Sertania
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Em contraposição ao conceito original, mapas das redes urbanas triangulares constituídas ao sul (Vitória da Conquista (BA), Montes Claros (MG) e Teófilo Otoni (MG)) e ao norte (Juazeiro (BA)-Petrolina (PE), Juazeiro do Norte (CE), Sousa (PB)) do sertão brasileiro.[3] | ||
Sertania ou sertão é um termo utilizado na língua portuguesa para designar regiões interiores, afastadas do litoral ou dos principais centros urbanos. Na história do Brasil, o conceito foi amplamente empregado para referir-se às áreas do interior colonial, especialmente aquelas pouco povoadas ou de ocupação recente em relação às zonas costeiras.[4][5]
Durante o período colonial, o termo era frequentemente utilizado para indicar territórios situados além da faixa litorânea inicialmente ocupada pela colonização portuguesa, incluindo vastas áreas do interior da América portuguesa. Nesse contexto, "sertão" não correspondia necessariamente a uma região geográfica específica, mas a uma categoria espacial que expressava a ideia de interior, fronteira de ocupação ou espaço ainda pouco integrado às estruturas administrativas da colônia.[4]
Com o passar do tempo, o conceito passou a adquirir sentidos regionais mais específicos. Na geografia contemporânea do Brasil, a palavra é frequentemente associada ao Sertão nordestino, região semiárida do interior da Nordeste, marcada por características climáticas próprias e por uma forte presença na cultura e na literatura brasileiras.[6]
Em termos conceituais, o termo possui função semelhante à de expressões utilizadas em outros contextos geográficos para designar regiões interiores pouco povoadas, como o outback na Austrália.[6]
Etimologia
A origem da palavra sertão é objeto de debate entre linguistas e historiadores. Uma hipótese recorrente aponta para a derivação da expressão portuguesa desertão, utilizada para designar regiões despovoadas ou pouco habitadas.[7]
Outra interpretação sugere relação com termos de origem africana introduzidos no português durante o período colonial, que indicariam áreas interiores ou afastadas da costa.[7]
Independentemente da origem exata, o termo passou a ser utilizado pelos colonizadores portugueses para designar os territórios do interior da América portuguesa que se encontravam além das áreas litorâneas inicialmente ocupadas.[4]
Ao longo do tempo, o significado da palavra ampliou-se e passou a incluir diferentes regiões interiores do Brasil, assumindo também dimensões culturais e simbólicas na literatura e na historiografia, especialmente a partir da publicação de Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha.[5]
Uso histórico do conceito
Nos séculos XVI e XVII, o termo sertão era utilizado pelos colonizadores portugueses para designar os territórios situados além da faixa litorânea inicialmente ocupada pela colonização. Na documentação administrativa da América portuguesa, a palavra indicava regiões do interior consideradas distantes dos centros de poder político e das zonas mais densamente povoadas.[4]
Nesse contexto, o sertão correspondia a uma categoria espacial associada à ideia de fronteira de ocupação. Expedições de exploração, bandeiras e atividades pecuárias foram responsáveis pela progressiva incorporação dessas áreas ao espaço colonial.[5]
Durante os séculos XVII e XVIII, diferentes regiões da colônia foram descritas como sertões, incluindo áreas do interior da Bahia, de Minas Gerais, do Piauí, do Maranhão, do Ceará, de Goiás e de Mato Grosso. O termo era empregado em mapas, relatórios administrativos e narrativas de viajantes para indicar territórios ainda pouco integrados às estruturas administrativas e econômicas da colônia.[4]
Sertão na historiografia brasileira
Na historiografia brasileira, o conceito de sertão tem sido interpretado como uma categoria histórica associada à expansão territorial e à formação do espaço colonial. Estudos sobre a ocupação do interior destacam que o termo expressava menos uma delimitação geográfica precisa e mais uma representação do interior como espaço de fronteira e de conquista.[4]
Autores clássicos da historiografia, como Capistrano de Abreu, analisaram o papel das rotas de penetração e das atividades econômicas na formação das chamadas regiões sertanejas, enfatizando a importância da pecuária e das rotas terrestres que conectavam o litoral às áreas mineradoras e às zonas interiores da colônia.[5]
No século XX, o conceito também passou a ser discutido por geógrafos e historiadores interessados nas representações do território brasileiro. Nessa perspectiva, o sertão foi interpretado como uma construção histórica e cultural que expressa diferentes percepções do interior do país ao longo do tempo.[6]
Sertão como categoria cultural
Além do seu significado geográfico e histórico, o sertão tornou-se uma importante categoria cultural na formação da identidade brasileira. A representação do interior como espaço de desafios naturais, isolamento e resistência social foi amplamente difundida na literatura e nas artes.
Uma das obras mais influentes nesse processo foi Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, que analisou a Guerra de Canudos e descreveu o sertão nordestino como um ambiente marcado por condições naturais extremas e por formas sociais próprias.[8]
No século XX, escritores como João Guimarães Rosa também contribuíram para consolidar o sertão como um elemento central da imaginação cultural brasileira. Em obras como Grande Sertão: Veredas, o termo assume significados simbólicos que ultrapassam a dimensão geográfica e passam a representar experiências humanas universais associadas à vida no interior.[9]
Uso geográfico contemporâneo
Na geografia contemporânea do Brasil, o termo sertão é frequentemente utilizado para designar o interior semiárido da região nordeste, conhecido como Sertão nordestino. Essa região caracteriza-se por clima semiárido, irregularidade das chuvas e vegetação predominante de caatinga.[6]
Entretanto, em sentido mais amplo, o conceito de sertão continua sendo empregado para referir-se a diferentes regiões interiores do país, especialmente aquelas percebidas como afastadas dos grandes centros urbanos ou dos principais eixos econômicos. Nesse uso ampliado, a palavra mantém a conotação histórica de interioridade e distância em relação às áreas litorâneas e metropolitanas.
Ver também
- Interior do Brasil
- Sertão nordestino
Referências
- http://www.redbcm.com.br/arquivos/bibliografia/relatorio_ipea_final.pdf
- http://www.redbcm.com.br/arquivos/bibliografia/relatorio_ipea_final.pdf
- ↑ http://www.redbcm.com.br/arquivos/bibliografia/relatorio_ipea_final.pdf
- 1 2 3 4 5 6 Moraes 2003.
- 1 2 3 4 Abreu 2000.
- 1 2 3 4 Castro 2012.
- 1 2 AntonioFilho 2011.
- ↑ Cunha 1902.
- ↑ Rosa 1956.
Bibliografia
- Abreu, Capistrano de (2000). Caminhos antigos e povoamento do Brasil. Rio de Janeiro: Itatiaia
- Cunha, Euclides da (1902). Os Sertões. Rio de Janeiro: Laemmert
- Moraes, Antonio Carlos Robert (2003). Território e história no Brasil. São Paulo: Annablume
- Rosa, João Guimarães (1956). Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro: José Olympio
- Castro, Iná Elias de (2012). Geografia política do Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil

