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inicia o respectivo movimento, inconscientemente, quasi imperceptivelmente, até contra a vontade. Por esta lei explicam-se: os movimentos de imitação, a arte de "ler os pensamentos", os movimentos dos hypnotisados, impostos pelo experimentador, etc.
c) O movimento origina-se no cerebro. E, pois, natural attribui-lo ás faculdades ahi residentes: imaginação e appetite. Os nervos senso-motores parecem ser os que servem nos movimentos.
I DEFINIÇÃO E DIVISÃO
O habito não é uma faculdade especial, mas uma facilidade e uma uniformidade, baseada na repetição dos mesmos actos, que aperfeiçoa as faculdades da natureza. Pode ser definida disposição estavel e permanente que ajuda ás faculdades a operar com facilidade e uniformidade. O habito é sempre, mais ou menos, arraigado e distingue-se assim das disposições transitorias. Disposições permanentes, que aperfeiçoam a natureza (saude), não são propriamente habitos. A propria repetição torna os habitos faceis e agradaveis.
Os habitos podem ser: cognoscitivos ou appetitivos — bons ou máos — especulativos ou praticos — particulares, especiaes ou universaes (conforme se extendem a determinadas acções em particular ou a toda uma especie de acções).
II CAPACIDADE PARA HABITOS
Capazes de desenvolver habitos são:
1. Os animaes. Nos animaes, entretanto, o habito não é de muita importancia, porque são governados pelo instincto. Adestramento.
2. No homem, os sentidos internos e o appetite sensitivo. A imaginação, acostumando-se a certo genero de representações (p. ex. poeticas), o appetite acostumando-se a certa orientação (p. ex. ira), desenvolvem os respectivos habitos. Estes habitos são formados sob o influxo da razão, mas exercidos pelas faculdades sensitivas.
3. Intelligencia e vontade. Esta ultima sobretudo é capaz de adquirir muitos habitos.
Os sentidos externos não são, em geral, capazes de desenvolver habitos. A facilidade que parecem adquirir (vista aguda dos Indios) reside antes na intelligencia. Aos membros do corpo, como por exemplo aos dedos do pianista, não se pode attribuir habito, porque o habito reside na faculdade e esta no cerebro.
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