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sociedade e a vida. Este mundo, que tu adoras, porque és feliz, porque encontraste em Gualberto a metade do anjo que tu és, é o antro onde se pavoneam estas féras humanas, esta raça feroz e egoista, que com rara excepção, tem sempre e para tudo um riso de sarcasmo; riso, torpe, que chega a macular a propria santidade da dor. Não tenho eu sido victima d'elle? Não me tem acoimado de mentecapta porque não festejo suas inepcias, nem me canso em fingir considerações que me não merecem?!

A sociedade é o que tu sabes: é uma velha hypocrita e andrajosa, coberta com manto de velludo. Aqui não ha nem se precisa senão de dinheiro, esperteza e uma boa mascara para gosar distincções e respeitos.

Confesso-to: tenta-me muito a idéa do suicidio, sorri-me o aniquillamento; tenho constantemente diante dos olhos este pharol luminoso a chamar-me ao porto desejado; mas, no maior ardor da lucta, levanta-se invulneravel no meu peito a muralha do christianismo; os meus olhos volvem-se á cruz sublime, que me está dizendo: sê forte. Força, pois, ó meu Deus! permitti que as pedras, que desabam das montanhas da philosophia impia e mentirosa, não