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III ORIGEM DO HABITO — LEIS
DE DESENVOLVIMENTO
Origem do habito são os actos. A força do habito depende de varias circumstancias: da attenção, da intensidade do acto. Parece que até um só acto, quando extraordinariamente intenso, pode dar um habito. Do numero dos actos. A intensidade do habito não cresce, entretanto, em razão directa do numero dos actos. No principio a intensidade augmenta mais, em seguida menos até chegar a uma certa constancia, ficando egual, por todo o periodo desde a origem, o numero dos actos praticados na unidade do tempo. Das condições do organismo. Nos primeiros annos da vida os habitos formam-se com grande facilidade.
O habito diminue por omissão dos actos e por actos contrarios.
Bichat formulou a lei seguinte: o habito enfraquece a sensibilidade e aperfeiçoa a actividade. (Cf. o medico que sente cada vez menos o repugnante de certas doenças, e se torna cada vez mais habil na cirurgia.)
IV NATUREZA DO HABITO
O habito está baseado em associações. Se as imagens e as acções são muitas vezes associadas na mesma ordem de successão, o vinculo associativo torna se cada vez mais firme, de tal modo que em muitos casos será bastante iniciar conscientemente a série dos actos, para ella decorrer espontaneamente sem attenção plenamente conscia. Accrescenta-se ainda um elemento affectivo: a satisfacção que sempre sentimos em praticar actos a que estamos acostumados.
Esta explicação do habito pela associação e pelo elemento affectivo explica, do mesmo passo, o porque das leis do desenvolvimento. Com effeito, tanto a attenção, como a intensidade, o numero dos actos, as condições do organismo influem muito sobre a firmeza da associação, e por meio desta sobre a satisfacção que a pratica do costume sempre traz
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