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intellectivamente. (3.°) Não explica porque os animaes praticam acções instinctivas em circumstancias que as tornam evidentemente inuteis (4.°) Não explica certas anomalias.
Como os animaes não tem intelligencia, tambem não podem possuir o livre arbitrio, sciencia, moralidade, religião, direito, que são consequencias só da intelligencia.
V O principio da vida sensitiva
é essencialmente superior ás forças da materia
bruta
1.° argumento. A vida vegetativa suppõe um principio superior ás forças da materia. Logo, a mesma superioridade deve ser concedida ao principio da sensação
2.° argumento. A superioridade da sensação segue das considerações seguintes: a) A actividade da materia é sempre inconsciente, a sensação é consciente. Comparem-se, por ex., as vibrações do. ar e o som, a força attractiva da terra, actuando sobre um corpo, e a sensação do cansaço, a imagem produzida na chapa photographica com a imagem produzida nos olhos, a destruição da materia com a do ser vivo, uma poesia impressa e uma poesia relembrada.
A superioridade do ser sensitivo consiste nisto que só para o ser consciente existe o resto do mundo.
b) Toda a actividade da materia é transeunte, a do ser sensitivo é immanente. O acto immanente é essencialmente superior ao acto transeunte, porque só o acto immanente é todo inteiro a bem do individuo
c) As forças da materia podem ser transformadas umas nas outras. (Movimento, calor, luz, electricidade). As forças sensitivas não são convertiveis entre si, e muito menos podem ser transformadas em energias mechanicas.
d) Toda a materia pode receber todas as formas das forças materiaes; nunca pode receber qualquer forma das forças sensitivas. Logo estas forças pertencem a uma categoria essencialmente superior.
e) As forças da materia estão sempre em relação directa com o espaço. As forças sensitivas não assim.
O movimento material segue sempre uma "linha". O effeito da attracção, da luz, do calor... está sempre em relação com a distancia entre dois corpos. O peso... depende do tamanho dos corpos. Esta dependencia mutua é a consequencia necessaria da materialidade destas forças.
Nada disto se pode affirmar dos actos sensitivos, que não são nem lineares, nem quadrados, nem movimento, nem dependentes de distan-
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