Os Noivos (filme de 1913)/1

PRIMEIRA PARTE

 

... O sol desapparecia atráz dos montes que coroam o espelho diaphano do lago de Como, no qual se reflectem as graciosas casinhas de tantas aldeas pittorescas.

N՚uma destas aldeas, diante de uma fiação, ouvia-se um mexerico alegre de raparigas. Ellas davam-se reciprocamente a boa noite para depois entrar nas respectivas casas.

Era uma noite de Novembro de 1628 : uma moça sahiu do grupo gracioso das operarias e, comprimentada por todas, dirigiu-se apressadamente para a sua casa.

A mocidade, a belleza e a felicidade reflectiam sobre aquelle rosto.

Lucia Mondella não devia mais voltar á fiação, porque ella era a noiva de Renzo e, a hora suspirada do casamento se aproximava. D՚alli a poucos dias aquelle sonho de amor devia realizar-se...

Mas, eis que, ao dobrar uma ruasinha, dois senhores elegantes lhe cortam o caminho.....

Um comprimento banal, ao qual a rapariga não presta attenção..... depois, um d՚este senhores, o prepotente D. Rodrigo, diz, dirigindo-se ao companheiro : Apostamos caro primo?.....

A aposta é acceita. Para um senhoraço prepotente como D. Rodrigo, não é permittido retroceder, mesmo quando a aposta era uma infamia abominavel.

D. Rodrigo de volta ao seu Castello, reune os seus valentões e, ao chefe d՚estes, o Griso, dá o encargo de informar-se quem era a rapariga da qual desejava as graças.....

Ao Griso tornou-se facil conhecer o nome e as condiçoes da moça e, como ella devia, entre poucos dias, casar-se com Renzo Tramaglino.....

 
 

Ordenarás ao Cura de não effectuar tal casamento, ou então..... coitado d՚elle.....

 
O cura medroso.
 

D. Abbondio, o cura da aldea, uma noite voltava para casa, recitando o seu breviario quando, dobrando uma rua, viu dois valentões que, parecia, o estavam esperando : Griso (porque um d՚elles era justamente o Griso) fez parar o pobre cura e disse sem mais nem menos : V. S. tem intenção de unir em matrimonio, n՚um destes dias, Renzo Tramaglino com Lucia Mondella. Pois bem, este matrimonio não se effectuará. V. S. comprehendeu? Esteja são..... e infinitas saudações do Illustrissimo nosso patrão D. Rodrigo.

O nome de satanaz não teria espantado tanto o nosso pacifico cura quanto este pronunciado pelo valentão!

 
Os conselhos de Perpetua.
 

O pobre D. Abbondio, mais morto do que vivo, encaminhou-se para a sua canonica. Entrou. A creada Perpetua, correu a encontral-o:

« Misericordia, reverendo, o que tem ?

D. Abbondio bem que quiz protestar, mas, a creada era cabeçuda, obstinada e, o pobre cura teve que contar á Perpetua o acontecimento. Immagine-se se o segredo do Patrão era um peso que Perpetua podia guardar no estomago!

Jurando a D. Abbondio e a si mesma de calar-se Perpetua não esperava que a occasião para dasatar a lingua....

E a occasião não tardou a apresentar-se.....

Todas as obras publicadas antes de 1.º de janeiro de 1930, independentemente do país de origem, se encontram em domínio público.


A informação acima será válida apenas para usos nos Estados Unidos — o que inclui a disponibilização no Wikisource. (detalhes)

Utilize esta marcação apenas se não for possível apresentar outro raciocínio para a manutenção da obra. (mais...)