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differentes entre si e podem tambem ser provocadas artificialmnte por medicamentos, podem ser effeito de doenças etc., sem correspondente causa psychica.
A experiencia attesta que o appetite sensitivo não depende do livre arbitrio, que é muitas vezes provocado pelo bem agradavel (mal desagradavel) sem consentimento da parte da vontade. Entretanto, a vontade tem sobre o appetite sensitivo um "imperio politico" e são assombrosos os resultados realisados no recinto do appetite sensitivo por uma vontade soberana e energica.
O animal, empregando meios para adquirir um bem agradavel, não os emprega como taes, mas pratica toda esta série de acções que termina neste bem, porque percebe esta série como sensitivamente agradavel.
II OS AFFECTOS (EMOÇÕES, PAIXÕES)
1. Definição e descripção. A terminologia a respeito das manifestações do appetite sensitivo não é ainda absolutamente fixa, pode-se dizer, entretanto, que entre affectos, emoções e paixões existe apenas uma differença de intensidade.
As emoções são fortes movimentos da faculdade appetito-sensitiva, determinados pela percepção de um bem ou de um mal. O elemento corporal, p. ex. no sangue, no coração é essencial. A palavra paixão indica que a emoção se levanta, frequentemente, contra a vontade. Esta "soffre" (pati) a emoção a seu pezar.
A percepção do bem ou do mal sensivel precede e determina, em geral, a emoção. Quando, porem, esta é provocada artificialmente, a imaginação se dirige naturalmente para um objecto cognoscivel correspondente, cuja influencia, por sua vez augmentará o estado emocional. Quando, por exemplo, a doença irrita os nervos, quando bebidas alcoolicas preparam o fundamento physiologico da melancholia, a imaginação orienta-se nesta direcção, e influe assim no desenvolvimento da paixão. Por via de regra, entretanto, é a imaginação que precede O estado physiologico sem o elemento cognoscitivo não seria emoção no sentido proprio. Percepções intellectivas (injurias) podem redundar na faculdade sensitiva e assim provocar a paixão que neste caso tem, por concomitancia, o mesmo objecto como a intelligencia.
Como as paixões actuam sobre o systema nervoso, sobre a circulação do sangue etc., ellas podem, quando muito fortes, causar grandes abalos na vida vegetativa e sensitiva. Muito grande é egualmente sua influencia sobre a imaginação: obrigam-na a ver, interpretar e representar os objectos conforme o sentido da paixão presente; e como a actividade intellectiva depende, de alguma maneira, da imaginação, as paixões podem, por meio desta, exercer grande influencia sobre toda a
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