Página:Apontamentos de Psychologia.pdf/37

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada

abstractas são o resultado da actividade intellectiva. Surge, pois, a questão: como é que o intellectivo forma as ideas abstractas?

Explicação: O processo da intellecção é um acto de operação immanente. Ora, como os actos immanentes da sensação precisam de um objecto que os determine, assim tambem a intellecção precisa de um objecto. Este objecto é a imagem sensitiva, mas não directamente, porque uma cousa material e extensa não pode actuar sobre uma faculdade immaterial e simples. O intellecto deve, por conseguinte, primeiro despojar esta imagem de todas as determinações concretas. O resultado desta "abstracção" de todo differente da imagem sensitiva, chama-se determinante cognoscitiva", porque é capaz de determinar o acto cognoscitivo. Esta determinante é directamente percebida pelo intellecto e junto com ella o objecto representado. O intellecto, percebendo-a, se diz a si mesmo o que a cousa é.

Esta explicação pode-se reduzir ás proposições seguintes:

1. A intelligencia é uma faculdade que precisa de um objecto para ser determinada.

2. A imaginação e o intellecto produzem a determinante cognoscitiva necessaria á intellecção.

O poder abstractivo da intelligencia une-se á imagem sensitiva, como o artista se une ao instrumento, e unido produz a determinante. Esta união do immaterial com o concreto recebe alguma luz pelo facto de as duas faculdades, intellecto e imaginação estarem na mesma alma.

Como o effeito não pode ser superior á sua causa, como a imagem sensitiva é só cousa concreta, ella exige o concurso de uma faculdade immaterial para formar uma idea abstracta.

3. A intelligencia, unindo-se à determinante cognoscitiva, percebe o que o objecto é; pois perceber um objecto não é senão unir-se, num acto immanente, com uma imagem representativa do mesmo objecto.

4. A propria determinante cognoscitiva bem como a natureza da faculdade intellectiva, não se percebem directamente senão num acto de reflexão sobre o acto intellectivo.

 

SYSTEMAS FALSOS SOBRE A ORIGEM DAS IDEAS

 

1. Idealistas. a) Platão: O objecto do entendimento são as ideas universaes, absolutas, necessarias (o eterno, a unidade, a belleza...) que existem na alma como lembranças de uma existencia que precedeu a entrada do homem neste mundo, e despertam á vista dos objectos sensiveis.

b) Descartes: O homem nasce com ideas innatas.

Resp. a) A consciencia não sabe nada disso.

38