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sições daquella. A imaginação de uma pessoa pode ser mais propria para representações mathematicas, a de outra mais propria para representações graphicas, phonicas... As disposições physicas influem muito na actividade da imaginação.
Orgam da imaginação é o cerebro. Doenças mentaes vem de uma indisposição deste orgam.
1. Allucinações são imagens provocadas por estimulos internos, eguaes em intensidade ás sensações externas. Subjectivamente não differem dellas. A origem das allucinações ainda não tem explicação certa
2. Sonhos são, em geral, illusões e allucinações, provocadas por estimulos internos ou externos e que seguem, muitas vezes, seu curso conforme as leis da associação, sem a direcção da intelligencia e da vontade. Ainda que estas ultimas faculdades possam de algum modo intervir no sonho, faltará sempre o criterio da verdade. Quem sonha, dá fé a todas as illusões. Alguns autores querem explicar a falta deste criterio pela impossibilidade de comparar as imaginações do sonho com as percepções dos sentidos externos; outros pela falta da direcção da parte da intelligencia e da vontade.
3. O somnambulismo natural distingue-se do sonho só pelo facto de se accrescentarem movimentos espontaneos.
1. Definição. A memoria é a faculdade de conservar e de reproduzir impressões e conhecimentos passados e de os reconhecer como taes. E՚ chamada sensitiva emquanto se limita a factos da vida sensitiva; esta existe tambem no animal.
2. Analyse. A memoria sensitiva não inclue a noção abstracta do tempo passado, nem reconhece abstractamente o passado como tal, nem forma o juizo: o objecto A presente é egual ao objecto A passado.
Ella reconhece de um modo concreto o facto passado como tal. E՚ evidente que a imagem do objecto A, que o sentido reproduz pela decima vez, differe de algum modo da imagem do objecto B que está produzindo pela primeira vez, e é nesta differença que se baseia a memoria sensitiva. A successão no tempo é percebida pelo animal materialmente, como tambem é percebida a successão no espaço, e o tempo presente que tambem é successão, cuja percepção suppõe a memoria.
3. A memoria sensitiva do homem, sob a direcção da intelligencia é naturalmente capaz de effeitos muito mais complicados do que a memoria do animal: colloca, com mais exactidão, o facto relembrado
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