primeiros, determinados por um objecto presente, representam-no como tal. Os reproductivos representam objectos, antes percebidos pelos sentidos perceptivos, sem nova determinação da parte delles: a imaginação e a memoria.

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