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de joelhos á cabeceira, concentrado, como immerso em pensamentos profundos. Estaria acaso pensando de que marca lhe conviria mais o automovel se chegasse a compral-o.
Passada uma hora, a tia Amalinha, com assombro geral, segundo o dizer pinturesco do confessor, arrebitou Pediu um caldinho com uns baguinhos de arroz e um migalho de peito de gallinha. A cozinheira quando tal ouviu, saiu correndo, a bater palmas de alegria. A su rica senhora! — Ella bem sabia que a sua senhora sempre dizia que comia um migalho de tudo, ainda quando se tratava de saborear duas perdizes ou uma choruda fatia de presunto.
Sempre a tia Amalinha fôra senhora de muito alimento e estomago á prova de bomba. Mas sempre vivera convencida de que padecia um fastio mortal, e de que em toda a sua vida não passara de provar as comidas, comer migalhos de tudo.
Os creados voltaram, tranquillisados, as suas respectivas occupações. E a tia Amalinha, acolchetando a dentadura postiça, fez honras ao peito de uma das mais perfeitas gallinhas da sua capoeira, regando o acepipe com uma colher de Madeira velho.
Decorreu uma quinzena, em que aquella