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vista como pelo tacto. A razão disto é, porque o objecto é sempre percebido como extenso.
C. A percepção da terceira dimensão pela vista parece ser o resultado da experiencia. Apoia-se esta opinião no facto que os cegos-natos, recebendo mais tarde repentinamente a vista, nunca são capazes de dizer alguma coisa sobre as distancias e erram muito quando querem aprecial-as por criterios secundarios. A propria circumstancia de vermos distancias onde não existem (na pintura) revela seu caracter subjectivo.
D. A percepção da terceira dimensão desenvolve-se (1) pela comparação do tamanho apparente de um objecto com o tamanho verdadeiro conhecido; (2) pelas relações geometricas (perspectiva); (3) pelas matizes das côres; (4) pela accommodação dos olhos ás distancias; (5) pela divergencia das imagens nas duas retinas.
E. Olfacto, gosto, ouvido não localisam, porque lhes faltam meios para representar distancias e extensão. Ajudados, porem, pela intensidade da percepção e pela experiencia adquirida com o auxilio dos outros sentidos, chegam a localisar seus objectos, mas de um modo bastante vago.
F. Lei da localisação (subjectiva e objectiva). Localisamos o objecto das percepções, por associação, naquelle ponto do espaço (visual ou tactil), cuja imagem é despertada por esta percepção e unida com ella. Esta localisação pode ser o effeito da experiencia, e tambem o de uma expectativa muito intensa de perceber o objecto naquelle lugar. Esta lei comprehende a localisação de todos os sentidos, das projecções excentricas etc. Em desenvolver este habito de localisar somos muito ajudados pelos movimentos reflexos, pelos quaes ganhamos um conhecimento bastante completo de nosso corpo. (Mappa do corpo).
G. Não existe distincção essencial entre a localisação subjectiva e objectiva. Ambas são adquiridas pela mesma experiencia, e representam distancias entre dois pontos.
As theorias precedentes representam, em geral, apenas opiniões muito provaveis.
2. Visão recta pelas imagens inversas na retina. Já que o acto visual tem sua séde no cerebro a posição das imagens na retina é de pouca importancia; a imagem é transmittida ao cerebro onde apparece sem "em cima" nem "em baixo". A localisação do objecto é feita pela imaginação, que, nesta tarefa, é ajudada pelos outros sentidos, principalmente pelo tacto, e pela experiencia. O experimento de Stratton confirma esta hypothese em todos os pontos. Nos recem-nascidos desenvolve-se a distincção entre a parte inferior e superior do campo visual com o tempo.
3. Percepção do proprio corpo. O modo de perceber o corpo proprio não é essencialmente differente do de conhecer a materia que
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