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sada por fortes e frequentes allucinações, delirio. Melancholia. Ideas fixas: juizos errados que o doente é incapaz de corrigir. Idiotismo.

5. Perturbações da vida volitiva. O exercicio da vontade depende do organismo como o da intelligencia. A bulia, hyperbulia, que vae até ao delirio violento. Perda dos sentimentos moraes, fanatismo.

6. Perturbações da consciencia propria. Os elementos desta consciencia são: consciencia do proprio "eu", do proprio corpo, dos actos da vontade, da actividade em geral; a memoria do passado proprio; consciencia de momento presente como ultimo ponto de uma série continua. Perturbação de qualquer um destes elementos acarreta perturbação da consciencia propria.

NB. A hysteria furta-se a uma definição exacta; ella é caracterisada por grande irritabilidade dos nervos, mutabilidade psychica, actividade intensa da imaginação e do appetite, fraqueza da intelligencia e da vontade, suggestionabilidade, allucinações, simulação.

Como a imputabilidade e o valor juridico dos actos suppõe o uso livre das faculdades mentaes, o alienado não é capaz de actos juridicos (contractos), nem é capaz de contrahir uma culpa. Nos casos duvidosos compete aos psychiatras decidir sobre o gráo da imputabilidade O alienado, como aliás qualquer doente, deve ser objecto da protecção publica ou privada. Caso a doença seja perigosa, assiste á sociedade o direito e o dever de afastar o perigo internando o doente.

 

CAPITULO IV

NATUREZA DO
PRIMEIRO PRINCIPIO DA VIDA HUMANA

 

I SUBSTANCIALIDADE

 

I. O principio vital do homem, aquillo que distingue o homem vivo do corpo morto, aquillo cujas funcções mais nobres são os actos conscios de volição e de pensamento, é uma substancia permanente.

Com effeito, os actos conscios são substancias ou accidentes. Ora não são substancias, logo são accidentes, i. é inherentes numa substancia, que, neste caso, é aquelle principio que os produz. Seria absurdo suppor pensamentos sem intelligencia que os pensasse ou volições sem vontade que as tivesse, e não menos absurdo é o querer explicar a vida psychica como "uma corrente de actos" sem substancia que produzisse os mesmos actos, e sem outra ligação entre elles do que a só recordação do passado.

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