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9. Outros negam a liberdade, tentando explicar o crime unicamente pela constituição psycho-physiologica do criminoso e pelo influxo do
meio ambiente, não querendo admittir argumentos que não sejam "empiricos". Resp.: Não ha duvida que as condições em que está o individuo humano influem em suas decisões, mas de influir a determinar
vae grande distancia. Não ha outro facto "empirico" mais evidente do
que a consciencia de sermos livres e a universalidade da mesma entre todos os homens.
10. Parece ainda aos deterministas que o livre arbitrio esteja em contradicção com a lei da energia. Resp.: A força que se manifesta nos actos da vontade em parte é material, em parte espiritual. A força espiritual de nenhum modo está debaixo das leis physicas que, como só se abstraem das experiencias feitas na materia, assim tambem só tem valor para a materia.
Esta força espiritual não augmenta a somma das forças materiaes (potenciaes ou actuaes); sua acção, quanto às forças materiaes, se limita a pol-as em movimento e dirigil-as.
Ella não age como uma força exterior, e sim como uma força interior substancialmente unida á materia.
A somma das forças materiaes fica invariavel no acto volitivo.
Cumpre notar que os sabios que primeiro formularam a lei da constancia, Claudius, Roberto Meyer, não acharam que esta lei contradissesse á independencia essencial das nossas faculdades superiores da materia.
IV NATUREZA DA VONTADE DO HOMEM
A faculdade de se determinar é uma faculdade não material, uma faculdade simples.
Esta conclusão é imposta pela consideração do objecto da vontade. Este objecto não é o bem sensivel e particular, mas sim o bem, assim como é proposto pela intelligencia, i. é o bem abstracto. Ora a faculdade que tende para o bem abstracto não pode ser organica, ella deve ser da mesma natureza como a intelligencia: supramaterial.
Alem disso, sendo sensitiva, a vontade appeteceria com necessidade o bem sensitivo (nem conheceria outro bem!), e entre os bens sensitivos escolheria sempre o maior. Ora fica provado que a vontade do homem fica livre em face dos bens sensitivos. Logo não pode ser sensitiva.
CAPITULO III
INFLUENCIA MUTUA DAS FACULDADES
A alma, i. é aquelle principio cujas faculdades principaes são a intelligencia e a vontade, forma junto com o corpo uma substancia to-
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