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COLLECÇÃO ANTONIO MARIA PEREIRA

voz um pouco tartamuda de raiva, explicou: «Venho eu a dizer que sempre à patrôa lhe hades chamar senhora D. Placida... Senão, é ella muito competente p'ra te arrancar as orelhas...»

— «E ó patrão?» — indagou o pequeno.

Seria ingenuidade ou rônha?

— «Não, home, não... Forte bruto! Como ós fidalgos de Manteigas! O dom, tirante os fidaldos, é só p'r'as senhoras... Que a tua patrôa p'ra senhora inda lhe falta um bocado... Mas isso nan é da tua conta... Puxa-me esse cabello p'ra trás... Nan me pareces senão um cão d'agua... Bem podia a mãe, ó menos, mandar-te tosquiar essas grenhas...»

E lá foram escada acima.

Um quarto de hora depois, a sr.ª Benta descia.

— «Lá ficou a abanar o lume... Aquillo vem-se a acostumar... Tudo quer ensino.»

— «A minha senhora logo o põe direito» — prometteu, confiante, o sr. Matheus — «O homem nasce bruto de condição... Digo, o homem e a mulher. A criação é o que doma os instinctos.»

A sr.ª Benta aprovou com um profundo meneio de cabeça aquella sentença. — «E adeusi-