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tal: o homem, e esta união na unidade da substancia tem por resultado a interdependencia mutua das differentes faculdades. Assim como a alma actua sobre o corpo, ella soffre tambem a influencia do mesmo. Resultado desta influencia mutua são:
1. Os temperamentos. São assim chamadas as disposições permanentes da vida sensitiva e affectiva, emquanto reagem sobre a alma. Desde Hippocrates enumeram-se os seguintes: temperamento sanguineo (alegre, vivo, de comprehensão facil, muito affectivo, activo, pouco resistente, distrahido, esquecido); o temperamento phleugmatico (vagaroso, pouco affectivo, pouco prompto nas associações); temperamento cholerico (grande irritabilidade, muita energia e força de resistencia); temperamento melancholico, (tristonho, disposto para medo, para interpretações desfavoraveis.) Em regra geral, encontra-se em cada homem cada temperamento em qualquer gráu; a classificação dos homens se faz pelo temperamento predominante. A educação dos temperamentos depende da vontade.
2. O caracter, i. é o "cunho" moral de uma pessoa, produzido pela indole, pela educação( no sentido mais lato) e pelos esforços proprios. O caracter varia de uma pessoa para a outra, na mesma pessoa porem fica constante nas circumstancias mais variadas. Ainda não se propoz uma classificação dos caracteres que satisfizesse; Wundt propõe de os classificar pelos temperamentos.
3. A pessoa. Os actos do individuo humano, quando pensa com a intelligencia, trabalha com as mãos etc., são imputados a sua pessoa; a pessoa é louvada ou censurada por seus actos. A pessoa difine-se: uma substancia individua de natureza racional; é a natureza considerada como principio de seus actos. Para ser pessoa, a natureza deve ser completa, racional e individua. D՚ahi segue: a alma separada do corpo cessa de ser pessôa (não é substancia completa); os actos pertencem á pessoa; as acções participam na dignidade da pessoa; attribue-se á pessoa o que é proprio das partes substanciaes. E՚ errada a doctrina que quer definir a pessoa como "substancia consciente de si", porque a consciencia não é continua, a existencia da pessoa porem não soffre interrupção. Alem disso, a consciencia é apenas uma faculdade da natureza.
4. Dos capitulos precedentes entende-se facilmente como, em circumstancias normaes, as faculdades superiores de intelligencia e vontade e as faculdades sensitivas exercem influencia mutua umas sobre as outras.
Quanto á hypnose nota: define-se "um estado, artificialmente provocado, semelhante ao sonho, acompanhado de suspensão ou perturbação de algumas funcções psychicas e de grande irritabilidade de outras." Procuram explical-a do modo seguinte: O somno e o estado sopitado de alguns centros corticaes, necessarios para a vida sensitiva,46