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notava figuras, recordava escandalosinhos que andavam na boca de todos, contava casos que faziam sorrir os companheiros, principalmente na descripção dos raouts que esse inverno inaugurára o Maximiano e onde os jornaes do high-life diziam encontrar-se quanto ha de mais selecto na nossa melhor roda.

— «A nossa é a d’elles, jornalistas — ria com soberano despreso — O que os faz enternecer é a abertura do bufete á meia noite e a possibilidade de um empregosinho disfarçado...

— «Temos então o Maximiano singrando com vento de feição no mar largo das grandezas?! Como a conselheira não exultará com a civilisação britannica das suas reuniões da moda!... — commentou João.

— «É plantio d’estaca, ainda está longe da floração...

— «É ridicula esta gente na sua mania imitadora! — disse, séria, a Viscondessa. — Nem o nosso meio, nem a educação, nem as fortunas, comportam essas festas inventadas pela aristocracia de Londres, que em divertimentos como em negocios não pode esbanjar tempo, e que n’um mesmo dia tem que assistir a muitas reuniões, sob pena de deserção.

— «Mas se o nosso feitio é de perpetuos imitadores, que se lhe hade fazer? Já nos não contentâmos em imitar a França, invadimos agora a nossa perfida alliada, que qualquer dia reclama por indemnisação e contribuição de guerra qualquer das nossas possessões... Com perdão de V. Ex.ᵃ, minha querida prima inglêsa!...

— «Só meia inglesa, meu caro Visconde, e