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ver-se a si mesma conforme sua natureza. (S. Thomas.) Procurando explicar a ultima razão da vida (em geral), foram estabelecidos os systemas seguintes:
a) O Vitalismo exagerado que suppõe, até nos vegetaes, uma substancia immaterial como principio da vida. (Bichat).
b) O Mechanicismo que quer explicar a vida por forças physicas, chimicas, mechanicas; rega o supra-material e as causas finaes. A insufficiencia absoluta da these mechanicista resulta do seguinte n.° 4.
c) O vitalismo moderado, admitte, alem das forças da materia bruta, um "principio de ordem e actividade", uma "inclinação vital". na materia dos seres vivos. Este principio forma, junto com a materia e as forças materiaes, a substancia viva.
4. Superioridade da substancia viva sobre a materia bruta.
a) As novas formas que a materia bruta pode revestir são sempre conforme as leis da inercia e do equilibrio; as da materia viva são contra estas leis (p. ex. a planta cresce para cima, as raizes deslocam a terra).
b) Os seres vivos desenvolvem orgãos e systemas vitaes (p. ex. apparelho digestivo) para a utilidade do ser vivo todo. A materia nem os desenvolve nem lhe podiam servir.
c) A materia produz só actividade transeunte, a vida actividade immanente. A actividade transeunte diminue com as resistencias que encontra. A actividade vital augmenta com as mesmas (cf. a experiencia do musculo tetanisado).
d) A vida tem suas leis proprias para "vencer" as influencias da materia: o frio, o calor, a actividade chimica do oxygenio, a humidade etc. Mais claramente manifesta-se esta opposição nas doenças.
5. Primeira origem da vida. Em todos os pontos opposta á materia, a vida não se pode ter desenvolvido della. Será pois necessario concluir á intervenção do creador para explicar o apparecimento della na terra. A theoria da panspermia interastral e outras semelhantes carecem de fundamento serio, emquanto que a da intervenção do creador está em harmonia, não só com a superioridade da vida sobre a materia como também com a cosmologia e a theodicea.