Página:A Luneta Magica, Tomo II (1869).pdf/176
Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
172
a luneta magica.
graça, prevendo o raio infallivel que hia fulminar-me no dia seguinte, puz-me a andar sem destino, mas apressado, quasi a correr não sei por quaes ruas da cidade; sei porém que de improviso parei na quina, ou angulo formado por duas ruas que se cortavão.
Approximava-se numeroso prestito de carruagens: quiz ve-lo passar.
Era o prestito lugubre de um finado. Era um enterro.
XXVII
Tive um pensamento que estava naturalmente em relação com a negra tristeza du meu espirito.
Desejei estudar o cadaver, que se hia sepultar.
Fixei a minha luneta magica no feretro.
Eis o que vi:
Primeiro um caixão de madeira coberto de ricos estofos pretos e de dentro um cadaver já em galões de ouro, corrupção, des-