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outra vez o aranzel que te estava fazendo do meu enthusiasmo.

Enthusiasmo! Repara tu como ha palavras convencionaes até para o nosso proprio sentir, e como resaltam dos bicos da penna sem a gente saber dar a explicação d'ellas. Deves rir-te de mim, Henriqueta; deves dizer lá comtigo: ― Esta mulher engana-me ou illude-se a si mesma quando me falla em commoções e em extasis á vista das maravilhas surprehendentes da terra. Tens razão; ri-te de mim; ri ainda de melhor vontade, sabendo que vou ámanhã assistir a um concerto dançante dado em meu obsequio pela viscondessa de***, e que tenho preparado para essa occasião uma toilette elegantissima, segundo diz a modista, mais afamada entre as aformoseadoras do genero humano. Dou-te licença para tudo, menos para me chamar hypocrita: isso sabes tu que não sou, e que o meu desgosto e indifferença por essas futilidades, que entretem e amenisam a vida das outras, não é fingido, mas sim real.

Nunca tu saibas o que isto é, minha amiga.