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ção inconsciente da natureza, os animaes pelo appetite sensitivo, os seres racionaes pelo appetite intellectivo ou racional (a vontade) que tem por objecto proprio o bem proposto pela intelligencia.
Necessario é aquillo que pela natureza é determinado a realizar-se. O determinismo considera os actos da vontade como necessarios.
2. O livre arbitrio é a faculdade do homem de determinar-se a si mesmo para agir ou não agir, para agir desta ou daquella forma, depois de postos todos os requisitos de um acto.
O acto livre suppõe: a percepção do objecto, o conhecimento dos motivos que impellem para o objecto ou que delle afastão, uma inclinação num ou no outro sentido, deliberação sobre o acto (em geral), consciencia de si.
Realisadas todas as condições, a vontade sahe da sua indeterminação, toma, por si, uma decisão, determina-se, não é determinada nem pelo objecto nem pelas circumstancias. Esta determinação é propriamente o acto do livre arbitrio.
3. O exercicio desta faculdade depende muito das circumstancias, que influem nas condições que precedem o acto e que podem diminuir, até apagar a liberdade. O alienado, o embriagado, quando perdem o uso da razão perdem tambem o livre arbitrio e, por conseguinte, a responsabilidade.
4. O livre arbitrio não é, pois, indeterminação absoluta. Os motivos guardam toda sua força sobre a vontade, mas os motivos não determinam, a vontade pode repellir os motivos mais fortes. Indeterminada no sentido absoluto seria uma faculdade que não soffre nenhuma influencia da parte dos motivos e que se determina sem razões.
NB. Nem todos os actos da vida são actos do livre arbitrio, muitos são apenas espontaneos.
Em face do bem absoluto, i. é da felicidade completa que constitue o fim ultimo do homem, cessa o livre arbitrio, não a podemos recusar.
I ARGUMENTOS PRINCIPAES DO LIVRE ARBITRIO
1. arg., tirado da consciencia propria.
Numerosos são os factos da experiencia que revelam a convicção intima da existencia do livre arbitrio. Ora esta convicção não engana.
Prova da maior. Movendo, por ex., nosso corpo, temos a consciencia de o poder mover ou não mover, mover desta ou daquella forma etc. E՚ tão viva esta convicção que um individuo, no qual os adversarios concedessem a liberdade, não a poderia ter maior.
Pensamos e reflectimos sobre as acções por fazer com a mais nitida consciencia que a decisão sobre os nossos actos depende de nós, re-
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