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enternecedora scena da despedida se repetiu varias vezes. Por fim, os creados, chamados à pressa, entravam já incredulos no quarto, sorrindo á socapa com uma pontinha de ironia.
Quando a pobre senhora deveras acabou, entregando definitivamente a alma a Deus. ninguem deu credito ao acontecimento. A criadagem preparava-se para sair alegre do quarto quando a tia Amalinha, sentindo no peito uma oppressão maior, exhalou o ultimo alento, sem agonia, sem estertor. como um passarinho.
A surpreza engrandeceu o golpe. Quando se convenceram de que a boa senhora não respirava, espalhou-se por toda a casa um alarido insurdecedor, desconcerto de soluços, de gemidos, de exclamações incoherentes. ― Tão boasinha p'rá gente! E temente a Deus! Era uma santa! Está no ceo vestidinha e calçada! Deus lhe perdoe e a livre das penas do Purgatorio! E limpeza! isso não ha segunda! Mais amiguinha dos pobres! Uma dona de casa de mão cheia. E p'ra dar conselhos á gente!...
Era uma verdadeira ladainha, resada em coro entre uma symphonia de choro.
O Antonio. envergonhado da propria placidez em meio do mais estrondoso berreiro a que tinha assistido em dias da sua vida, adoptou