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Depois da descoberta do erro de imprensa feita pelo P. do Jornal do Comércio, dezenove dias depois da publicação do regimento, está me parecendo melhor é abandonar a questão das custas, porque do contrário a nossa imprensa fica desacreditada para o estrangeiro

O meio por cento do porteiro? Erro de imprensa. Os seis por cento do juiz de capelas? Erro de imprensa . Os dez contos que há de lucrar o porteiro de órfãos? Erro de imprensa. A ridicularia de estabelecerem custas de 200 rs. Até para Presidente da Relação, em vez de uma gratificação anual? Erro de imprensa.

Já estou com medo que não descubram que o título do regimento e a referenda do ministro são erros de imprensa.

Que papel ficamos nós fazendo, Sr. Conselheiro Ferraz, tendo gasto o nosso tempo a atacar apenas uns tipos trocados, e umas letras sem sentido, sem idéias!

Mas, que coisa célebre! Parece que os três jornais da corte se apostaram para errar justamente no meio por cento! E o erro foi tão imperceptível (era de cerca de dez contos anuais) que só depois de um escrupuloso exame de dezenove dias é que se deu com ele!

O próprio Sr. P., no seu artigo de quinta-feira, defendeu o erro de imprensa, iludido como nós; e só ontem é que fez a importante descoberta. Maldita imprensa! Eis a razão por que se prefere uma compilação do direito civil manuscrito, tendo-se uma em letra redonda, cujo único defeito é estar pronta.

A propósito, tomo a liberdade de pedir ao Sr. P. que assista ao curso de leitura repentina do Sr. Castilho.

Como deve saber, o curso foi aberto quinta-feira por um discurso de uma extrema simplicidade, e que talvez por esta mesma razão satisfez o auditório. Estavam presentes o Sr. Ministro do Império, o Sr. Marquês de Monte Alegre, Visconde de Itaboraí e Sapucaí, o Conselho de Instrução Pública, e muitas pessoas de distinção.

O Sr. Ministro dos Estrangeiros chegou tarde, porque foi de gôndola, segundo observaram os mirones.