Exercício físico

Um soldado americano emerge da água durante uma natação de triatlo.

O exercício físico é qualquer atividade que mantém ou aumenta a aptidão física em geral, e tem o objetivo de alcançar a saúde e também a recreação. O motivo da prática de exercícios inclui: o reforço da musculatura e do sistema cardiovascular; o aperfeiçoamento das habilidades atléticas; a perda de peso e/ou a manutenção de alguma parte do corpo.

Para muitos médicos e especialistas, exercícios físicos realizados de forma regular ou frequente estimulam o sistema imunológico, ajudam a prevenir doenças (como cardiopatia, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, etc.), moderam o colesterol, ajudam a prevenir a obesidade, e outras coisas.[1][2] Além disso, melhoram a saúde mental e ajudam a prevenir a depressão.[3] Todo exercício físico deve ser sempre realizado sob a orientação de um profissional ou centro desportivo qualificado, pois a prática de esportes somente nos permite atingir os objetivos esperados quando é devidamente orientada.[2]

Estima-se que à inatividade física seja responsável por 6% das doenças cardiovasculares, 7% de diabete tipo 2, 10% de câncer de mama e 10% de câncer de cólon. Essa inatividade também é responsável por 9% da mortalidade prematura no mundo.[4][5]

Benefícios

Mulher fazendo exercício físico em equipamento de uma academia.

O exercício físico é um componente do moderno estilo de vida que nas suas distintas modalidades tais como ginástica, desporto e educação física constituem atividades vitais para a saúde, a educação, a recreação e o bem-estar do ser humano, a prática do desporto e os exercícios físicos podem fazer pelos Homens o que não poderiam fazer milhões de médicos. A prolongação da vida e a terapia contra numerosas enfermidades são os principais benefícios do exercício físico. Alguns dos benefícios da prática de exercícios incluem: o reforço da musculatura e do sistema cardiovascular; o aperfeiçoamento das habilidades atléticas; a perda de peso e/ou a manutenção de alguma parte do corpo. Para muitos médicos e especialistas, exercícios físicos realizados de forma regular ou frequente estimulam o sistema imunológico, ajudam a prevenir doenças (doenças cardíacas) moderam o colesterol, ajudam a prevenir a obesidade, e outras coisas. Além disso, melhoram a saúde mental e ajudam a prevenir a depressão. Em cenários específicos, como o cancro, o exercício físico pode ter também efeitos benéficos, nomeadamente na cardioproteção, com estudos pré-clínicos recentes a demonstrar a importância do exercício na prevenção da caquexia cardíaca induzida pelo cancro.[6]

Exercícios físicos na vida adulta

O ideal para a saúde é que o exercício físico se torne um hábito na infância ou na adolescência, para não haver dificuldades de integrá-la à vida adulta. Um dos principais problemas relacionados a essa adaptação é a falta de tempo, que cria os "atletas de final de semana". Praticar atividade física somente aos finais de semana pode não ser bom para a saúde. É necessário um ritmo correto entre exercício e descanso. O recomendado é que, para cada dia de exercício, seja dado um dia de descanso, principalmente para as pessoas que se iniciam.

As consequências do sedentarismo para a saúde do homem são nefastas e bem conhecidas: maior risco de aterosclerose e suas consequências (angina, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral), aumento da obesidade, aparição de problemas como: hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, dislipidemia, doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, depressão, ansiedade, além de aumento do risco de afecções osteo musculares e de alguns tipos de câncer de cólon e de câncer de mama.

Fazer exercício durante a idade adulta atrasa a perda de volume cerebral na velhice. Em estudos realizados, as ressonâncias magnéticas ao cérebro e os testes cognitivos aos participantes revelaram que as pessoas que tinham pior forma física tinham uma pressão arterial e frequência cardíaca mais elevadas quando praticavam desporto, além de terem menor tecido do cérebro.[7]

Nutrição e recuperação

A nutrição adequada é tão importante para a saúde quanto os exercícios. Durante os exercícios, é ainda mais importante ter uma boa dieta para garantir que o corpo tenha a proporção correta de macronutrientes e, ao mesmo tempo, forneça muitos micronutrientes, a fim de ajudar o corpo no processo de recuperação após exercícios extenuantes.[8] A recuperação ativa é recomendada após a participação em exercícios físicos porque remove o lactato do sangue mais rapidamente do que a recuperação inativa.

O exercício tem um efeito sobre o apetite, mas se aumenta ou diminui o apetite varia de indivíduo para indivíduo e é afetado pela intensidade e duração do exercício.[9]

Fatores prejudiciais

Consumo de álcool

O álcool estimula a liberação de insulina pelo fígado, que em excesso, desregulariza os níveis de açúcar no corpo, podendo estar relacionado a casos de diabetes tipo 2.[10] Além disso, bebidas alcoólicas provocam desidratação,[10] e isso interfere na absorção de vitaminas e minerais pelo organismo, o que são essenciais para um organismo saudável. Por fim, o álcool também é uma bebida calórica, que com ingestão não balanceada, pode levar o indivíduo ao sobrepeso.[11] Isso pode ser explicado bioquimicamente, uma vez que o etanol é uma substância tóxica, assim, deve ser expelido do corpo rapidamente, tendo então, prioridade nas vias metabólicas, como oxidação lipídica que promove a lipólise, ou seja, favorecendo o estoque de gordura pelo organismo.[11]

Sono irregular

Um sono irregular estimula a liberação de grelina, hormônio que tem ligação com a sensação de insaciedade e fome, ou seja, estimula o consumo alimentar, o que pode causar superávit calórico e casos de sobrepeso.[12] Além disso, o sono irregular provoca cansaço e falta de atenção, o que prejudica a prática de exercícios locomotores.[12]

Baixa ingestão de água

Durante a prática de exercícios, a energia química proveniente da oxidação dos nutrientes é transformada em calor. O corpo, para regular a temperatura, como mecanismo de termorregulação, realiza a evaporação de suor.[13] A fim de repor a água perdida pela transpiração, é imprescindível a ingestão de água, pois a desidratação, desde leve a moderada, causa sinais de intolerância ao calor, sede, fadiga muscular, tontura e entre outros sintomas.[13] Dessa forma, o consumo de água é um fator essencial para não cair o rendimento na prática de atividades físicas.

Mecanismo de efeitos

Músculo esquelético

O treino de resistência e o consumo subsequente de uma refeição rica em proteínas promovem a hipertrofia muscular e ganhos de força muscular, estimulando a síntese de proteínas musculares miofibrilares (MPS) e inibindo a degradação das proteínas musculares (MPB).[14][15] A estimulação da síntese de proteínas musculares pelo treino de resistência ocorre através da fosforilação do alvo mecânico da rapamicina (mTOR) e subsequente ativação do mTORC1 [en], o que leva à biossíntese de proteínas nos ribossomas celulares através da fosforilação dos alvos imediatos do mTORC1 (a quinase p70S6 e a proteína repressora da tradução 4EBP1).[14][16] A supressão da degradação das proteínas musculares após o consumo de alimentos ocorre principalmente através do aumento da insulina plasmática.[14][17][18] Da mesma forma, também foi demonstrado que o aumento da síntese de proteínas musculares (através da ativação do mTORC1) e a supressão da degradação das proteínas musculares (através de mecanismos independentes da insulina) ocorrem após a ingestão de ácido β-hidroxi β-metilbutírico.[14][17][18][19]

O exercício aeróbico induz a biogénese mitocondrial e um aumento da capacidade de fosforilação oxidativa nas mitocôndrias do músculo esquelético, que é um dos mecanismos pelos quais o exercício aeróbico melhora o desempenho de resistência submáxima.[14][20][21] Estes efeitos ocorrem através de um aumento induzido pelo exercício na relação AMP:ATP intracelular, desencadeando assim a ativação da proteína quinase ativada por AMP (AMPK), que subsequentemente fosforila o coativador-1α do recetor gama ativado pelo proliferador de peroxissomas [en] (PGC-1α), o principal regulador [en] da biogénese mitocondrial.[14][21][22]

Diagrama da cascata de sinalização
Diagrama das cascatas de sinalização molecular envolvidas na síntese de proteínas musculares miofibrilares e na biogénese mitocondrial em resposta ao exercício físico e a aminoácidos específicos ou seus derivados (principalmente L-leucina e HMB).[14] Muitos aminoácidos derivados de proteínas alimentares promovem a ativação do mTORC1 [en] e aumentam a síntese proteica através da sinalização por meio das GTPases Rag [en].[14][23]
Abreviaturas e representações

  PLD: Fosfolipase D
  PA: Fosfatídeo
  mTOR: Alvo mecanicista da rapamicina
  AMP: Adenosina monofosfato
  ATP: Trifosfato de adenosina
  AMPK: Proteína quinase ativada por AMP
  PGC-1α: Coativador-1α do recetor gama ativado pelo proliferador de peroxissomas [en]
  S6K1: P70-S6 quinase 1
  4EBP1: Proteína de ligação ao fator de iniciação da tradução eucariótica 4E-1
  eIF4E: Fator de iniciação da tradução eucariótica 4E
  RPS6: Proteína ribossómica S6
  eEF2: Fator de elongação eucariótico 2
  RE: exercício de força; EE: exercício de resistência
  Myo: Miofibrilha; Mito: Mitocôndrial
  AA: Aminoácidos
  HMB: [Acido β-hydroxy β-metilbutírico
  ↑ representa ativação
  Τ representa inibição

Gráfico da síntese proteica muscular em função do tempo
O treino de resistência estimula a síntese proteica muscular (MPS) por um período de até 48 horas após o exercício (mostrado pela linha pontilhada).[15] A ingestão de uma refeição rica em proteínas em qualquer momento durante este período aumentará o aumento induzido pelo exercício na síntese de proteínas musculares (mostrado pelas linhas sólidas).[15]

Ver também

Referências

  1. Stampfer, M., Hu, F., Manson, J., Rimm, E., Willett, W. (2000) "Primary prevention of coronary heart disease in women through diet and lifestyle". The New England Journal of Medicine, 343(1), 16-23.
  2. 1 2 Prof. Aluísio Menin Mendes, "Exercício Físico e Saúde". Acesso: 4 de Janeiro, 2009
  3. Hu., F., Manson, J., Stampfer, M., Graham, C., et al. (2001). "Diet, lifestyle, and the risk of type 2 diabetes mellitus in women". The New England Journal of Medicine, 345(11), 790-797.
  4. Lee, I.-Min; Shiroma, Eric J.; Lobelo, Felipe; Puska, Pekka; Blair, Steven N.; Katzmarzyk, Peter T. (21 de julho de 2012). «Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy». The Lancet (em inglês) (9838): 219–229. ISSN 0140-6736. PMC 3645500Acessível livremente. PMID 22818936. doi:10.1016/S0140-6736(12)61031-9. Consultado em 16 de abril de 2022
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  6. Antunes, J.M.M.; Ferreira, Rita M.P.; Moreira-Gonçalves, Daniel (Agosto de 2018). «Exercise Training as Therapy for Cancer-Induced Cardiac Cachexia». Trends in Molecular Medicine. 24 (8): 709–727. ISSN 1471-4914. doi:10.1016/j.molmed.2018.06.002
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    Figure 2: The mTOR Signaling Pathway

Ligações externas