República Romana

Nome oficial (em moedas):
Roma
após c. 100 a.C:
Senatus Populusque Romanus (SPQR)
("O Senado e o Povo de Roma")

República Romana
509 a.C.  27 a.C.

Bandeira de Roma

Bandeira


Lema nacional
Senatus Populusque Romanus
(O Senado e o Povo de Roma)
Localização de Roma
Localização de Roma
Províncias romanas na véspera do assassinato de Júlio César, 44 a.C.
Continente Eurafrásia
Capital Roma
Língua oficial Latim (oficial),
várias não oficiais foram faladas em certos lugares, incluindo Etrusco, Grego, Hebraico, Aramaico, Siríaco, Gaulês, Púnico, Berbere, Ibérico
Religião Politeísmo romano
Governo República oligárquica
Cônsul
 • De 509 a 508 a.C. Lúcio Júnio Bruto,
Lúcio Tarquínio Colatino
 • De 27 a.C. Otaviano,
Marco Vipsânio Agripa
Legislatura Assembleia legislativa
Período histórico Antiguidade Clássica
  509 a.C.Tarquínio, o Soberbo deposto pelo senado
  27 a.C.Otaviano é proclamado Augusto.
Área
  326 a.C.[1]10 000 km2
  200 a.C.[1]360 000 km2
  146 a.C.[1]800 000 km2
  100 a.C.[1]1 200 000 km2
  50 a.C.[1]1 950 000 km2
Precedido por
Sucedido por
Reino de Roma
Itálicos
Etruscos
Civilização cartaginesa
Reino Ardieu
Celtiberos
Macedônia Antiga
Grécia Antiga
Reino de Pérgamo
Reino da Bitínia
Reino do Ponto
Império Selêucida
Gauleses
Reino Ptolemaico
Império Romano

República Romana (em latim: Res Publica Romana) foi um período da antiga civilização romana onde o governo operou como uma república. Começou com a queda da monarquia, tradicionalmente datada cerca de 509 a.C., e sua substituição pelo governo chefiado por dois cônsules, eleitos anualmente pelos cidadãos e aconselhados pelo senado. Uma complexa constituição gradualmente foi desenvolvida, centrada nos princípios de uma separação dos poderes e de freios e contrapesos. Exceto em tempos de terrível emergência nacional, ofícios públicos foram limitados por um ano, de modo que, em teoria ao menos, nenhum indivíduo exercesse poder absoluto sobre seus concidadãos.

A sociedade era hierárquica. A evolução da constituição da República Romana foi pesadamente influenciada pela luta entre os patrícios, aristocratas proprietários de terra, que traçaram sua ancestralidade no início da história do Reino de Roma, e os plebeus, os cidadãos muito mais numerosos. Com o tempo, as leis que deram aos patrícios direitos exclusivos de acesso aos mais altos ofícios foram revogadas e enfraquecidas, e as principais famílias plebeias tornaram-se membros plenos da aristocracia. Os líderes da república desenvolveram uma forte tradição e moralidade que exigia serviço público e patrocínio na paz e na guerra, tornando os sucessos políticos e militares indissociáveis.

Durante os primeiros dois séculos de sua existência a república expandiu-se através de uma combinação de conquista e aliança, da Itália central para a península Itálica inteira. Pelo século seguinte, incluía o Norte da África, a Península Ibérica, Grécia, e o que é hoje o sul da França. Dois séculos após isso, em direção ao fim do século I a.C., incluía o resto da moderna França, e muito do Mediterrâneo Oriental. Por esta altura, apesar das restrições tradicionais e legais da república contra qualquer aquisição individual de poderes políticos permanentes, a política foi dominada por um pequeno número de líderes romanos, com suas alianças pontuadas por uma série de guerras civis. O vencedor de uma destas guerras civis, Otaviano (mais tarde conhecido como Augusto) reformou a república como um principado, com ele mesmo como o "primeiro cidadão" (príncipe; princeps). O senado continuou a sentar e debater. Magistrados anuais foram eleitos como antes, mas as decisões finais em assuntos de política, guerra, diplomacia e nomeações foram privilégios de Augusto através de seu manejo de um número de separados poderes simultaneamente. Um de seus muitos títulos foi imperator do qual o título "imperador" derivou, e é costumeiramente chamado o primeiro imperador romano.

A República Romana nunca foi restaurada, mas também nunca foi formalmente abolida (o termo res publica continuou a ser usado para referir-se ao aparato do Estado), assim a data exata da transição para o Império Romano é um assunto de interpretação. Historiadores variadamente propuseram a nomeação de Júlio César como ditador perpétuo em 44 a.C., a derrota de Marco Antônio na Batalha de Ácio em 31 a.C., e a concessão de poderes extraordinários para Otaviano sob o primeiro assentamento e sua adoção do título de Augusto em 27 a.C., como o evento que define o fim da república.

História política

Era patrícia (509–367 a.C.)

De acordo com a lenda, Tarquínio, o Soberbo foi derrubado em 509 a.C. por um grupo de nobres liderado por Lúcio Júnio Bruto. Diz-se que Tarquínio fez uma série de tentativas para retomar o trono, incluindo a Conspiração Tarquiniana,[2] a guerra com Veios e Tarquinia[3] e finalmente a guerra entre Roma e Clúsio,[nt 1] todas infrutíferas. A monarquia histórica, como a lenda sugere, foi provavelmente derrubada rapidamente, mas as mudanças constitucionais que ocorreram imediatamente após possivelmente não foram tão extensas como sugerido. A mais importante mudança talvez seja do chefe executivo. Antes, um rei era eleito pelos senadores para um mandato vitalício. Agora, dois cônsules eram eleitos pelos cidadãos para um mandato anual.[5] Cada cônsul verificaria seu colega, e o mandato limitado deles possibilitava que fossem acusados se abusassem dos poderes de seu ofício. Os poderes políticos consulares, quando exercidos conjuntamente, não foram diferentes daqueles do antigo rei.[6]

Em 494 a.C., a cidade estava em guerra com duas tribos vizinhas. Os soldados plebeus recusaram-se a marchar contra o inimigo, e em vez disso se separaram para o monte Aventino. Os plebeus exigiram o direito de eleger seus próprios oficiais. Os patrícios concordaram, e eles retornaram ao campo de batalha.[7] Os plebeus chamaram seus novos oficiais "tribunos da plebe". Os tribunos teriam dois assistentes, chamados "edis da plebe". De 375 a.C. a 371 a.C., a república experimentou uma crise constitucional durante a qual os tribunos da plebe usaram seus votos para impedir a eleição de magistrados seniores. Em 367 a.C., uma lei foi aprovada, na qual exigiu-se a eleição de ao menos um edil plebeu cada ano. Em 443 a.C., o censor foi criado, e em 366 a.C., o pretor. Também em 366 a.C., edil curul foi criado.[8]

Logo após a fundação da república, a assembleia das centúrias tornou-se a principal assembleia legislativa. Nesta assembleia, magistrados foram eleitos, e leis foram aprovadas.[9] Durante o século IV a.C., uma série de reformas ocorreu, especialmente depois das sucessivas secessões da plebe. O resultado delas foi que qualquer lei aprovada pela assembleia da plebe teria toda a força da lei.[10] Isto deu aos tribunos, que presidiam a assembleia da plebe, um caráter positivo pela primeira vez, uma vez que, antes destas leis, o único poder que mantinham foi do veto.[11]

Conflitos das ordens (367–287 a.C.)

Os plebeus viviam uma crise em decorrência do endividamento. De acordo com Tito Lívio, essa crise foi acelerada após o saque de Roma pelos gauleses (ca. 390−387 a.C.). Contínuos protestos eclodiram, dentro os quais o liderado por Marco Mânlio Capitolino que, embora patrício, aliou-se aos plebeus, cujas dívidas ajudou a pagar com sua fortuna. Ao longo do século os distúrbios sociais tornaram-se frequentes e desencadearam desordens, como aquelas de 378 a.C., e a anarquia de 370 a.C. Em decorrência do crescente descontentamento da classe plebeia, uma série de leis foram promulgadas com a finalidade de tratar a situação. A lei Licínia Sêxtia de 367 a.C. serviu para acelerar o pagamento de dívidas e impôs um limite à acumulação de terras públicas (ager publicus) por cada pater familias, bem como o número e ovelhas e gado que podia pastar nelas enquanto outras, promulgadas em 357, 352 e 347 a.C., tentaram reduzir e regularizar os tipos de juros.[12] Pouco depois, em 342 a.C., a lei Genúcia determinou a ilegalidade de empréstimos a juros[13][14] e em 326 a.C., a escravidão por dívidas (nexo), foi suprimida.[12]

Após o edil plebeu ter sido criado, os patrícios criaram o edil curul.[15] Depois do consulado ter sido aberto aos plebeus em 367 a.C., os plebeus foram capazes de manter tanto a ditadura (356 a.C.) como a censura (351 a.C.).[12] Plebiscitos de 342 a.C. colocaram limites nos cargos políticos; um indivíduo podia manter apenas um ofício de cada vez, e dez anos deviam decorrer entre o fim de seu mandato oficial e sua reeleição. Em 337 a.C., o primeiro pretor plebeu foi eleito.[16] Durante estes anos, os tribunos e os senadores ficaram cada vez mais próximos. O senado percebeu a necessidade de usar os oficiais plebeus para atingir seus objetivos.[17] Para conquistar os tribunos, os senadores deram a eles uma grande quantidade de poder e os tribunos começaram a se sentir sujeitados ao senado. Com a aproximação dos senadores e tribunos, os senadores plebeus foram frequentemente capazes de assegurar o tribunato para membros de suas próprias famílias. Com o tempo, o tribunato tornou-se um trampolim para cargos mais altos.[18]

Em meados do século IV a.C., a assembleia da plebe promulgou a lei Ovínia. Durante o início da república, apenas cônsules nomeavam novos senadores. A lei Ovínia, contudo, deu este poder aos censores. Ela também exigiu que o censor nomeasse qualquer magistrado recém-eleito para o senado.[19] Por este momento, os plebeus já estavam mantendo um número significativo de cargos magisteriais. Assim, o número de senadores plebeus provavelmente aumentou rapidamente. Contudo, permaneceu difícil para um plebeu entrar no senado se ele não era de uma família de políticos conhecidos, como a nova aristocracia plebeia emergente.[20] A antiga nobreza existiu pela força da lei, porque apenas patrícios foram autorizados a ficar em altos cargos. A nova nobreza existiu devido à organização da sociedade. Como tal, apenas uma revolução poderia derrubar esta nova estrutura.[21]

Por 287 a.C., a condição econômica do plebeu médio tornou-se miserável. O problema parece ter sido centrado em torno da dívida generalizada. Os plebeus exigiram assistência, mas os senadores se recusaram a deliberar a situação deles. O resultado foi a última secessão plebeia. Os plebeus se separaram para o monte Janículo. Para o fim da secessão, Quinto Hortênsio foi nomeado ditador e uma lei (a lei Hortênsia), que pôs fim à exigência a qual os senadores patrícios deviam concordar antes que qualquer projeto de lei pudesse ser considerado pela assembleia da plebe.[22] Esta não foi a primeira lei a exigir que um ato da assembleia popular tivesse a mesma força da lei. A assembleia popular adquiriu este poder durante uma modificação da original lei Valeriana em 449 a.C..[23] O significado desta lei foi, de fato, que ela roubou dos patrícios a última arma que tinham contra os plebeus e, como resultado, o controle do Estado caiu, não para os ombros dos eleitores, mas para a nova nobreza plebeia.[24] Os plebeus finalmente conseguiram igualdade política com os patrícios. Contudo, a condição da classe plebeia média não mudou. Um pequeno número de famílias plebeias alcançou a mesma posição que as antigas famílias aristocráticas patrícias sempre tiveram, mas os novos aristocratas plebeus tornaram-se desinteressados na condição da classe plebeia média como os antigos aristocratas patrícios tinham sempre feito.[21]

Supremacia da nova nobreza (287−133 a.C.)

A lei Hortênsia foi a solução da última grande questão política desta época. Nenhuma mudança política importante ocorreu entre 287 a.C. e 133 a.C..[25] As importantes leis deste momento foram promulgadas pelo senado.[26] De fato, os plebeus estavam satisfeitos com a posse do poder, mas não se preocuparam em usá-lo. O senado foi supremo durante este momento porque o período foi dominado por questões de política estrangeira e militar.[27] Nas décadas finais desta era, muitos plebeus ficaram mais pobres. As longas campanhas militares forçaram os cidadãos a deixarem suas fazendas para lutar, enquanto suas propriedades caíram em desuso. A aristocracia rural começou a comprar fazendas falidas a preços promocionais. Como os preços das commodities caíram, muitos fazendeiros já não podiam mais operar suas fazendas com lucro.[28] O resultado foi a falência total de muitos agricultores. Massas de plebeus desempregados logo começaram a inundar Roma e, assim, as fileiras das assembleias legislativas. A pobreza deles geralmente levou-os a votar para a candidato que lhes oferecesse mais. Uma nova cultura de dependência estava emergindo, na qual cidadãos olhariam por qualquer líder populista por auxílio.[29]

Dos Gracos a Júlio César (133–49 a.C.)

Os Gracos

Caio Graco, por Pierre-Nicolas Brisset, na Escola Nacional Superior de Belas Artes

Tibério Graco foi eleito tribuno em 133 a.C. Ele tentou aprovar uma lei que limitaria a quantidade de terra que qualquer indivíduo poderia possuir. Os aristocratas, que estavam a perder uma grande quantia em dinheiro, foram opositores ferrenhos a esta proposta. Tibério apresentou esta lei a assembleia popular, mas a lei foi vetada por um tribuno chamado Marco Otávio. Tibério então usou a assembleia popular para contestar Otávio. A ideia que um representante do povo deixaria de sê-lo quando agisse contra os desejos do povo era contra a teoria constitucional romana. Se levada à sua conclusão lógica, esta teoria removeria todas as restrições constitucionais sobre a vontade popular, e colocaria o Estado sob o controle absoluto de uma temporária maioria popular.[30] Sua lei foi promulgada, mas Tibério foi assassinado com 300 de seus associados, quando pôs-se à reeleição para o tribunato.[31]

O irmão de Tibério, Caio Graco, foi eleito tribuno em 123 a.C.. O objetivo de Caio Graco era enfraquecer o senado e fortalecer as forças democráticas.[32] No passado, por exemplo, o senado eliminaria rivais políticos através da criação de comissões judiciais especiais ou por meio de um senatus consultum ultimum ("decreto supremo do senado"). Ambos os dispositivos permitiam ao senado contornar os direitos ordinários devido a direitos processuais que todos os cidadãos tinham. Caio proibiu as comissões judiciais, e declarou o senatus consultum ultimum como inconstitucional. Caio então propôs uma lei que garantia cidadania a aliados italiotas. Esta última proposta não foi popular com os plebeus e ele perdeu muito de seu apoio.[33] Ele candidatou-se a um terceiro mandato em 121 a.C., mas foi derrotado e então morto por representantes do senado com 3 000 de seus partidários no monte Capitolino, em Roma.[31] Embora o senado tenha mantido o controle, os Gracos fortaleceram a influência política dos plebeus.[34]

Populares e optimates

Um denário emitido em 56 a.C. mostrando no anverso o busto da deusa Diana, e no reverso o general Sula a quem está sendo oferecido uma oliveira por seu aliado Boco I com seu cativo Jugurta ajoelhado ao lado de Sula com suas mãos atadas

Em 118 a.C., o rei Micipsa da Numídia morreu. Foi sucedido por dois filhos legítimos, Aderbal e Hiempsal I, e um ilegítimo, Jugurta. Micipsa dividiu seu reino entre seus três filhos. Jugurta, contudo, voltou-se contra seus irmãos, matando Hiempsal I e expulsando Aderbal da Numídia. Aderbal fugiu para Roma em busca de assistência, e inicialmente ela mediou a divisão do país entre os dois irmãos. Posteriormente, Jugurta renovou sua ofensiva, levando-o a uma longa e inconclusiva guerra com os romanos. Ele também subornou vários comandantes romanos, e ao menos dois tribunos, antes e durante a guerra. Seu inimigo, Caio Mário, um legado de uma família provincial virtualmente desconhecida, retornou da guerra na Numídia e foi eleito cônsul em 107 a.C. sobre as objeções dos senadores aristocráticos. Mário invadiu a Numídia e levou a guerra a um rápido fim, capturando Jugurta no processo. A aparente incompetência do senado, e o brilho de Mário, teria sido posto em plena exibição.[35] O partido dos populares aproveitou esta oportunidade, aliando-se com Mário.[36]

Vários anos depois, em 88 a.C., um exército romano foi enviado para acabar com um poder asiático emergente, o rei Mitrídates VI do Ponto. O exército, contudo, foi derrotado. Um dos antigos questores de Mário, Sula, foi eleito cônsul no ano, e foi ordenado pela senado para assumir o comando da guerra contra Mitrídates. Mário, um membro do partido dos populares, fez um tribuno revogar o comando de Sula na guerra contra Mitrídates. Sula, um membro do partido aristocrático (optimates), trouxe seu exército de volta para a Itália e marchou sobre Roma. Ele estava tão nervoso com o tribuno de Mário que aprovou uma lei destinada a enfraquecer permanentemente o tribunato.[37] Ele então retornou para sua guerra contra Mitrídates. Com sua partida, os populares sob Mário e Lúcio Cornélio Cina tomaram controle da cidade.[38]

Sula logo fez paz com Mitrídates. Em 83 a.C., retornou para Roma, superou toda a resistência, e recapturou a cidade. Ele e seus partidários, em seguida, mataram muitos dos partidários de Mário. Sula, tendo observado os resultados violentos das reformas populares radicais, foi naturalmente conservador. Como tal, procurou fortalecer a aristocracia, e por extensão, o senado.[39] Fez-se ditador, aprovou uma série de reformas constitucionais, demitiu-se da ditadura, e serviu um último mandato como cônsul. Morreu em 78 a.C..[38]

Pompeu, Crasso e a conspiração de Catilina

Cícero, busto datado do século I a.C., Museus Capitolinos

Em 77 a.C., o senado enviou um dos antigos tenentes de Sula, Cneu Pompeu Magno, para acabar com uma revolta na Hispânia. Por 71 a.C., Pompeu retornou para Roma após ter completado sua missão. Cerca do mesmo tempo, outro dos antigos tenentes de Sula, Crasso, teve que controlar a revolta de Espártaco e dos gladiadores/escravos na Itália. Após o regresso deles, Pompeu e Crasso encontraram os populares ferozmente atacando a constituição de Sula.[40] Eles tentaram forjar um acordo com os populares. Na condição de desmantelarem os componentes mais abomináveis da constituição, ambos foram eleitos cônsules em 70 a.C..[41]

Cerca de 66 a.C., um movimento para usar meios constitucionais, ou ao menos pacíficos, para resolver a situação de várias classes começou.[42] Após vários fracassos, os líderes do movimento decidiram usar todos os meios que fossem necessários para realizar os objetivos deles. O movimento se uniu sob um aristocrata chamado Lúcio Sérgio Catilina. O movimento estava baseado na cidade de Fésulas, que foi um viveiro natural de agitação agrária.[43] Os descontentes do campo estavam para avançar sobre Roma,[44] e serem auxiliados por um levante dentro da cidade. Após assassinar os cônsules e muitos dos senadores, Catilina seria livre para aprovar suas reformas. A conspiração foi colocada em movimento em 63 a.C. O cônsul do ano, Cícero, interceptou mensagens que Catilina havia enviado numa tentativa de recrutar mais membros. Como resultado, os principais conspiradores em Roma (incluindo ao menos um cônsul anterior) foram executados por autorização (de constitucionalidade duvidosa) do senado, e o levante planejado foi interrompido.[45] Cícero então enviou um exército, que cortou as forças de Catilina em pedaços.[46]

O resultado mais importante da conspiração de Catilina foi que os populares tornaram-se desacreditados. Os 70 anos anteriores testemunharam uma gradual erosão dos poderes senatoriais. A natureza violenta da conspiração, em conjunção com a habilidade do senado em interrompê-la, foi importante para reparar a imagem do senado.[44]

Primeiro Triunvirato

Crasso, busto no Louvre
Pompeu, busto na Gliptoteca Ny Carlsberg

Em 62 a.C., Pompeu retornou vitorioso da Ásia. O senado, eufórico por seus sucessos contra Catilina, recusou-se a ratificar os acordos que ele havia feito. Pompeu, na verdade, tornou-se impotente. Assim, quando Júlio César retornou de seu governo na Hispânia em 61 a.C., ele achou fácil fazer chegar a um entendimento. César e Pompeu, junto com Crasso, estabeleceram um acordo privado, agora conhecido como Primeiro Triunvirato. Sob o acordo, os arranjos de Pompeu seriam ratificados. César seria eleito cônsul em 59 a.C., e então serviria como governador da Gália por cinco anos. A Crasso foi prometido um consulado futuro.[47]

César tornou-se cônsul em 59 a.C. Seu colega no cargo, Marco Calpúrnio Bíbulo, era um aristocrata extremo. César submeteu as leis que ele tinha prometido a Pompeu para as assembleias. Bíbulo tentou obstruir a promulgação destas leis, e assim César usou meios violentos para assegurar a promulgação.[47] César foi então feito governador de três províncias. Ele facilitou a eleição do antigo patrício Públio Clódio Pulcro para o tribunato em 58 a.C. Clódio começou a privar os inimigos senatoriais de César dos dois líderes mais obstinados deles, Catão, o Jovem e Cícero. Clódio foi um opositor de Cícero, pois o último tinha testemunhado contra ele em um caso de sacrilégio. Clódio tentou Cícero a executar cidadãos sem julgamento durante a conspiração de Catilina, resultando em um exílio auto-imposto de Cícero e o incendiamento de sua casa em Roma. Clódio aprovou uma lei que forçou Catão a liderar uma invasão do Chipre que manteria-o fora de Roma por alguns anos. Clódio também aprovou uma lei para expandir o subsídio parcial de grãos aos cidadãos para uma distribuição totalmente livre.[48]

Clódio formou grupos armados que aterrorizaram a cidade e posteriormente começaram a atacar os seguidores de Pompeu, que em resposta fundou grupos de contra-ataque liderados por Tito Ânio Papiano Milão. A aliança política do triunvirato estava desmoronando. Domício Enobarbo correu para o consulado em 55 a.C., prometendo tomar o comando de César. Posteriormente, o triunvirato foi renovado em Luca. A Pompeu e Crasso foi prometido o consulado de 55 a.C., e o mandato de César como governador foi estendido por cinco anos. Crasso liderou uma expedição malfadada com legiões lideradas por seu filho, o tenente de César, contra o Império Parta. Isto resultou em sua derrota e morte na batalha de Carras. Finalmente, a esposa de Pompeu, Júlia, que foi filha de César, morreu no parto. Este evento cortou o último laço remanescente entre Pompeu e César.[49]

Começando no verão de 54 a.C., uma onda de corrupção política e violência varreu Roma.[50] Este caos alcançou um clímax em janeiro de 52 a.C., quando Clódio foi assassinado em batalha por Tito Milão. Em 1 de janeiro de 49 a.C., um agente de César apresentou um ultimato ao senado. O ultimato foi rejeitado, e o senado então passou uma resolução que declarou que se César não entregasse seus exércitos até julho daquele ano, seria considerado um inimigo da república.[51] No meio tempo, os senadores adotaram Pompeu como o nome campeão deles contra César. Em 7 de janeiro de 49 a.C., o senado aprovou um senatus consultum ultimum, que investiu Pompeu com poderes ditatoriais. O exército de Pompeu, contudo, era composto largamente de recrutas não treinados. Em 10 de janeiro, César cruzou o rio Rubicão com seu exército veterano (em violação das leis romanas) e marchou em direção a Roma. O rápido avanço de César forçou Pompeu a fugir para a Grécia. César entrou na cidade sem oposição.[52]

O período de transição (49−29 a.C.)

Ditadura de Júlio César

Júlio César, estátua de bronze em Rimini

Com Pompeu derrotado e a ordem restaurada, Júlio César queria conseguir o controle incontestável sobre o governo. Os poderes que deu a si mesmo foram mais tarde assumidos por seus sucessores imperadores. César manteve a ditadura e o tribunato, e alternou entre o consulado e o proconsulado.[53] Em 48 a.C., César recebeu poderes tribunícios perpétuos. Isto fez sua pessoa sacrossanta, deu a ele o poder do veto no senado, e permitiu-lhe dominar a assembleia popular. Em 46 a.C., recebeu poderes censoriais,[54] que usou para preencher o senado com seus próprios partidários. César então elevou a composição do senado para 900.[55] Isto roubou o prestígio da aristocracia senatorial, e tornou-a cada vez mais subserviente a ele. Enquanto as assembleias continuaram a se encontrar, ele apresentou todos os candidatos para eleição e todas as leis para promulgação. Assim, as assembleias tornaram-se impotentes e foram incapazes de opor-se a ele.[56]

Próximo do fim de sua vida, César começou a se preparar para uma guerra contra o Império Parta. Uma vez que sua ausência em Roma limitaria sua habilidade de instalar seus próprios cônsules, ele aprovou uma lei que o permitiu nomear todos os magistrados em 43 a.C., e todos os cônsules e tribunos em 42 a.C. Isto transformou os magistrados de representantes do povo para representantes do ditador.[55]

César foi assassinado em 15 de março de 44 a.C.. O assassinato foi liderado por Caio Cássio e Marco Bruto. Muitos dos conspiradores foram senadores, que tinham uma variedade de motivações econômicas, políticas e pessoais para realizar o assassinato. Muitos estavam receosos que César logo ressuscitaria a monarquia e declararia a si próprio rei. Outros temiam perda de propriedade e prestígio com César realizando reformas agrárias em favor das classes sem-terra. Virtualmente todos os conspiradores deixaram a cidade após a morte de César com receio de retaliação. A guerra civil que se seguiu destruiu o que havia sido deixado da república.[57] Apesar das facções terem redes de espionagem fortes, isso não ajudou Júlio César a evitar o atentado efetuado pelo senado.[58]

Segundo Triunvirato e ascensão de Otaviano

Augusto de Prima Porta, Museus Vaticanos

Após o assassinato, Marco Antônio formou uma aliança com o filho adotivo e sobrinho-neto de César, Caio Otaviano. Junto com Marco Lépido, formaram uma aliança conhecida como segundo Triunvirato.[59] Mantiveram poderes quase idênticos aos que César havia mantido sob sua constituição. Como tal, o senado e as assembleias permaneceram impotentes, mesmo após César ter sido assassinado. Os conspiradores foram então derrotados na batalha de Filipos em 42 a.C. Posteriormente, contudo, Antônio e Otaviano lutaram um contra o outro numa última batalha. Antônio foi derrotado na batalha de Ácio em 31 a.C., e cometeu suicídio com seu amor, Cleópatra.[60] Em 29 a.C., Otaviano retornou para Roma como um mestre incontestado do império e depois aceitou o título de Augusto - "Exaltado".[61]

Em 27 a.C., após devolver ao senado a autoridade para com as legiões e as províncias,[62] Otaviano recebeu o título de Augusto e príncipe (princeps), ou seja, de primeiro cidadão.[63][64] Mesmo depois de ter recebido várias recusas de outros títulos por parte de Otaviano, conhecido a partir de então como Augusto, tais como o de ditador e o de cônsul vitalício, o senado concedeu-lhe o poder de imperium vitalício. Este último cedia a Augusto o controle sobre todas as legiões existentes na república, elevando-o ao posto de imperador, apesar de as instituições republicanas romanas continuarem existindo.[65]

História militar

Antecedentes

Durante o período real, Roma se caracterizava como uma reduzida povoação cujas relações exteriores limitavam-se a guerras locais e pequenas disputas com seus vizinhos. Nos primeiros anos de sua existência, seu território se estendia por cerca de 7 quilômetros em todas as direções e media por volta de 150 quilômetros quadrados. Porém, ainda durante o período monárquico, seus domínios foram substancialmente expandidos: sob Túlio Hostílio (r. 673–642) Alba Longa foi subjugada e sob Anco Márcio (r. 640–616) as fronteiras foram expandidas em direção a costa.[66] Pelo reinado de Sérvio Túlio (r. 578–535), Roma já havia se tornado a principal cidade do Lácio, econômica e militarmente. Abrangia uma área aproximada de 285 hectares e possuía uma população estimada de 30 000 habitantes. Estima-se que por 500 a.C., já como uma república, teria uma área de 822 quilômetros quadrados sob seu controle. Estudos estatísticos acerca do nível provável de produtividade apontam que tal área poderia abrigar uma população entre 30 000 e 45 000 habitantes, o que confirma as suposições acerca da população durante o reinado de Sérvio Túlio.[67]

República Precoce (509–274 a.C.)

Primeiras campanhas italianas (509−396 a.C.)

Localização dos povos e cidades vizinhas de Roma
Castor e Pólux lutando na batalha do Lago Regilo, ilustração de J.R. Weguelin para o livro Lays of Ancient Rome, de Thomas Macaulay

As primeiras guerras da República Romana foram de expansão e defesa, no sentido de defendê-la de cidades e nações vizinhas e estabelecer seu território na região.[68] Inicialmente, os vizinhos imediatos de Roma foram cidades e vilas latinas,[69] ou mesmo tribos sabinas das colinas Apeninas e além. De acordo com um tratado entre Roma e Cartago datado de 509 a.C. e preservado pelo historiador grego Políbio, nos primeiros anos da república, os romanos não só mantinham várias possessões no Lácio como intercediam pelos latinos. Tudo indica que tal tratado represente uma tentativa do novo regime romano de conseguir ser reconhecido e, ao mesmo tempo, reafirmar a hegemonia romana no Lácio. Porém, os latinos, se aproveitando da temporária fragilidade de Roma, uniram-se em torno de uma renovada Liga Latina, na qual os romanos foram excluídos. Logo isso levaria-os a um conflito que culminou na batalha do Lago Regilo de 499 a.C. ou 496 a.C.,[70][69][71][72] na qual os latinos foram derrotados. Essa vitória resultou no Tratado de Cássio (Foedus Cassianum) de 494/493 a.C., redigido pelo cônsul Espúrio Cássio.[67]

No século V a.C., o Lácio tornou-se alvo de incursões de sabinos, équos e volscos, no contexto da expansão das populações do centro e sul dos Apeninos. Os sabinos, que foram esporadicamente documentados em meados do século V a.C., não foram considerados uma ameaça em potencial, ao contrário dos équos e volscos que viriam, inclusive, a ameaçar Roma como a história romântica de Caio Márcio Coriolano revela. Tais incursões levariam os romanos a realizarem, em 486 a.C., uma aliança tripartite com os latinos e hérnicos.[73] Além disso, confrontaram-se com os invasores na batalha do Monte Álgido em 458 a.C., onde angariaram uma decisiva vitória contra os équos, e na Batalha de Corbião em 446 a.C.,[74][75] onde derrotaram os volscos e os équos;[76] neste mesmo ano, também derrotaram, na batalha de Arícia, uma invasão dos auruncos.[77]

O século V a.C. também presenciou o antagonismo entre romanos e a cidade-estado etrusca de Veios. Veios estava situada ca. 15 quilômetros de Roma, num planalto rochoso, do qual controlava uma área que estendia-se ao longo da margem direita do Tibre até a costa. Tudo indica que o conflito tenha sido gerado pelo interesse de ambas as potências regionais no controle das ribeiras salgadas na desembocadura do rio e as rotas comerciais que dirigiam-se para o interior através do vale do Tibre. Ao longo do século vários conflitos foram relatados, podem dentre eles os mais importantes são a batalha do Crêmera de 477 a.C.,[78][79] na qual os romanos foram derrotados, a conquista de Fidenas em 435 a.C., um entreposto de Veios, e o cerco de Veios de 396 a.C., que terminaria com a conquista e destruição da cidade.[75][79][80][81]

Invasão celta da Itália (390–387 a.C.)

Breno e sua parte dos despojos, por Paul Jamin

Por 390 a.C., várias tribos gaulesas começaram a invadir a Itália pelo norte a medida que a cultura celta expandiu-se pela Europa. Os romanos foram alertados disso quando a tribo particularmente guerreira[82] dos sênones[83] invadiu a cidade etrusca de Clúsio.[84] Clúsio não estava longe da esfera de influência romana e solicitou ajuda. O chamado foi atendido e os exércitos encontraram-se na batalha do Ália[83] ca. 390−387 a.C., em 18 de julho.[85] Os gauleses, sob o chefe deles Breno, derrotou o exército romano de ca. 15 000[82] soldados e começaram a perseguir os sobreviventes em direção a Roma, saqueando-a[86][87] antes de serem expulsos[83][88] ou comprados.[82][84]

Expansão romana na Itália (343–282 a.C.)

Após se recuperarem do saque de Roma, os romanos organizaram, em 378 a.C., a construção de uma grande muralha, da qual ainda há vestígios. Dai, continuaram as investidas contra os volscos e équos, estabeleceram as colônias de Sútrio e Népete (algum momento após a partida dos gauleses), Sátrico (385 a.C.) e Sécia (382 a.C.), concederam a cidadania à Túsculo em 381 a.C., e renovaram seu tratado com os latinos e hérnicos em 358 a.C. Por 354 a.C., os romanos assinaram um novo tratado com os samnitas e em 348 a.C., com Cartago.[89]

Por 343 a.C., o tratado romano-samnita foi rompido e a Primeira Guerra Samnita eclodiu. Travada entre 343−341 a.C., teria sido ocasionada por invasões samnitas em território romano,[90] tendo sido relativamente curta: os romanos derrotaram os samnitas nas batalhas de Monte Gauro, Satícula e Suéssula em 343 a.C., mas foram forçados a se retirarem da guerra quando uma revolta de várias cidades latinas tomou forma.[91][92] Com o fim da guerra, os romanos restabelecerem seu acordo com os samnitas. Em 340 a.C., ambos participaram da Segunda Guerra Latina contra os revoltosos e seus aliados campanienses, sidicinos, volscos e auruncos. Os romanos os superaram na batalha do Vesúvio e novamente na batalha de Trifano, após as quais as cidades latinas foram subjugadas.[93][94] O tratado de paz de 338 a.C. teve como consequência a desintegração da Liga Latina, a submissão dos latinos como aliados independentes e a incorporação dos demais povos envolvidos diretamente ao Estado na condição de comunidades semi-independentes (município).[95]

Território romano em 338 a.C.

A Segunda Guerra Samnita, ocorrida entre 327−304 a.C., foi motivada pelo estabelecimento da colônia romana de Frégelas em 328 a.C.. Os romanos obtiveram um êxito inicial em 326 a.C., quando o governante de Neápolis chamou-os em ajuda depois de repelir os samnitas que haviam capturado a cidade. Após combates inconclusivos, os romanos foram obrigados a se render na Batalha de Forcas Caudinas em 321 a.C.. Uma trégua foi firmada na qual Frégelas foi cedida e as hostilidades foram interrompidas até 316 a.C. Em 316 a.C., o conflito foi retomado com uma invasão samnita no Lácio, e os romanos foram derrotados na batalha de Láutulas em 315 a.C. No ano seguinte, após saquearem o território latino até Árdea, os samnitas foram derrotados e Frégelas foi reconquistada em 313 a.C. Em 305 a.C., os samnitas foram derrotados na batalha de Boviano, o que levou ao fim do conflito. Nos decorreres da Segunda Guerra Samnita, os romanos foram obrigados a travar guerra em duas frentes. Em 311 a.C., uma invasão liderada por cidades da Etrúria e Úmbria foi repelida, com uma expedição punitiva sendo realizada. Em 306 a.C., uma revolta dos hérnicos foi sufocada e a capital deles, Anâgnia, foi incorporada como cidade sem sufrágio. Mais tarde, os romanos conseguiram subjugar os marrucinos, frentanos, marsos e vestinos, que foram convertidos em aliados.[96]

Em 304 a.C., um assédio foi realizado nos territórios dos équos, que foram conquistados e deixaram de existir como povo independente. Em 302 a.C., uma campanha foi realizada no território etrusco. Em 298 a.C., os samnitas ergueram-se novamente e derrotaram os romanos na batalha de Camerino, dando início a Terceira Guerra Samnita. Em 295 a.C., um exército samnita foi enviado ao norte onde uniu forças com tropas etruscas, úmbrias e gaulesas[97] e enfrentou os romanos na batalha de Sentino,[98] porém a coalizão foi decisivamente derrotada. Como consequência da derrota, os romanos invadiram Sâmnio e conseguiram a paz em 290 a.C.. Os samnitas foram submetidos como aliados e perderam sua independência. Neste mesmo ano, o cônsul Mânio Cúrio Dentato subjugou os latinos, que tornaram-se cidadãos sem sufrágio. Ao longo da década seguinte, os romanos alcançaram vitórias contra os gauleses e submeteram etruscos e úmbrios como aliados.[96]

Guerra Pírrica (280−275 a.C.)

Itinerário de Pirro

Por 280 a.C., com sua posição assegurada na Itália Central, Roma passou a envolver-se nos assuntos das cidades-Estado gregas da Magna Grécia, primeiro auxiliando Túrios contra uma investida dos lucanos, e depois protegendo Lócris Epicefíria, Régio e Crotona. A medida que a presença romana tornou-se mais intensa, Taranto resolveu agir, confrontando-os na batalha de Túrios, de 280 a.C., que terminou em uma vitória romana. Como rescaldo do confronto, Taranto solicitou o auxílio do rei Pirro do Epiro, que desembarcou na Itália no mesmo ano com 25 000 homens e 20 elefantes de guerra. No primeiro conflito, a batalha de Heracleia de 280 a.C.,[99] os epirotas conseguiram uma vitória. Depois, Pirro marchou em direção a Roma, porém, nas imediações de Anâgnia, preferiu retroceder em direção a Ásculo,[100] onde uma nova batalha tomou forma e os romanos foram derrotados.[101][102][103]

Mesmo tendo vencido os romanos por duas vezes, as baixas de Pirro foram altas e, para deixar sua posição instável, não conseguiu auxílio de outras cidades-Estado gregas. Em 278 a.C., o exército epirota invadiu a Sicília, onde os gregos solicitaram a ajuda de Pirro contra Cartago.[104] Após poucos ganhos, retornou para a Itália em 275 a.C., onde confrontou-se novamente com os romanos na batalha de Malevento,[nt 2][103] onde sofreu uma derrota que o levou a abandonar a península. Com a partida de Pirro, os romanos investiram contra a Magna Grécia.[105] Tarento foi sitiada e tomada em 272 a.C..[100]

República Média (274−146 a.C.)

Guerras Púnicas (264−146 a.C.)

Primeira e Segunda Guerras Púnicas

A expansão fora do território da península Itálica teve início com as Guerras Púnicas contra Cartago, cidade-Estado fenícia localizada no Norte da África, que por volta do século III a.C. dominava o comércio do Mediterrâneo. A partir deste momento, começa a fase verdadeiramente histórica de Roma, cujos acontecimentos possuem registros documentados pelo historiador grego Políbio, que conviveu com os protagonistas romanos do conflito.[106] A Primeira Guerra Púnica começou em 264 a.C., quando assentamentos na Sicília começaram a apelar aos dois poderes - Roma e Cartago - de modo a resolver conflitos internos.[107] A guerra se iniciou com batalhas campais na Sicília, mas o teatro mudou para batalhas navais em torno da Sicília e África. Antes da Primeira Guerra Púnica, os romanos não possuíam uma marinha. A nova guerra na Sicília contra Cartago, um grande poder naval,[108] forçou Roma a rapidamente construir uma frota e treinar marinheiros.[109]

As primeiras batalhas navais foram desastres catastróficos para Roma. Contudo, após treinar mais marinheiros e investir em mecanismos de arpéu,[110] uma frota cartaginesa foi derrotada, e mais vitórias se seguiram.[111] Os cartagineses então contrataram Xantipo, um general mercenário espartano, para reorganizar e liderar o exército deles.[112] Ele conseguiu cortar o exército romano de sua base e restabelecer a supremacia naval cartaginesa. Com suas capacidades navais recém-descobertas, os romanos então confrontaram os cartagineses numa nova batalha, a batalha das Ilhas Égadas de 241 a.C., que foram derrotados. Privada de sua marinha, e sem fundos para criar outra, Cartago pediu a paz.[113] Com a derrota cartaginesa, Roma tornou-se senhora da Sicília. Pouco depois, fragilizada, Cartago ingressaria numa guerra contra seus mercenários, que rebelaram-se. Aproveitando-se dessa instabilidade, os romanos invadiram a Córsega e a Sardenha e conquistaram ambas. Após consolidarem sua posição nas recém-conquistadas possessões mediterrâneas, os romanos marcharam ao norte da Itália, onde os gauleses voltaram a trazer problemas. Nos anos que se seguiram, expandiram seus domínios em direção ao vale do Pó, chegando a conquistarem, em 222 a.C., Mediolano, e a começaram a integração da Gália Cisalpina à Itália romana.[114]

"Portanto, creio que Cartago deve ser destruída", frase atribuída a Catão, o Velho[nt 3]

A contínua desconfiança entre Roma e Cartago levou a novas hostilidades na Segunda Guerra Púnica, quando Aníbal, um membro da família bárcida da nobreza cartaginesa, atacou Sagunto,[115][116] uma cidade com laços diplomáticos com Roma.[117] Aníbal então preparou um exército na Ibéria e, em 218 a.C., atravessou os Alpes italianos com elefantes para invadir a Itália.[118][119] Auxiliado por tropas gaulesas, conseguiu derrotar no mesmo ano os romanos em duas batalhas e avançar pela península. Prosseguindo em sua marcha, confrontou-se com os romanos nos anos posteriores, uma delas em Canas, uma das maiores derrotas da história romana.[119] Depois de Canas, Aníbal obteve novas vitórias e adquiriu territórios no sul da Itália, bem como conseguiu a lealdade de várias povoações em Cápua e Apúlia. Além disso, conseguiu forjar alianças com ex-aliados romanos, dentre eles Tarento, por 212 a.C., assim como com o rei de Siracusa e Filipe V da Macedônia.[120] Embora tendo firmado várias alianças com os poderes italianos, a situação de Aníbal começou a esfacelar-se nos anos seguintes, em especial pela mudança da tática romana, que privilegiou, ao invés de batalhas abertas, o combate numa guerra de exaustão. Com isso, os romanos, não só passaram a gradualmente retomar os territórios perdidos, como chegaram a saquear Siracusa em 211 a.C., esmagaram uma revolta geral na Sicília e impediram o avanço cartaginês na Ibéria mediante uma série de expedições. Além disso, conseguiram destruir completamente o exército cartaginês que havia invadido a Itália pelos Alpes sob Asdrúbal.[118] Por 204 a.C., por ainda não serem capazes de expulsar Aníbal da Itália, os romanos lançaram uma expedição na África, com intuito de atacar Cartago. Após derrotarem um exército cartaginês, Aníbal se viu forçado a retornar para a África onde confrontou-os na batalha de Zama de 203 a.C., que terminou numa decisiva vitória romana. Isso levou Cartago a pedir a paz.[120]

Cartago nunca conseguiu se recuperar após a Segunda Guerra Púnica[121] e a Terceira Guerra Púnica que se seguiu foi na verdade uma simples missão punitiva para arrasar Cartago.[122] Cartago estava quase indefesa e quando sitiada ofereceu rendição imediata, acatando uma série de exigências romanas.[123] Os romanos recusaram a rendição, exigindo como termos complementares à rendição a destruição completa da cidade e, vendo pouco a perder,[124] os cartagineses se prepararam para lutar.[123] Na batalha de Cartago de 146 a.C., a cidade foi invadida após um curto cerco e completamente destruída.[125]

Macedônia, pólis gregas e Ilíria (229−146 a.C.)

Grécia ca. 200 a.C.

Em 229 a.C., em decorrência da pirataria praticada pelos ilírios no Adriático, os romanos lançaram uma expedição à Ilíria contra a rainha Teuta. A esta se seguiram duas guerras, a primeira entre 229−228 a.C., e a segunda entre 221−219 a.C., que tiveram como resultado a humilhação dos ilírios e a conquista romana de diversas cidades gregas da costa.[126] Estes eventos preocuparam Filipe V da Macedônia que em 215 a.C. aliou-se com Aníbal.[127][128] Em resposta, os romanos aliaram-se com a Liga Etólia e deram início a Primeira Guerra Macedônica (215−205 a.C.). Por ainda estarem ocupados com Aníbal na Itália, pouco fizeram neste conflito que foi marcado por operações limitadas, essencialmente lideradas pelos gregos. Temendo serem derrotados pelo número reduzido de efetivos disponível, optaram pela paz em 205 a.C..[126]

A Macedônia começou a invadir o território reivindicado pelas cidades-Estado gregas em 200 a.C. e estes estados pediram ajuda a Roma. Ela deu a Filipe um ultimato para que ele submetesse várias porções da Grande Macedônia e desistisse de seus projetos na Grécia. Ele recusou, e os romanos declararam guerra, dando início a Segunda Guerra Macedônica.[129] Finalmente, em 197 a.C., Filipe foi decisivamente derrotado na batalha de Cinoscéfalos[130] e forçado a aceitar um tratado favorável. Nos anos subsequentes, os romanos entrariam em guerra contra Esparta,[131] a Liga Etólia,[132] os istrianos,[133] os ilírios[134] e a Liga Aqueia.[135] Roma então voltou sua atenção para um dos reinos gregos, o Império Selêucida, no Oriente. Uma força romana derrotou os selêucidas na batalha das Termópilas e forçou-os a evacuar a Grécia. Os romanos então perseguiram-nos além da Grécia, derrotando-os decisivamente na batalha de Magnésia.[136][137]

Em 179 a.C., Filipe morreu[138] e seu filho, Perseu, tomou o trono e mostrou um interesse renovado na Grécia.[139] Roma declarou guerra à Macedônia novamente, dando início a Terceira Guerra Macedônica. Perseu inicialmente teve alguns sucessos, contudo, os romanos responderam enviando outro exército forte. O segundo exército consular decisivamente derrotou os macedônios na batalha de Pidna em 168 a.C.,[138][140] fazendo-os capitular, o que concluiu a guerra.[141] O Reino da Macedônia foi dividido em quatro repúblicas clientes.[142] A Quarta Guerra Macedônica, travada entre 150−148 a.C., teve como justificativa a luta contra o pretendente ao trono macedônica e a tentativa de restabelecer o antigo reino. Os macedônios foram rapidamente derrotados na segunda batalha de Pidna. A Liga Aqueia escolheu este momento para se rebelar contra o domínio romano, mas foi derrotada.[143] Corinto foi sitiada e destruída em 146 a.C., o mesmo ano da destruição de Cartago, o que levou a rendição da liga.[144][145]

Expansão na Gália e Hispânia (204−133 a.C.)

Representação simplificada da conquista da Hispânia

Após a derrota dos cartagineses durante a Segunda Guerra Púnica, os romanos puderam retomar sua expansão pela Gália Cisalpina. Por 203 a.C., sistematicamente conquistaram a região, dominando as tribos locais, reforçando suas antigas possessões e estabelecendo colônias latinas. Em 187 a.C., construíram a via Emília, que acabou dando seu nome a região. Por 178−177 a.C., lançaram uma expedição contra a Ístria e em 175 a.C., marcharam contra as tribos da Ligúria e do norte dos Apeninos.[146]

Concomitante à expansão na Gália, os romanos empreenderam a gradual conquista da Hispânia. Com base nas províncias da Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior, ambas criadas nos ex-territórios cartagineses, expedições foram lançadas em direção ao interior. Em 197 a.C., uma revolta eclodiu na Hispânia Ulterior e que em pouco tempo espalhou-se para o território das tribos interioranas. Uma guerra eclodiu e ela só seria concluída por 179 a.C., quando Tibério Semprônio Graco pacificou a província e chegou a um acordo com os celtiberos. Mais tarde, entre 154−138 a.C., os romanos ingressaram na Guerra Lusitana contra Viriato e as tribos lusitanas, que se concluiu com o assassinato de Viriato por 3 companheiros dele;[147] paralelo à guerra com Viriato, Roma enfrentou outra guerra, entre 153−151 a.C., contra os celtiberos. Por 143 a.C., uma rebelião liderada pelos celtiberos eclodiu e uma nova guerra se iniciou. Esta, concluída em 133 a.C., teve como momento decisivo a destruição romana da cidade de Numância.[146]

República Tardia (146−27 a.C.)

Inquietação interna (135−71 a.C.)

Entre 135−71 a.C., houve três revoltas contra o Estado romano, conhecidas como Guerras Servis, a última das quais com possível envolvimento de 120 000[148] a 150 000[149] escravos. Além disso, em 91 a.C., a Guerra Social eclodiu entre Roma e seus antigos aliados na Itália, coletivamente conhecidos como sócios (em latim: socii), sob a queixa de que compartilharam os riscos das campanhas militares,[150][151] mas não suas recompensas.[152][153] Apesar de algumas derrotas como aquela na batalha do Lago Fucino, as tropas romanas derrotaram as milícias itálicas em combates decisivos, notadamente a batalha de Ásculo. Embora perderam militarmente, os sócios conseguiram seus objetivos com as proclamações da Lei Júlia e da Lei Pláucia Papíria, que garantiram a cidadania romana a mais de 500 000 itálicos.[154] A inquietação interna alcançou seu estágio mais sério nas duas guerras civis ou marchas sobre Roma lideradas pelo cônsul Sula no começo de 82 a.C.. Na batalha da Porta Colina, às portas de Roma, um exército comandado por Sula superou um exército do senado romano e seus aliados samnitas.[155]

Ameaça celta (121 a.C.) e germânica (113−101 a.C.)

Rota das invasões dos cimbros e teutões

Por 125 a.C., os romanos começaram a conquista da posterior província da Gália Narbonense. Nesse processo entraram em contato com duas tribos gaulesas, os alóbroges e arvernos que os ameaçaram em 121 a.C.. Após duas batalhas bem-sucedidas, os gauleses foram derrotados.[156] Mais tarde, em 113 a.C., com a consolidação da recém-adquirida província, os romanos tiveram de enfrentar uma invasão de cimbros e teutões.[157] Ao longo dos anos de conflito, os romanos foram derrotados um par de vezes pelos invasores, notadamente nas batalhas de Noreia de 112 a.C. e Aráusio de 105 a.C., porém prevalecerem, em especial com as vitórias nas batalhas de Águas Sêxtias (102 a.C.) e Vercelas (101 a.C.).[158]

Guerra Jugurtina (112−105 a.C.)

Roma tinha, no começo das Guerras Púnicas, adquirido grandes extensões do território na África, que foram consolidados nos séculos seguintes.[159] Muitos destes territórios foram concedidos ao Reino da Numídia, um Estado na costa norte africana aproximadamente na moderna Argélia, em troca da assistência militar prestada no passado.[160] A Guerra Jugurtina de 111−104 a.C. foi travada entre Roma e Jugurta da Numídia e constituiu a pacificação romana final do Norte da África,[161] após a qual Roma cessou a expansão no continente após alcançar as barreiras naturais do deserto e montanhas. Em resposta a usurpação do trono númida por Jugurta,[162] um aliado romano desde as Guerras Púnicas,[163] Roma interveio. Jugurta descaradamente subornou os romanos a aceitarem sua usurpação,[164][165][166] e a ele foi concedido metade do reino. Após novas agressões e novas tentativas de suborno, os romanos enviaram um exército para depô-lo. Os romanos foram derrotados na batalha de Sutul,[167] mas se saíram melhor na batalha de Mutul,[168] e finalmente derrotaram Jugurta nas batalhas de Tala,[169][170] Mulucha[171] e Cirta.[172] Jugurta foi capturado não em batalha mas por traição,[173][174] o que terminou a guerra.[175]

Conflitos com Mitrídates (89−63 a.C.) e os piratas cilicianos (67 a.C.)

Tetradracma com efígie de Mitrídates VI

Mitrídates VI foi o governante do Reino do Ponto, um grande Estado na Ásia Menor, entre 120−63 a.C.. Mitrídates antagonizou Roma na busca pela expansão de seu reino, e os romanos pareciam igualmente ansiosos pela guerra e os despojos e prestígio que podiam trazer.[176][177] Após conquistar a Anatólia ocidental, segundo as fontes romanas, Mitrídates ordenou a execução de ca. 80 000 romanos que viviam em seu reino.[178] O massacre teria sido a razão oficial dada para o início das hostilidades na Primeira Guerra Mitridática. Por 86 a.C., o general romano Sula forçou Mitrídates a abandonar a Grécia após uma vitória em Queroneia. Em decorrências de distúrbios políticos na Itália, e a necessidade de abandonar o fronte, Sula entrou em negociações e conseguiu a paz por 85 a.C..[38] A Segunda Guerra Mitridática começou quando Roma tentou anexar o Reino da Bitínia como uma província. Na Terceira Guerra Mitridática, primeiro Lúcio Licínio Lúculo e então Pompeu, o Grande foram enviados contra Mitrídates.[179] Ele foi finalmente derrotado por Pompeu na noturna batalha do Lico.[180] Após derrotá-lo, Pompeu conquistou a maior parte da Anatólia e toda a Síria, tomou Jerusalém[46] e invadiu o Cáucaso, subjugando o Reino da Ibéria e estabelecendo o controle romano sobre a Cólquida.[181][182] Além disso, rodeou o território das províncias recém-conquistadas com Estados vassalos, dentre eles o Reino da Capadócia.[46]

O Mediterrâneo tinha neste tempo caído nas mãos dos piratas, principalmente da Cilícia. Os piratas não só estrangularam rotas de navegação, mas também saquearam muitas cidades na costa da Grécia e Ásia.[183] Pompeu foi nomeado como comandante de uma força naval para fazer campanha contra eles.[179] Em três meses, Pompeu conseguiu limpar as costas dos piratas.[46]

Campanhas iniciais de César (59−50 a.C.)

Campanhas de César na Gália

Durante seu mandato como pretor na Hispânia, Júlio César derrotou os galaicos e lusitanos em batalha.[184] Após um mandato consular, foi então nomeado para um mandato de cinco anos como governador proconsular da Gália Transalpina e Ilíria (costa da Dalmácia).[185] Nesta posição, procurou maneiras de convencer os romanos a acatar uma invasão à Gália, evocando a saque gaulês de Roma e as invasões dos cimbros e teutões.[186] Quando os helvécios e tigurinos[187] começaram a migrar em direção às áreas próximas[188] à Gália Transalpina, César teve sua desculpa para dar início a suas guerras da Gália, travadas entre 58−51 a.C..[189] Após abater os helvécios,[190] César prosseguiu uma "longa, árdua e custosa"[191] campanha contra outras tribos em toda a amplitude da Gália, muitas das quais haviam lutado ao lado de Roma contra os helvécios,[188] e anexou seus territórios para os de Roma. Plutarco afirma que a campanha custou um milhão de vidas gaulesas.[192] Embora "ferozes e capazes", os gauleses foram prejudicados pela desunião interna e caíram em uma série de batalhas ao longo da década.[191][193]

César derrotou os helvécios em 58 a.C. na batalha do Arar e na batalha de Bibracte,[194] a confederação belga na batalha do Áxona,[195] os nérvios em 57 a.C. na Batalha do Sábis,[196] os aquitanos, tréviros, tencteros, éduos e eburões em batalhas desconhecidas, e os vênetos em 56 a.C.. Em 55−54 a.C., fez duas expedições na Britânia.[190][197] Em 52 a.C., após o cerco de Avárico e uma série de batalhas inconclusivas,[198] César derrotou uma união de gauleses liderada por Vercingetórix[199] na batalha de Alésia,[200] completando a conquista romana da Gália Transalpina.[201] Por 50 a.C., a Gália inteira caiu em mãos romanas. César registrou seus próprios relatos destas campanhas nos Comentários sobre a Guerra Gálica.[202]

Triunviratos e ascensão de Augusto (59−30 a.C.)

A Batalha de Ácio (1672), por Lorenzo A. Castro, Museu Marítimo Nacional
A morte de Cleópatra, (1892), por Reginald Arthur, Roy Miles Gallery

Por 59 a.C., uma aliança política informal conhecida como Primeiro Triunvirato foi formada entre Júlio César, Crasso e Cneu Pompeu Magno para compartilhar o poder e influência.[203] Em 53 a.C., Crasso lançou uma invasão romana ao Império Parta. Após sucessos iniciais,[204] ele marchou seu exército fundo no deserto onde foi emboscado e derrotado[190] na batalha de Carras,[205][206] a "maior derrota romana desde Aníbal",[207] na qual o próprio Crasso pereceu.[208] Após a morte de Crasso, as relações entre Pompeu e César gradualmente se deterioraram a ponto de ambos entrarem em conflito. Em 51 a.C., alguns senadores romanos exigiram que César devolvesse o controle de suas legiões ao Estado em troca de seu ofício de cônsul. Não acatando o comando,[209][210] invadiu a Itália, forçando Pompeu, que havia se comprometido a derrotá-lo em batalha, e o senado a fugirem para a Grécia.[211][212]

Antes de dirigir-se para a Grécia, César enviou parte de seu exército para combater os partidários de Pompeu na Hispânia e Gália. Após obter vitórias em Ilerda e em Massília, César marchou contra Pompeu.[213] O primeiro embate, a batalha de Dirráquio de 48 a.C., terminou com uma vitória pompeana,[214] porém esta foi seguida por uma esmagadora vitória cesariana na batalha de Farsalos,[215][216] o que forçou Pompeu a fugir, desta vez para o Egito, onde foi assassinado.[217][218] No final de 47 a.C. uma nova batalha foi travada, em Tapso, onde os partidários de Pompeu fizeram sua base após derrotarem os lugares-tenente de César em 49 a.C.. Eles foram derrotados e os sobreviventes, dentre eles Sexto Pompeu e Pompeu, o Jovem, os filhos de Pompeu, fugiram para a Hispânia. Lá, em 46 a.C., uma nova batalha, a de Munda, foi travada e as tropas cesarianas venceram novamente, o que pôs um fim temporário a guerra.[52]

Após o assassinato de César em 44 a.C., novas disputas pelo poder tomaram forma, desta vez entre os liberatores, grupo de senadores que esteve envolvido no assassinato, e os cesarianos. Marco Antônio, um dos principais partidários de César, ao condenar o assassinato, foi considerado como inimigo público da república e foi derrotado em duas batalhas (Fórum dos Galos e Mutina). Após tais eventos, Otaviano, jovem adotado por César e então seu herdeiro, Marco Antônio e Lépido, na intenção de unirem-se contra o senado e os liberatores, formaram o Segundo Triunvirato. A esta aliança se seguiu um expurgo realizado entre os senadores e cavaleiros e por 42 a.C., Otaviano e Marco Antônio perseguiram Marco Bruto e Caio Cássio no Oriente e os derrotaram na batalha de Filipos.[219]

Com o fim das disputas com os liberatores, e a posterior divisão dos domínios romanos entre os membros do triunvirato, conflitos eclodiram entre os triúnviros. O primeiro deles deveu-se a uma disputa entre Otaviano e Lúcio Antônio, irmão de Marco Antônio, e terminou com o cerco de Lúcio em Perúsia por 40 a.C. e um quase confronto entre os triúnviros. Ao longo da década seguinte, cessaram-se os conflitos internos e outros assuntos entraram em pauta: Marco Antônio fez campanha contra os partas, mas acabou sendo derrotado em 36 a.C., e saqueou o território armênio em 34 a.C.; Otaviano combateu Sexto Pompeu, que havia se instalado na Sicília, em 36 a.C., e fez campanha na Ilíria (35−33 a.C.). A partir de então, contudo, Otaviano voltou sua atenção para a consolidação de sua posição na Itália e para tal iniciou uma guerra propagandista contra Marco Antônio, alegando que seu relacionamento com Cleópatra poderia trazer prejuízos à república. Por 32 a.C., as cidades da Itália juraram lealdade a Otaviano solicitaram uma campanha contra Marco Antônio. Essa campanha, iniciada pouco depois, culminaria numa vitória total de Otaviano na batalha de Ácio em 31 a.C.. Marco Antônio e sua amada Cleópatra fugiram para Alexandria e se suicidaram.[64]

Religião

O Templo de Portuno, deus do armazenamento de grãos, chaves, gado e portos.[220] Roma, construído entre 120 e 80 a.C.
O túmulo dos Flávios (Flavii), uma necrópole fora do portão Nuceriano (Porta Nocera) de Pompeia, Itália, construído entre 50 e 30 a.C.

As práticas religiosas da Roma republicana remontam à história quase mítica de Roma.[221][222] Rômulo, um filho de Marte, fundou Roma depois que Júpiter lhe concedeu sinais favoráveis de pássaros em relação ao local.[223] Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, estabeleceu suas instituições religiosas e políticas básicas após instruções diretas dos deuses, dadas por meio de augúrios, sonhos e oráculos. Cada rei subsequente foi creditado com alguma forma de inovação, adaptação ou reforma aprovada divinamente.[a] Uma fonte da era imperial afirma que o primeiro cônsul da República, Bruto, efetivamente aboliu o sacrifício humano à deusa Mânia (Mãe dos Lares), instituído pelo último rei, Tarquínio.[b]

Os romanos reconheciam a existência de inúmeras divindades que controlavam o mundo natural e os assuntos humanos. O bem-estar do estado romano dependia de suas divindades estatais, cujas opiniões e vontades podiam ser discernidas por sacerdotes e magistrados, treinados em augúrios, aruspício, oráculos e na interpretação de presságios. Acreditava-se que os deuses comunicavam sua ira (ira deorum) por meio de prodígios (fenômenos não naturais ou aberrantes).

Indivíduos, ocupações e locais tinham sua própria divindade tutelar protetora, ou várias. Cada uma estava associada a uma forma particular e altamente prescritiva de oração e sacrifício. A piedade (pietas) era a execução correta, zelosa e oportuna de tais ações. Acreditava-se que o bem-estar de cada família romana dependia do culto diário aos seus Lares e Penates (divindades ou espíritos guardiões), aos ancestrais e à essência geradora divina encarnada em seu pater familias. Uma família que negligenciasse suas responsabilidades religiosas não poderia esperar prosperar.[224]

As autoridades religiosas romanas não se preocupavam com crenças pessoais ou cultos financiados de forma privada, a menos que ofendessem as leis naturais ou divinas, ou minassem o mos maiorum (grosseiramente, "o caminho dos ancestrais"); a relação entre deuses e mortais deveria ser sóbria, contratual e de benefício mútuo. A humilhação indigna, o entusiasmo excessivo (superstitio) e as práticas secretas eram consideradas próprias de "mentes fracas" e moralmente suspeitas.[225] As práticas mágicas eram oficialmente banidas como tentativas de subverter a vontade dos deuses para ganho pessoal, mas provavelmente eram comuns entre todas as classes. Organizações de culto privado que pareciam ameaçar a hierarquia política e sacerdotal de Roma eram investigadas pelo Senado, com aconselhamento dos colégios sacerdotais. A supressão religiosa mais notável da República foi a da Bacanália, um culto difundido, não oficial e entusiástico ao deus grego do vinho Baco. A organização do culto foi ferozmente suprimida, e sua divindade foi absorvida pelo culto oficial ao próprio deus do vinho de Roma, Líber.[226] O reconhecimento oficial, a adoção e a supervisão de divindades e práticas estrangeiras foram uma importante característica unitária na expansão territorial e na dominação de Roma desde os tempos dos reis.[221][222]

Sacerdócios

Com a abolição da monarquia, alguns dos seus deveres sagrados foram compartilhados pelos cônsules, enquanto outros passaram para um "rei das coisas sagradas" republicano , um "rei" patrício, eleito de forma vitalícia, com grande prestígio, mas sem poderes executivos ou reais.[227] Roma não tinha uma classe ou casta especificamente sacerdotal. Como o pater familias de cada família era responsável pelas atividades de culto de sua família, ele era efetivamente o sacerdote sênior de sua própria casa. No início da República, os patrícios, como "pais" do povo romano, reivindicavam o direito de antiguidade para liderar e controlar a relação do estado com o divino. Famílias patrícias, em particular as gentes Cornelia, Postumia e Valeria, monopolizaram os principais sacerdócios estatais. O patrício flâmine dial empregava os "auspícios maiores" (auspicia maiora) para consultar Júpiter sobre assuntos significativos de estado.

Doze "flâmines menores" (Flamines minores) estavam abertos aos plebeus ou eram reservados a eles. Eles incluíam um flâmine cereal a serviço de Ceres, deusa dos grãos e do crescimento, e protetora das leis e dos tribunos da plebe.[228] Os sacerdócios dos festivais de rua locais, urbanos e rústicos, da Compitália, dedicados aos lares das comunidades locais, eram abertos a libertos e escravos.[229].

Denário de Lúcio Césio, 112–111 a.C. No anverso está Apolo, conforme escrito no monograma atrás de sua cabeça, que também usa os atributos de Vejóvis, uma divindade obscura. A imagem retrata um grupo de estátuas representando os Lares Praestites, que foram descritos por Ovídio.[230][231]

A Lex Ogulnia (300 a.C.) deu a patrícios e plebeus uma representação mais ou menos igualitária nos colégios augurais e pontifícios;[232] outros sacerdócios importantes, como os Quindecênviros (Quindecimviri, "Os Quinze"), e os epulões (epulones)[c] foram abertos a qualquer membro da classe senatorial.[233] Para restringir o acúmulo e o potencial abuso de poderes sacerdotais, foi permitido a cada gens ter um sacerdócio por vez, e os censores monitoravam as atividades religiosas dos senadores.[233] Os magistrados que detinham um augurato podiam reivindicar autoridade divina para sua posição e políticas.[234] No final da República, os augúrios passaram para o controle dos pontífices (pontifices), cujos poderes estavam cada vez mais entrelaçados no cursus honorum civil e militar. Eventualmente, o cargo de pontífice máximo tornou-se uma prerrogativa consular de facto.[235]

Alguns cultos podem ter sido exclusivamente femininos; por exemplo, os ritos da Boa Deusa (Bona Dea). No final da Segunda Guerra Púnica, Roma recompensou as sacerdotisas de Deméter da Magna Grécia (Graeca Magna) com a cidadania romana por treinarem matronas respeitáveis e proeminentes como sacerdotisas (sacerdotes) de "ritos gregos" para Ceres.[236] Toda matrona de uma família (a esposa do seu pater familias) tinha o dever religioso de manter o fogo da casa, que era considerado uma extensão do fogo sagrado de Vesta, cuidado perpetuamente pelas castas Virgens Vestais. As Vestais também faziam a mola salsa sacrifical empregada em muitos rituais do Estado, e representam um elo essencial entre a religião doméstica e a do Estado. Acreditava-se que a sobrevivência de Roma dependia do seu status sagrado e pureza ritual.[237]

Templos e festivais

Interior do "Templo de Mercúrio" em Baias, uma piscina (natatio) para as termas romanas, construída durante o final da República Romana,[238] e contendo uma das maiores cúpulas do mundo antes da construção do Panteão.

Os principais templos públicos de Roma ficavam dentro do limite sagrado e augural da cidade (pomério), que supostamente havia sido demarcado por Rômulo, com a aprovação de Júpiter. O Templo de Júpiter Ótimo Máximo ("Júpiter, o Melhor e o Maior") ficava no Monte Capitolino. Entre as áreas colonizadas fora do pomério estava o vizinho Monte Aventino. Ele era tradicionalmente associado ao infeliz gêmeo de Rômulo, Remo, e, na história posterior, aos latinos e à plebe (plebs) romana. O Aventino parece ter funcionado como um local para a introdução de divindades "estrangeiras".[228] Em 392 a.C., Camilo estabeleceu um templo ali para Juno Regina, a deusa protetora da cidade etrusca de Veios. Introduções posteriores incluem Sumano, c.278 a.C., Vertumno c.264 a.C., e em algum momento antes do final do século III a.C., Minerva.[239][d] Enquanto o templo de Ceres no Aventino foi muito provavelmente construído às custas dos patrícios, para apaziguar a plebe, os patrícios trouxeram a Magna Mater ("Grande Mãe dos Deuses") para Roma como sua própria deusa ancestral "troiana" e a instalaram no Palatino.[240]

Dizia-se que Rômulo havia armado sua tenda augural no topo do Palatino. Abaixo de suas encostas do sul corria a Via Sacra, próxima ao antigo palácio dos reis (Régia), à Casa das Vestais e ao Templo de Vesta. Perto dali ficavam o santuário Lupercal e a caverna onde se dizia que Rômulo e Remo haviam sido amamentados pela loba. Na área plana entre o Aventino e o Palatino estava o Circo Máximo, que sediava corridas de bigas e jogos religiosos. Seus vários santuários e templos incluíam aqueles dedicados ao deus sol indígena de Roma, Sol, à deusa da lua Luna, ao deus do armazenamento de grãos, Conso, e à obscura deusa Múrcia.

Enquanto os romanos marcavam a passagem dos anos com os nomes de seus cônsules governantes, seus calendários marcavam os aniversários de fundações religiosas dedicadas a divindades particulares, os dias em que os negócios oficiais eram permitidos (fas) e aqueles em que não eram (nefas). Os romanos observavam uma semana de oito dias (o ciclo nundinal); os tribunais de justiça ficavam fechados e os mercados eram realizados no nono dia. Cada mês era presidido por uma divindade específica, geralmente uma divindade maior. Os calendários mais antigos eram lunares.

No âmbito militar

Denário de César, cunhado pouco antes de seu assassinato, em 44 a.C. Foi a primeira moeda romana ostentando o retrato de uma pessoa viva.[241]

Antes de qualquer campanha ou batalha, os comandantes romanos tiravam auspícios ou consultavam os arúspices para buscar a opinião dos deuses sobre o provável desfecho. O sucesso militar era alcançado por meio de uma combinação de virtus (grosseiramente, "virtude viril") pessoal e coletiva e da vontade divina. Os generais que celebravam o triunfo vestiam-se como Júpiter Capitolino e depositavam seus louros de vencedor aos pés dele. A negligência religiosa, ou a falta de virtus, provocava a ira divina e levava ao desastre militar.[242][243] Os juramentos militares dedicavam a vida de quem os prestava aos deuses e ao povo de Roma; esperava-se que os soldados derrotados tirassem suas próprias vidas, em vez de sobreviverem como cativos. Exemplos de devotio, como os realizados pelos Décio Mure (Decii Mures), nos quais os soldados ofereciam e davam suas vidas aos Di inferi (deuses do submundo) em troca da vitória romana, eram celebrados como o bem supremo.

Povo e economia

Ruínas da Aqua Anio Vetus, um aqueduto romano construído em 272 a.C.

A economia da República Romana era predominantemente agrária,[244] mas também altamente complexa. À medida que os romanos continuaram a conquistar a bacia do Mediterrâneo, ela se tornou totalmente integrada com a economia mediterrânea mais ampla, um processo que foi concluído durante o século I a.C.[245] A população da república expandiu-se consideravelmente durante os séculos de sua existência; de fato, a vastidão da população de cidadãos romanos era parte de como ela era capaz de mobilizar um poder militar tão expansivo.[246]

A produção agrícola durante a república era altamente regional. As evidências literárias de escritores da antiga elite eram altamente simplificadoras e não são totalmente consistentes com as diferenças regionais reveladas pela arqueologia moderna. Tais diferenças eram impulsionadas não apenas pela produtividade do solo, mas também pelo acesso ao mercado, mediado principalmente pela distância de grandes centros urbanos como Roma, e mudanças na posse de terras.[247]

Demografia

As evidências da população da república vêm em grande parte de trinta e nove censos republicanos e do início do período imperial.[248] A população relatada aumentou substancialmente desde o primeiro, relatando 130.000 romanos em 509 a.C., até o último, relatando 4.937.000 em 14 d.C. Acredita-se geralmente que os censos anteriores aos de Augusto, iniciados em 28 a.C., relataram apenas homens adultos livres.[249] Também não está claro até que ponto esses números do censo incluem (ou não) a expansão da cidadania através da conquista romana da Itália e a extensão da cidadania no final da república à Gália Transpadana a partir de 49 a.C., a alforria de escravos (escravos recebiam cidadania quando alforriados), perdas de guerra e perdas para cidades de não cidadãos.[250]

Houve um debate acirrado sobre a população da Itália a partir do século III. As estimativas da população italiana c.225 a.C. a colocam em torno de 4,5 milhões.[251] Este debate baseia-se tanto em censos como também em argumentos da contabilidade de grãos e na arqueologia de levantamento espacial. As duas abordagens principais foram as contagens "baixas" e "altas". A primeira postulou que, no final da república, havia uma população italiana de cerca de quatro milhões, o que era ligeiramente inferior aos cerca de 4,5 milhões estimados em 225. A contagem alta, por outro lado, sugeriu que a população da península havia aumentado para entre sete e doze milhões.[252]

Abordagens mais recentes sugeriram uma contagem "média", que vê o censo em termos de um dispositivo para contar homens em idade militar, o qual, sob o império, se transformou em um para promover a ideologia expansionista imperial. Esta reconstrução argumenta que os censos imperiais inflacionaram os números, em relação aos seus equivalentes republicanos, pela inclusão de mulheres e crianças que eram legalmente independentes. Esta contagem média, em vez disso, sugere uma população italiana entre 4,6 e 5,9 milhões.[253] Todos os três relatos modernos, no entanto, geralmente concordam em sugerir um aumento na população da Itália que exclui as narrativas antigas de despovoamento rural.[254]

A população de todas as possessões romanas à época da morte de Augusto excedia os 54 milhões, com fluxos populacionais consideráveis por toda a bacia do Mediterrâneo.[255] A população da própria cidade de Roma no início do período imperial era de cerca de um milhão, o que pode ter alcançado durante o final da república em 57 a.C., com outras grandes cidades como Alexandria ou Pérgamo tendo entre 100.000 e 300.000 habitantes.[250]

Agricultura

A produção agrícola da Itália na era republicana estava concentrada em cereais (cevada, trigo e milheto), videiras e azeitonas. Gramíneas e leguminosas exigiam irrigação; a decadência localizada de tal infraestrutura pode explicar em parte o despovoamento. O pastoreio de animais era possível nos Apeninos e nas planícies baixas durante as estações de inverno. Grande parte da península ainda não havia sido desmatada para a agricultura; as florestas antigas forneciam pasto para porcos, serviam como habitat para outras caças selvagens e eram uma fonte de madeira.[256] Áreas da Itália eram especializadas em termos de suas exportações agrícolas: a Campânia era notável por seu vinho e azeitonas; outras áreas, como o Vale do Pó, Sâmnio e as terras altas dos Apeninos em geral, eram conhecidas pela criação de ovelhas e porcos. O surgimento de grandes elites urbanas no final da república também catalisou a criação de vilas (villas) próximas às cidades para criar e cultivar itens de luxo para o consumo local.[257][258]

Confrontados com a crescente concorrência de fornecedores provinciais e aliados de grãos, muitos agricultores romanos recorreram a culturas mais rentáveis, especialmente uvas para a produção de vinho. No final da era republicana, o vinho romano foi transformado de um produto local indiferente para o consumo local num grande produto básico (commodity) nacional e de exportação, com algumas safras renomadas, caras e colecionáveis.[259][260]

O ferramental agrícola era contínuo em relação às ferramentas anteriores da Idade do Ferro: arados sem rodas e sem aiveca, com foices.[261] Movidas pelo homem (livre ou escravo) e por animais, a maioria das fazendas era relativamente pequena. Mesmo as grandes fazendas dependiam de mão de obra escrava contratada ou livre.[262] A mão de obra era necessária para colher a safra e operar o maquinário agrícola, como prensas de azeitona e de uva.[263] As evidências da onipresença das oliveiras e videiras sugerem que a policultura era comumente empregada para diversificar a produção agrícola de uma fazenda.[264] Tais práticas também se estendiam a simples rotações de culturas com campos em pousio e leguminosas como ervilhas, grão-de-bico e lentilhas.[265]

A coleta não agrícola também era comum em áreas rurais. A agricultura de subsistência e a coleta deste tipo eram a norma, e a agricultura comercial concentrava-se apenas em áreas no litoral e perto de Roma, onde havia demanda urbana para operações agrícolas comerciais em grande escala.[266]

O cultivo não era a única forma de agricultura. O gado bovino também era criado para fornecer tração, juntamente com carne e couro como subprodutos, e cavalos, mulas e burros também eram criados para fins de tração. Outros animais, como ovelhas e porcos, também eram criados para fornecer sua lã e carne, respectivamente.[267][268] Os porcos, em especial, reproduziam-se prolificamente e podiam ser criados a baixo custo por qualquer pequeno agricultor com direitos de pastoreio de bolotas (pannage). Em muitas partes da Itália romana, a transumância também era predominante, com os pastores conduzindo os rebanhos das terras baixas no inverno para as terras altas no verão para pastar.[269]

Indústria

A mineração e o processamento de metais eram uma parte essencial da indústria romana. Durante o início da república, a própria Itália era geralmente considerada rica em cobre e ferro, mas no final da república essas jazidas estavam em grande parte esgotadas. No segundo século a.C., a mineração havia se transferido para a ilha de Elba e para a Gália Cisalpina. Mas a tomada da Espanha de Cartago durante a Segunda Guerra Púnica abriu enormes e lucrativas minas na Península Ibérica.[270] As técnicas de mineração eram sofisticadas, com mecanismos complexos para bombear e mover água para fins industriais.[271]

A fabricação de têxteis era, em parte, doméstica, com notável produção em Roma e na Sicília. A produção provavelmente era organizada por meio de redes de subcontratação que dividiam o trabalho entre um grande número de pequenas oficinas.[272]

Comércio, dinheiro e finanças

Um dos mais famosos denários romanos, a moeda dos Idos de Março, foi cunhada pelo tiranicida Bruto durante o final da república em 42 a.C.

O comércio em Roma já estava bem encaminhado no segundo século a.C., com o desenvolvimento de um grande distrito portuário (que acabou se estendendo por dois quilômetros) às margens do rio Tibre, no centro de Roma. Grandes armazéns também foram erguidos na área. O período republicano também viu, após a instituição da hegemonia romana sobre a península, o surgimento de Brundísio e Puteoli como grandes portos no lugar de Taranto e Nápoles.[273] Com os portos, surgiram sociedades (parcerias) para despachar, enviar e lucrar com o comércio marítimo. Tais sociedades, chamadas de societates, também permitiam, sob leis formais, o agrupamento de capital dos parceiros para fins produtivos, como a administração de minas e a produção.[274]

As maiores sociedades eram as societates publicanorum. Essas sociedades, que se expandiram com o império, assumiam contratos governamentais para assuntos como o arrendamento de impostos (onde uma sociedade pagava ao Estado uma taxa pelo direito de cobrar impostos em seu nome), a operação de grandes minas ou pedreiras e o fornecimento de suprimentos a soldados ou projetos de construção.[275] Devido à sua importância para o Estado, elas também passaram a ter uma existência totalmente corporativa, sobrevivendo aos seus parceiros – a maioria das sociedades se dissolvia se um dos parceiros morresse – com ações hereditárias (partes), diretores (magistri) e assembleias de acionistas para a governança corporativa.[276]

A cunhagem romana surgiu durante a república. O denário, uma moeda de prata, foi introduzido c.211 a.C. valendo na época 10 asses de bronze. A moeda permaneceu bimetálica (prata e bronze) durante todo o período, embora o bronze tenha diminuído de valor ao longo do tempo e a unidade padrão de conta tenha permanecido o sestercio de bronze, no valor de um quarto de denário.[277] Essas moedas eram cunhadas sob a supervisão dos tresviri monetales, magistrados juniores que supervisionavam a casa da moeda. Outros magistrados, como os edis e pretores, também tinham poderes para regular os mercados e julgar disputas comerciais.

Grandes transações eram conduzidas com barras de ouro ou através de intermediários bancários,[277] especialmente pela troca de grandes dívidas devidas por e entre aristocratas. Os bancos surgiram no segundo século a.C. em dois tipos (firmas bancárias de captação de depósitos chamadas de argentariae e financiadores aristocráticos) e são pouco atestados nas evidências literárias do final da república. Não teria sido possível realizar grandes transações comerciais (incluindo a realização de empréstimos) sem eles. As atividades de depósito e empréstimo no século I eram tão onipresentes a ponto de não valerem a pena ser mencionadas no corpus de Cícero,[278]embora os efeitos da conquista sobre os financiadores no final da república sejam bem atestados.[279]

Notas e referências

Notas

  1. Dizia-se também que o rei Numa Pompílio havia se consorciado com a ninfa Egéria. Os mitos em torno do rei Sérvio Túlio incluem sua paternidade divina por um Lar da casa real, ou por Vulcano, deus do fogo; e seu caso de amor com a deusa Fortuna.
  2. Macróbio descreve as estatuetas de lã (maniae) penduradas em santuários de encruzilhadas durante o popular festival da Compitália como substituições para o antigo sacrifício humano que outrora ocorria no mesmo festival e foi suprimido pelo primeiro cônsul de Roma, L. Júnio Bruto. Qualquer que seja a verdade sobre esse sacrifício e sua abolição, os Júnios celebraram seu culto aos ancestrais durante a Larentália em vez da usual Parentália mesmo no século I a.C.; veja Taylor 1925.
  3. Estabelecidos em 196 a.C. para assumir a administração de um número crescente de jogos (ludi) e festivais que antes cabiam aos pontífices (pontifices)
  4. Para Camilo e Juno, veja Benko 2004, p. 27
  1. O conflito entre Roma e Clúsio deu-se quando Lars Porsena pretendeu invadir Roma. Para isso ele ameaçou invadi-la via ponte Sublícia, sendo que há discordância nas fontes clássicas quanto ao resultado do conflito: enquanto a versão mais difundida alegou que Porsena foi repelido pelos esforços romanos, há outra na qual diz-se que o líder etrusco conseguiu, de fato, tomar Roma. E partindo desta segunda interpretação, autores como Tim Cornell consideram plausível que a monarquia tenha sido derrubada com a conquista de Porsena.[4]
  2. A batalha também é comumente referida como batalha de Benevento, pois foi nesta ocasião que Malevento foi rebatizada como Benevento[100]
  3. em latim: Ceterum censeo Carthaginem delendam esse

Referências

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  252. Morley 2006, p. 321, explicando que os censos de Augusto, que registraram cerca de quatro milhões, podem ser lidos seja para incluir apenas homens ou para incluir famílias inteiras; a primeira e a última correspondem às contagens alta e baixa, respectivamente (defendidas por Lo Cascio e Brunt, respectivamente).
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  255. Hin 2019, notando que as estimativas "variam de 54 a 70 milhões... sob o cenário de baixa contagem".
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