Página:A fallencia.djvu/389

Esta página ainda não foi revisada

do outro, que ficava boiando no passado, desconhecido por todos, só amado pela sua lembrança.

"Velho... estou velho! pensava ele, já não sirvo para nada. E agora? Para onde há de ir esta gente, que eu mesmo habituei a grandezas? Para o sobradinho da rua da Candelária? Nem isso. Camila naquele tempo contentava-se... agora já se afez a outra coisa. Camila! Camila sem sedas? não, não se pode compreender Camila sem sedas. Onde tinha eu a cabeça? Miserável! Eu sou um ladrão. roubei a meus filhos. Eu sou um ladrão!"

Como se quisesse fugir das próprias idéias, começou a andar pelo escritório, com ar desvairado. Vingava-o a sensação de que tudo agonizava com ele.

A especulação, a fraude, a ganância, a traição e a mentira, iriam roendo e corrompendo fortunas e carateres. Enganados e enganadores seriam todos engolidos conjuntamente pela outra falência, de que a sua era uma das precursoras.

No fim, havia de aparecer a justiça punindo as ambições e as vaidades destes tempos e destes homens doidos, quando, depois de tudo consumado, não houvesse nada a refazer mas tudo a criar.