Diálogos das grandezas do Brasil/Nota preliminar

NOTA PRELIMINAR

Os “Dialogos das Grandezas do Brasil”, tão falados, sahem agora, pela primeira vez, reunidos e publicados em volume. Para chegarem a este tomo, — do qual muito nos desvanecemos, realizando desejo natural, de mais de tres seculos, de seu autor, de mais de meio seculo, de Varnhagen e Capistrano, de todo e tanto tempo dos que prezam e estudam o Brasil, — foi-lhes preciso longa historia, cheia de accidentes e contrariedades.

Delles houve uma copia na Bibliotheca Nacional de Lisboa, desapparecida e extraviada; della seria sem duvida a origem de publicação que fez José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, no Iris, revista semanal, sob sua direcção, no Rio, de janeiro de 1848 a junho de 49: no tomo III, ns. 24, 25, 26, sahiu o “Dialogo I” .

Não encontrando o apographo de Lisboa, teve Varnhagen a sorte, em 1874, de encontrar outro na Bibliotheca de Leyde, em Hollanda, de onde extrahiu um manuscripto. Desejou que publicação delle se fizesse no Brasil, e em Pernambuco, que suppunha terra de origem do autor. Para isso, em 77, confiou sua copia a amigo, José de Vasconcellos, redactor do Jornal do Recife, que nessa folha estampou o “Dialogo I” , pondo em effeito a integral publicação delles no Revista do Instituto Archeologico Pernambucano, com longos intervallos, durante quasi um lustro, nos numeros 28 (de janeiromarço 83), 31 (de outubro 86), 32 (de abril 87), e 33 (de agosto 87).

Essa publicação, rara, e quasi inaccessivel fóra do Recife levou Capistrano de Abreu a conseguir do Diario Official, no Rio, a reedição, nas suas paginas volantes, em fevereiro e março de 1900, dos “Dialogos”. Pretendia fazer tiragem á parte, para a qual escreveu dois artigos no Jornal do Commercio, de 24 de novembro de 1900 e 24 de setembro de 1901. Não logrou, porém, essa edição.

Quando, em 1923, a Academia Brasileira intentou as suas publicações, entendemos não nos contentar com os academicos e recorrer a sabios collaboradores de fóra, tambem interessados nessa obra. Capistrano foi o primeiro lembrado e os “Dialogos” logo por elle indicados á nossa diligencia, offerecendo-nos o texto reunido e o segundo dos seus artigos, por prefacio.

Como para o Tratado e a Historia de Gandavo, e os Tratados de Cardim, ficariam os “Dialogos”, por indicação sua, a cargo de Rodolpho Garcia, seu prestante e assiduo collaborador, e o mais amado dos seus discipulos.

Cumpre-se agora, inteira, a vontade de Capistrano. Cumprese o longo desejo de Varnhagen. O discipulo e indicado collaborador, dos dois, deu-nos collaboração de mestre, em notas exemplares. Uma trindade benemerita de nossa historiographia — Varnhagen, Capistrano, Garcia — apraz-nos repetir — uma vez ainda, — e não será a ultima, — se reune nestas paginas, que bem-servem à nossa cultura

Esta obra publicada em jornal e revista, inaccessiveis por espaço e tempo interpostos, era como inexistente á immensa maioria de estudiosos. Agora, em livro, são incorporados definitivamente os famosos “Dialogos das Grandezas do Brasil” ao patrimonio literario nacional, graças á Academia Brasileira, cujas publicações The vão constituindo benemerita razão de existencia.

A. P.