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Retalhos de Verdade
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dia. Tinha a peito conservar a estima d'aquella mulherzinha a quem por fim, a seu modo, queria deveras.

E, como todas estas considerações e o ter inutilisado uma folha toda escripta o puzeram de muito mau humor. circumstancia em que estava acostumado a voltar-se sempre contra a mulber, escreveu finalmente uma carta muito nervosa, estranhando, com accentuada amargura, que ella nunca protestasse contra a prolongada ausencia. nem lhe dissesse nunca que estava morta por vel-o em Lisboa. Seria possivel que não tivesse saudades? Teria diminuido o seu amor?...

Um dia. repentinamente, houve um grande sobresalto na velha casa minhota. A tia Amalinha, que até então nunca falara em morte, sentiu de improviso uma angustia enorme e julgou que ia acabar. Com voz entaramelada pediu o confessor, com quem se encerrou durante meia hora para a conveniente limpeza da consciencia.

Depois, quiz todos os criados á roda do leito para despedir-se, em quanto apertava na sua mão engelhada a mão do sobrinho chamando-lhe com voz extincta ― o seu Antoninho. N'este momento solemne Antonio Pinheiro estava-lhe