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deixar de sorrir, respondendo com alguma reserva.
― Pede pouquissimo para receiar uma recusa. Mas como toda a culpa tem castigo, imponho-lhe a penitencia de me julgar deusa ou houry, já que me deu o primeiro diploma d'anjo.
― Comprehendo e admiro o espirito de v. exc.a ― respondeu um pouco vexado o meu interlocutor. ― Sinto n'este momento, uma dor, que me castiga mais o coração do que a vaidade. Creia-o, minha senhora. Se não receiasse os seus motejos dir-lhe-ia como o mais querido poeta:
«Pourqoi mon cœur bat il si vite?
«Qu'ai-je donc en moi qui s'agite
«Dont je me sens épouvanté ?»
Sem saber explicar-te porque, arrependi-me de ferir a susceptibilidade d'aquelle homem, que se me afigurava debaixo de feições mui diversas. Tomára-o a principio por futil galanteador, e logo me apparecia o poeta, o idealista talvez !
Foi com pezar que o vi ir de caminho sem esperar resposta, ficando eu discutindo-o mentalmente dois minutos, que tantos decorreriam até á entrada da viscondessa, cuidadosa da mi-