Terciário

Terciário
66.0 – 0 Ma
Cronologia
Eventos do Cenozoico
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Escala de tempo aproximada do Cenozoico.
Escala do eixo: milhões de anos antes do presente.
Precedido por Mesozoico
Seguido por N/A
Etimologia
Formalidade Formal
Ortografia(s) alternativa(s) Cenozóico
Sinônimo(s) Era dos mamíferos, Era moderna
Informações e usos
Corpo celeste Terra
Uso regional Global (ICS)
Escala(s) de tempo usada(s) Escala de tempo ICS
Definições
Formalidade de intervalo de tempo Formal
Definição de limite inferior Camada enriquecida de irídio associada a um grande impacto de meteorito e subsequente evento de extinção K-Pg.
Limite inferior GSSP El Kef Section, El Kef, Tunísia
🌍
Menor GSSP ratificado 1991
Definição de limite superior N/A
Limite superior GSSP N/A
Maior GSSP ratificado N/A

O Terciário é um período geológico hoje considerado obsoleto, que abrangia aproximadamente de 66 milhões até cerca de 2,6 ou 1,8 milhão de anos atrás. Ele começou com a extinção dos dinossauros não avianos, no evento conhecido como Extinção do Cretáceo-Paleogeno, marcando o início do Cenozoico, e se estendeu até o começo das glaciações do período Quaternário, no final da época do Plioceno.

Desde o fim da década de 1980, o Terciário deixou de ser reconhecido oficialmente pela Comissão Internacional sobre Estratigrafia, sendo seu intervalo de tempo dividido entre dois períodos: o Paleógeno (mais antigo) e o Neógeno (mais recente). Ainda assim, o termo continua aparecendo em algumas publicações científicas.

Uso histórico

O termo “Terciário” foi utilizado pela primeira vez por Giovanni Arduino, em meados do século XVIII. Ele classificou o tempo geológico em períodos primário (ou primitivo), secundário e terciário, com base em observações feitas no norte da Itália. Posteriormente, foi acrescentado um quarto período, o Quaternário. Nos primórdios da geologia, alguns estudiosos tentavam relacionar esses períodos com narrativas bíblicas. Na época, acreditava-se que as rochas do Terciário estariam associadas ao Dilúvio.[1][2]

Em 1833, Charles Lyell incorporou o Período Terciário a um sistema de classificação muito mais detalhado, baseado em fósseis de moluscos que ele coletou na Itália e na Sicília entre 1828 e 1829. Ele dividiu o Terciário em quatro épocas, de acordo com a porcentagem de moluscos fósseis semelhantes às espécies atuais encontradas nas camadas de rocha. Para isso, utilizou nomes de origem grega: Eoceno, Mioceno, Plioceno Antigo e Plioceno Recente.[3]

Embora essa divisão funcionasse bem nas regiões onde foi criada, como partes dos Alpes e das planícies italianas, ela não se mostrou adequada quando aplicada a outras regiões da Europa e à América. Por isso, o uso de moluscos como critério foi abandonado, e as épocas passaram por renomeações e redefinições. Durante grande parte do tempo em que o termo “Terciário” foi utilizado formalmente, ele se referia ao intervalo entre cerca de 65 e 1,8 milhão de anos atrás. Com o avanço dos estudos, esses limites foram ajustados: o fim do Cretáceo passou a ser datado em cerca de 66 milhões de anos, e o início do Quaternário em aproximadamente 2,6 milhões de anos.[4][5]

Em 1989, a Comissão Internacional sobre Estratigrafia eliminou o uso do termo “Terciário” em suas tabelas, dividindo esse intervalo entre os períodos Paleógeno e Neógeno, termos que já existiam desde o século XIX, criados pelo geólogo austríaco Moritz Hörnes.[6] Em 2004, chegou-se a propor que o Neógeno incluísse também todo o Quaternário, estendendo-se até o presente[7], mas essa ideia não foi amplamente aceita. Em 2009, o Quaternário voltou a ser considerado um período independente. Mesmo assim, anos depois dessa mudança oficial, o termo “Terciário” ainda era mais comum em uso do que “Paleógeno” e “Neógeno”.[7]

Equivalentes modernos

O antigo período Terciário situa-se entre a Era Mesozoica e o Período Quaternário, embora não seja mais reconhecido como uma unidade formal.[4][5]

Hoje, o intervalo que ele abrangia é dividido nas seguintes épocas:

  • Paleoceno (66 a 56 milhões de anos atrás)
  • Eoceno (56 a 33,9 milhões de anos atrás)
  • Oligoceno (33,9 a 23,04 milhões de anos atrás)
  • Mioceno (23,04 a 5,333 milhões de anos atrás)
  • Plioceno (5,333 a 2,58 milhões de anos atrás)

Esse período se estende até o início do Pleistoceno, mais especificamente até sua primeira fase, conhecida como estágio Gelasiano.[8][9][10]

Referências

  1. Dunbar, Carl O. (1964). Historical Geology 2nd ed. New York, NY: John Wiley & Sons. p. 352
  2. Rudwick, M. J. S. (1992). «Except». Scenes from Deep Time: Early Pictorial Representations of the Prehistoric World. [S.l.]: University of Chicago Press. ISBN 9780226731056 via Google Books
  3. Berggren, William A. (1998). «The Cenozoic Era: Lyellian (chrono)stratigraphy and nomenclatural reform at the millennium». Geological Society, London, Special Publications. 143 (1): 111–132. Bibcode:1998GSLSP.143..111B. CiteSeerX 10.1.1.488.5133Acessível livremente. doi:10.1144/GSL.SP.1998.143.01.10
  4. 1 2 Head, Martin J.; Gibbard, Philip; Salvador, Amos (1 de junho de 2008). «The Quaternary: its character and definition». Episodes (em inglês). 31 (2): 234–238. ISSN 0705-3797. doi:10.18814/epiiugs/2008/v31i2/009
  5. 1 2 Gibbard, Philip L.; Head, Martin J.; Walker, Michael J. C.; the Subcommission on Quaternary Stratigraphy (2010). «Formal ratification of the Quaternary System/Period and the Pleistocene Series/Epoch with a base at 2.58 Ma». Journal of Quaternary Science (em inglês). 25 (2): 96–102. ISSN 0267-8179. doi:10.1002/jqs.1338
  6. Walsh, Stephen L. (2008). «The Neogene: Origin, adoption, evolution, and controversy». Earth-Science Reviews (em inglês). 89 (1-2): 42–72. doi:10.1016/j.earscirev.2007.12.001
  7. 1 2 Salvador, Amos (2006). «The Tertiary and the Quaternary are here to stay». AAPG Bulletin (em inglês). 90 (1): 21–30. ISSN 0149-1423. doi:10.1306/08090505093
  8. Ogg, James G.; Gradstein, F. M.; Gradstein, Felix M. (2004). «1: Chronostratigraphy: Linking time and rock». A Geologic Time Scale 2004. Cambridge, UK: Cambridge University Press. p. 45. ISBN 978-0-521-78142-8
  9. Gradstein, Felix M.; Ogg, James G.; van Kranendonk, Martin. «On the Geologic Time Scale 2008» (PDF). International Commission on Stratigraphy. p. 5. Consultado em 24 de março de 2026
  10. Vandenberghe, N.; Hilgen, F.J.; Speijer, R.P. (2012). «28: The Paleogene period». In: Gradstein, Felix M.; Ogg, James G.; Schmitz, Mark D.; Ogg, Gabi M. The Geologic Time Scale 2012 1st ed. Amsterdam: Elsevier. p. 856. ISBN 978-0-44-459425-9. doi:10.1016/B978-0-444-59425-9.00028-7

Ligações externas

Ver também