Historia das invenções (4ª edição)/XI

CAPITULO XI

A BOCA

 

DONA BENTA ainda falou longamente da aviação. Contou que quanto mais alto sobe um aeroplano mais rapido pode ser o vôo.

— Os homens andam agora a estudar a estratosfera, ou as camadas superiores da atmosfera. Zona ainda mal conhecida e que só nos ultimos tempos tem preocupado os sabios. Entretanto, parece que é lá o paraiso dos aviadores.. Sendo o ar muito rarefeito, oferece menos resistencia ao vôo, de modo que permite aos aviões alcançarem velocidades tremendas.

Mas chega de ar — ou de pé, porque todas estas invenções aereas são coisas do pé. Vamos agora ver a Boca. Que é boca ?

Pedrinho respondeu logo:

— E' a parte mais importante do corpo, porque sem ela o corpo não vive. Com a boca é que a gente come.

— E fala, acrescentou Narizinho.

— Mas o principal é comer, insistiu o menino. Um mudo não fala mas vive. Quem não come não vive. Ainda não houve um não-comedor que vivesse.

Dona Benta riu-se da discussão.

— Esperem. Vamos por partes. A boca serve para comer, e isso garante a vida do corpo. Está certo. Mas nesse ponto não ha diferença entre o homem e os outros animais. Onde o homem se distancia dos animais é no falar.

— Mas os animais tambem falam, vóvó, advertiu Pedrinho. Nós é que não entendemos a linguagem deles. Duas formigas que se encontram falam lá entre si na linguinha delas e decidem coisas. Tenho observado isso muitas vezes.

— Sim, os animais tambem possuem linguagem, que nós não entendemos. E’, porém, uma linguagem muito rudimentar, que de nenhum modo pode comparar-se á nossa. Eles tambem são inventores, mas em escala minima. Em tudo somos mais, mais, mais, e em materia de linguagem somos tremendamente mais.

Como nasceu a linguagem ? Com certeza da necessidade de defender a vida. Quando um gavião passa por cima do galinheiro não ha galinha criadeira que não de sinal dê aviso — e os pintinhos correm para debaixo das asas protetoras. O galo tambem avisa as galinhas. Eu imagino que o grito de medo ou pavor foi o começo da linguagem. 0 perigo nos faz gritar sem querer, com dois fins: espantar o perigo ou avisar outra criatura de que ha perigo. A vida na terra sempre esteve ameaçada de mil perigos; daí o desenvolvimento do grito de aviso, que, sendo comum a todos os animais, só no homem evoluiu dum modo tremendo.

Ha duas sortes de perigos: o que a gente vê e o que a gente não vê. Este assusta mais, porque é misterioso. Vinha daí o pavor em que viviam as tribus selvagens. Receavam sobretudo a escuridão e o silencio. O escuro era o misterio, o perigo. Qualquer barulhinho de noite até hoje nos incomoda. "Que será?" Os selvagens padeciam muito com o pavor das trevas, o que fez que sua imaginação inventasse deuses e diabos em quantidade enorme. Os deuses protegiam-n'os e os diabos atropelavam-n’os.

— Aqui no Brasil ainda temos o saci, vóvó, que é um diabinho duma perna só que atormenta os cavalos no pasto e a gente da roça.

— Sim, temos o saci, a capora, e lobisomem, a mula-sem-cabeça, a bruxa e outros, tudo coisas do Capeta, que é o diabo. Quem botou essas crenças na cabeça do povo? O escuro. Numa grande cidade bem iluminada á noite, não ha disso. As crianças crescem livres do medo ao diabo. Mas na roça, onde a unica luz possivel é a duma fumarenta lamparina de querosene, o diabo ainda tem grande importancia.

Feras de dia e diabos de noite — eram os dois grandes pavores do homem primitivo. E o meio de defesa estava no grito. Como o grito muitas vezes espantasse as feras, eles aplicavam o mesmo processo para espantar os diabos.

Mas o grito requer muito esforço das cordas vocais. Tornou-se necessario inventar gritos mais poderosos, de defesa e de aviso, isto é, inventar gritos mecanicos de grande alcance — e o homem meteu-se a aperfeiçoar o grito.

O tam-tam dos selvagens, donde sairam os tambores modernos, foi o primeiro passo nesse caminho.

— Que é o tam-tam?

— Um tronco de pau oco sobre o qual pregavam, bem esticadinha, uma pele de animal. Batendo na pele o som aumentava pela ressonancia dentro do oco — e o barulho assim feito era muito maior que o barulho produzido com a boca.

Em certas tribus os tam-tans trabalhavam sem descanso. Os selvagens batiam neles dias inteiros, ás vezes semanas, quando o diabos se tornavam muito agressivos. A barulhada os mantinha a distancia.

Depois vieram os sinos. Na Idade Media, tempo da mais crassa ignorancia e portanto tempo de pavor geral, a função dos sinos era a mesma do tam-tam dos selvagens — afugentar para longe os diabos ou espiritos maus. Não havia cidade medieval em que o sino de bronze não tocasse de atordoar a população. Depois que o povo foi saindo daquela estupidez, a função do sino mudou. Passou a servir para o mesmo que ainda serve hoje — dar aviso de missas, marcar as horas, convocar reuniões do povo, anunciar incendio e outras calamidades.

Já os seguidores da religião de Maomé nunca usaram o sino. Para chamar os fieis á oração sempre empregaram a voz humana. Os seus sacerdotes, chamados muezins, gritam avisos do alto de esguias torres chamadas minaretes.

Depois que o medo aos espiritos decresceu, a função do grito, do tam-tam e do sino limitou-se a avisar.

Entre os avisados estavam os marinheiros dos navios que navegavam perto das costas. O perigo das rochas á flor d’agua era grande, de modo que em certos pontos ficavam homens de plantão para gritar aviso logo que um barco se aproximava. Para isso inventou-se um instrumento de aumentar o alcance da voz — o megafone. E’ uma corneta dentro da qual o som ressoa, crescendo de volume.

Dos desenhos encontrados nos tijolos da Babilonia vê-se que já naquele tempo era conhecido esse meio de aumentar o som. Os feitores de obras usavam-no para de longe darem ordens aos escravos, de modo que todos ouvissem.

Já era alguma coisa, mas pouco diante do que precisava ser. Numa noite de tormenta em que o vento uivasse, impossivel aos navegantes ouvirem o aviso do megafone — e lá davam os navios sobre as rochas, naufragando. Foi preciso inventar coisa melhor e adotou-se o aviso por meio da luz.

— Os farois !

— Isso mesmo. No começo, simples fogueiras acesas de noite nos promontorios. Depois, torres com uma luz permanente em cima. Entre os farois ficou celebre o de Alexandria, construido 300 anos antes de Cristo. Foi considerado uma das sete maravilhas do mundo — e devia ser, porque resistiu de pé durante dezesseis seculos, acabando destruido pelo furor dum terremoto.

Os romanos foram mestres na arte dos farois. Construiram muitos com grande habilidade. Depois da queda dos romanos, veio a triste Idade Media em que os homens só cuidavam de rezar — e os farois ficaram reduzidos a ruinas, ou foram transformados em capelas. duma vez. O mundo escureceu duma vez.

— Mas iluminou-se de novo , advertiu Pedrinho.

— Sim. Depois de longo marasmo os homens da Europa retomaram o progresso no ponto deixado pelos gregos e romanos — e reconstruiram os farois indispensaveis á navegação. Entrou em cena o petroleo como fonte de luz. Mais tarde adotaram a luz eletrica, muito mais poderosa.

Infelizmente o farol tem o grave defeito de nada valer nos dias de nevoeiro. Para resolver o problema o homem teve de voltar ao grito, porque, se a luz não atravessa os nevoeiros, o grito atravessa — e apareceram as maquinas de gritar, entre elas o apito a vapor e a sereia.

A sereia é terrível. Dá um grito de ouvir-se a quilometros de distancia. E a coisa ficou assim. Tempo limpo? Luz. Nevoeiro forte? Grito de sereia.

Hoje tudo mudou com o radio. Os navios podem ser avisados do perigo sem grito, nem luz nenhuma. Basta uma comunicação lançada ao ar. Os navios a apanham onde quer que estejam e ficam sabendo o que ha. Por meio dele os homens em terra podem comunicar-se constantemente com os que estão no mar.

Mas quanto tempo e quantos passos até chegarmos a este ponto! Para dar sinais ou por-se em comunicação, o homem lançou mão dos meios que já vimos e ainda de outros. O pombo correio, por exemplo. Essas aves possuem um extraordinario senso de orientação que lhes permite voltar para casa de onde quer que sejam soltas. O homem utilizou-se desse senso de orientação para transformar os pombos em correios, ou portadores de recados.

Aqui já é a vista auxiliando a boca. Um recado escrito corresponde a uma falação sem sons.

Foram usadissimos os sinais que se dirigiam aos olhos, cujo alcance é muito maior que o dos ouvidos. No mar, antes do radio, os navios comunicavam-se uns aos outros, ou com a terra, por meio de sinais semaforicos. Com varias bandeiras, erguendo-as ou acenando-as de varios jeitos, ora com uma ora com outra, conseguiam dizer o que desejavam. E na antiguidade os sinais visiveis aos olhos foram usados para transmitir com rapidez noticias ou ordens. Quando a cidade de Troia foi tomada pelos gregos, a noticia chegou a Atenas por meio de sinais de fumaça.

— Como isso?

— Acendiam um fogo fumarento num alto; de outro alto os homens que avistavam a fumaça acendiam outro fogo — e assim, de fumaça em fumaça, a noticia chegou a Arenas.

— E que tinha a fumaça com a tomada de Troia?

— Como os gregos contassem com a vitoria, já haviam com antecedencia combinado aquilo. Fumaça nos altos queria dizer vitoria sobre os troianos.

Esse meio de telegrafar noticias era rudimentar demais e em tudo dependente do bom tempo. Bastava uma chuva para estragar o capitulo. O problema só foi bem resolvido depois que Morse, um pintor americano, inventou o telegrafo eletrico. Foi um passo gigantesco. Tornou-se possivel, por meio de sinais que representavam letras, telegrafar dum extremo a outro dum país quantas palavras o homem quisesse. E mais tarde tornou-se possivel telegrafar dum país a outro, dum continente a outro.

— Como?

— Por meio do telegrafo submarino. Encastoam muito bem o fio telegrafico e o fazem correr pelo fundo do oceano.

Hoje o telegrafo submarino está perdendo a importancia. O radio o substitue. A comunicação pelo radio tem a vantagem de não exigir fios. Vem-solta pelo ar.

— Está aí uma coisa que não entendo, disse Pedrinho. O telegrafo e o telefone entendo muito bem.. As palavras caminham por um fio. Mas o radio?

— Realmente, é de não se entender. Quem descobriu esse imenso campo novo foi um alemão, Hertz; daí chamarem-se "ondas hertzianas" as ondas que nos trazem os sons transmitidos pelo radio. Hertz descobriu essas ondas e determinou as leis que as governam. Foi o grande passo. O resto teria de vir fatalmente — e veio por intermedio dum italiano, Marconi, o inventor do telegrafo sem fio.

Notem que uma invenção traz consigo outras. Depois do telegrafo sem fio veio o telefone sem fio, e agora já temos o radio de ondas curtas. E’ a maior das maravilhas. Falam lá numa estação da Europa ou da Asia e ouvimos tudo aqui com a maior comodidade. Mas o radio não serve para falar segredos. O que um ouve, todos ouvem, de modo que os amigos do segredo têm de contentar-se com o telegrafo.

— E quem inventou o telefone?

— Muitos homens lidaram com isso. Quem, entretanto, resolveu praticamente o problema foi um professor escocês duma escola de surdo-mudos em Boston, nos Estados Unidos. Chamava-se Alexandre Graham Bell. Bell quer dizer sino ou campainha. Porisso as companhias telefonicas adotam o sino como marca.

— Ahn ! exclamou Pedrinho. Bem que vi já isso, ali na estação telefonica da vila. Mas não sabia a razão. Esta cá me fica. Bell, sino...

— Pois esse professor fez que a boca humana adquirisse um grande alcance. Antes dele nossa voz só podia ser ouvida a pequena distancia — dezenas de metros. Bell multiplicou tremendamente essas dezenas de metros. Podemos hoje falar daqui com uma pessoa lá na Europa — e tão bem que até lhe reconhecemos a voz.

As maravilhas da invenção humana acumulam-se de tal maneira que rapidamente nos acostumamos a elas, a ponto de não lhes prestarmos a menor atenção. Ficam como se folsem coisas que existiram sempre. A escrita, por exemplo. Quem pensa, quem reflete sobre esse milagre que é a escrita? E que é a escrita ?

— E’ o meio de fixar e transmitir o pensamento.

— E como apareceu ?

— ?

— Os sabios têm quebrado a cabeça no estudo disso. Pensem um pouco. No principio o homem desenvolveu a linguagem, isto é, a arte de se entenderem por meio de sons emitidos pela boca. Um grito queria significar uma coisa; outro grito significava outra. Depois vieram sons que não eram gritos e significavam outras coisas — e o que chamamos linguagem foi se desenvolvendo.

Mas esses sons que saíam da boca e significavam coisas não eram os mesmos em todas as tribus. Daí a diversidade das linguas, embora em todas as linguas as coisas que os sons significam sejam as mesmas. A arte da tradução veio mostrar como as palavras de linguas diferentes designando uma mesma coisa se correspondem.

— Isso é facil, disse Pedrinho. Se eu vejo um inglês apontar para uma pedra e dizer stone, fico sabendo que stone corresponde á nossa palavra pedra.

— Muito bem. E para fixar essa palavra? E para fixar os conhecimentos que os homens iam adquirindo, de modo que a experiencia do passado aproveitasse ao presente e ao futuro? Isso é que foi o milagre.

A escrita começou com desenhos. Nas cavernas pre-historicas encontramos desenhos de animais e coisas feitos pelos peludos ha milhares de anos. Era o começo. Com aqueles desenhos eles fixavam na pedra acontecimentos que seus filhos e netos entendiam.

Depois vieram os chineses com a invenção dum sinal para cada palavra. Resolvia o problema, mas dava aos estu- diosos um trabalho infinito. Os chins possuem mais de 40.000 sinais diferentes — imaginem a trabalheira para um estudante decora-los todos! Levava a vida inteira.

Os egipcios deram novo passo á frente. Inventaram os hieroglifos, em que ha uma combinação de sinais formando palavras, o que tornou inutil haver um sinal para cada palavra.

Depois veio a grande coisa, o alfabeto inventado pelos fenicios, isto é, vinte e tantos sinais que servem para escrever todas as palavras que o homem usa.

— Como conseguiram isso?

— Eram os fenicios os maiores negociantes da antiguidade. Não faziam outra coisa senão comprar aqui para revender com lucro lá adiante. Tendo transações com muita gente, surgiu a necessidade de tomar apontamentos. Pegaram então os hieroglifos e os foram aperfeiçoando e simplificando, até transforma-los nesse maravilhoso instrumento que é o alfabeto.

O alfabeto dos fenicios veio permitir a maior perfeição na escrita, isto é, no meio de fixar e perpetuar o pensamento. Foi um progresso gigantesco. Graças ao alfabeto um homem de hoje pode ler o que Platão escreveu ha seculos, e os meninos do ano 3000 poderão ler as futuras "Memorias da Marquesa de Rabicó"...

Emilia rebolou-se toda.

— Antes do alfabeto o homem fixava os fatos com o desenho. Nas cavernas pre-historicas encontram-se, junto ás ossadas que as enchem, pedrinhas com sinais. Os sabios ainda não conseguiram traduzir esses sinais, como o fizeram com os sinais hieroglificos, runicos e assirios.

— Sinais runicos? Que é isso?

— São os sinais encontrados nas pedras do norte da Europa. Dinamarca, Suecia, Noruega, Islandia. Run, em lingua da Islandia, quer dizer misterioso. Notou que a ideia de fixar os acontecimentos por meio de desenhos ia ocorrendo a todos os povos ao mesmo tempo, cada qual usando sinais seus.

Mas depois da invenção do alfabeto, a arte de fixar o pensamento pela escrita se desenvolveu rapidamente. Vieram os livros. Vieram os jornais. E em nossos tempos veio a maquina de escrever, o fonografo que guarda o som exatinho como foi ouvido pela maquina, e vieram ultimamente os processos que o cinema falado usa.

Vejam que maravilha está ficando o mundo, graças ás invenções! O que um homem diz hoje, pode ser guardado e repetido daqui a mil anos. E pode ser jogado ao ar de modo que lá nos antipodas o ouçam. Podemos tudo. Podemos até transmitir daqui para a Europa um desenho, uma imagem qualquer.

— Como?

— Pelo telefone. Ali na Enciclopedia Britanica ha a reprodução duma vista fotografica transmitida da cidade de Cleveland, nos Estados Unidos, para a de Nova York. Perfeita. Pura maravilha. E esse serviço já está organizado por lá. Um banqueiro de Londres que quer transmitir com urgencia um documento para Nova York, chega á estação telefonica e manda transmitir o documento fotograficamente. Instantes depois a copia igualzinha está em Nova York.

Antes desses assombros o meio de reproduzir um desenho era pela gravura em madeira ou metal. O gravador gravava o desenho e depois imprimia-o no papel. Era caro, trabalhoso e não muito fiel, porque o gravador sempre varíava na copia do desenho. Apareceu então a gravura mecanica. Fotografa-se o desenho numa chapa de metal e, depois duns banhos quimicos, obtem-se um clichê que pode ir para o prelo. Dá reprodução igualzinha ao modelo.

A fotografia foi outra invenção assombrosa e de consequencias tremendas. Por meio dela o homem colhe a imagem das coisas e a fixa no papel. E como uma invenção sempre puxa outra, da fotografia nasceu o cinema, que é a mesma fotografia repetida milhares de vezes, de modo que ao desfilar diante de nossos olhos reproduza o movimento, a vida. E depois veio o cinema falado, que reproduz o movimento e tambem os sons.

— Isso é que é mesmo um assombro, vóvó! Outro dia vi a Baboona, um filme da Africa tirado pelo casal Johnson. Fiquei idiota. A vida dos animais — leões, tigres, serpentes enormes, girafas, elefantes, flamingos aos milhões, macacada que não acaba mais — estava tudo ali, tão vivo, com todos os urros e barulhinhos, que era o mesmo que a gente estar em plena Africa. Viajar hoje é bobagem, porque a gente pode ver tudo, tudo, tudo, e ouvir todos os sons, sem sair de casa...

— Realmente, meu filho. As invenções vão mudando de tal forma a vida do homem na terra, que o cerebro mal tem tempo de adaptar-se. Essa grande coisa que era viajar, cada dia perde um bocado da sua importancia. Viajavamos para ver e ouvir. Era o unico meio. Hoje vemos e ouvimos tudo sem sair de casa. Antigamente quem queria boa musica, tinha de ir á cidade em dia de concerto. Hoje temos concerto de graça a toda hora. E escolhemos. Pulamos da musica argentina para a alemã. E com uma torcidinha da chave do radio pulamos para os sambas do Brasil. E se a musica nos aborrece, zás ! arrolhamos os fazedores de musica. Eu, que sou velha e já conheci os tempos em que não havia nada disso, sei dar valor a essas invenções. Vocês, não. Já nasceram dentro delas...

Esta obra entrou em domínio público pela lei 9610 de 1998, Título III, Art. 41.


Caso seja uma obra publicada pela primeira vez entre 1931 e 1977 certamente não estará em domínio público nos Estados Unidos da América.