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guinte nem pode ser dissolvida em partes, i. é ella não pode morrer Até quando separada do corpo, ella continua sua existencia. Só anniquilada por Deus, cessaria de existir. Ora, em vista da conservação da materia e da energia, devemos dizer, com mais razão, que a substancia da alma, muito mais excellente do que a materia, será tambem conservada. Accrescenta-se o desejo innato e irresistivel de viver sempre, o desejo de uma felicidade completa, a necessidade de uma recompensa para a virtude, do castigo para o peccado, que nesta vida sempre são incompletos, a necessidade de uma justiça final e absoluta, a tendencia para conhecimentos e perfeições, muito maiores do que as que podemos adquirir nesta vida. Estas tendencias, porem, cuja universalidade, entre todos os povos, acha sua expressão na universalidade da crença numa vida futura, não podem ficar completamente satisfeitas numa sobrevivencia qualquer da alma, mas só numa vida sempre duradoura. A falta do corpo não obsta, porque na medida em que fôr preciso, a acção do creador o pode supprir. (Do facto da resurreição temos certeza plena só pela revelação divina.) E՚, pois, innegavel o gravitar do homem para uma vida eterna, ora o creador não seria bom mas cruel se, creando o homem neste estado, não quizesse satisfazer esta tendencia, nem seria sabio se desse ao homem esta finalidade interna, não querendo dar-lhe o seu complemento natural: a Immortalidade.

 

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