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parte exterior dos sentidos, parece ser a seguinte: o sentido, de per si, só dá o facto da sensação. A localisação subjectiva é um segundo elemento que se accrescenta á sensação. Ella accrescenta-se sob o influxo da experiencia, que, por sua vez, não diz nada nem da actividade do cerebro, nem da dos nervos, pois nem uma nem a outra é percebida no estado normal. Localisamos assim, a sensação, muito naturalmente naquelle ponto que unicamente conhecemos pela experiencia: e que nos põe em relação immediata com o mundo exterior, na parte externa dos sentidos.
Quanto à localisação dos processos physiologicos no cerebro, veja-se a historia natural.
Do sentido commum e da força estimativa
I
Quanto ao sentido commum em geral, veja-se 1.ª parte, II.°.
Uma funcção do sentido commum é, para muitos autores, o sentido intimo, pelo qual percebemos — de um modo concreto — impressões sensitivas, todos os nossos actos sensitivos como nossos, percebendo nelles a nós mesmos como sujeito activo ou passivo. O sentido intimo acompanha todas as sensações, é um elemento dellas, não uma faculdade separada.
Manifesta-se, primeiro, na reflexão sobre os nossos actos passados, reflexão esta que nem seria possivel, se aquelles actos tivessem sido presentes em nós, só em sua realidade, sem terem sido percebidos como nossos; segundo, na analyse dos nossos actos. Com effeito, em todos os nossos actos encontramo-nos a nós mesmos como sujeito psychologico delles; terceiro, na identidade do proprio "eu" ao qual referimos todos os actos das differentes faculdades.
II
Força estimativa
A força estimativa (instincto no sentido lato) acha-se tambem no homem; manifesta-se, p. ex., no uso da comida. Entretanto, nem esta nem o instincto propriamente dito, manifestam-se com muita evidencia no homem adulto, porque este prosegue, em geral, um fim intellectivamente conhecido. Quanto ao instincto no sentido estricto, é certo que ha no homem affeições que levam a executar determinados movimentos20