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acto physico, p. ex. para a perecepção da identidade entre dois objectos.
3.° "Argumento Austerlitz".
4.° Quanto aos argumentos a favor do parallelismo, veja-se o numero seguinte. As comparações com a linha curva etc. não provam nada. Para terem força de argumento, deviam provar que uma unica substancia é capaz de desenvolver duas séries de processos oppostos e irreductiveis. Ora no caso da linha curva, ha apenas relações especiaes não irreductiveis ( A x ) x B ) Na medida em que as pontas da linha aa se approximam de A afastam-se de B) e no caso da somma de dinheiro, ha só relações juridicas que residem nas pessoas, deixando intacta a natureza do dinheiro.
IV ESPIRITUALISMO
1. A alma não é apenas um accidente, nem uma funcção, nem uma série de actos, como foi provado no n.° 1 deste capitulo. Ella é uma substancia.
2. Esta substancia é simples (não extensa). A substancia não sensivel não pode ser objecto directo da intelligencia (Capitulo I § 1). Deve, por conseguinte ser estudada nos actos pelos quaes se manifesta. Os actos mais elevados da alma são os de pensar e de se determinar pelo livre arbitrio. Ora estes actos não podem ser organicos, elles são necessariamente actos de faculdades simples, intrinsecamente independentes da materia, como foi provado acima (Cap. I § 6, Cap. II, IV). Por conseguinte impõe-se a conclusão: tambem a substancia, á qual intelligencia e vontade livre pertencem, deve ser uma substancia simples, i. é espiritual.
3. União entre o corpo e a alma. A união entre dois elementos é accidental, quando os dois elementos, conservando cada um sua natureza e sua independencia, formam apenas um aggregado; ella é substancial quando os elementos por sua união formam uma só natureza. Ora é este o caso da união entre o corpo e a alma. Elles constituem juntos a natureza humana, principio de actividade vegetativa, sensitiva e intellectiva. A alma communicando-se ao corpo, eleva-o a uma categoria de substancia mais alta, o constitue na especie humana. Considerada em si, a alma deve ser qualificada como substancia incompleta, porque ella exige, naturalmente, para suas funcções, até para as funcções intellectivas e volitivas, o concurso do corpo.
4. Não sendo material, a alma nem pode ser produzida pela materia, o effeito seria superior á causa. Nem pode ser produzida por geração espiritual, porque a alma dos paes é indivisivel. Devemos, pois, concluir que cada alma é creada por Deus.
5. Sendo simples e inextensa, a alma não tem partes, por conse-50