Antena parabólica

Uma antena parabólica é uma antena refletora utilizada para a recepção de sinais de rádio e televisão. Ela reflete o sinal vindo do espaço para o centro da antena, onde está o captador (chamado LNB), e assim concentrando este sinal fraco num único ponto, para que se obtenha uma recepção aceitável.[1] É necessário utilizar um circuito elétrico que codifique esses sinais e controle as faixas de frequências que serão utilizadas: para isto que serve o aparelho receptor de sinais (chamado também de decodificador de TV). Esses sinais são transmitidos por satélites que operam para esse tipo de antena.[2]
A forma geométrica da antena é um paraboloide de revolução, de forma que feixes paralelos de radiação eletromagnética se concentrem em seu foco.[3]
História
A ideia de usar refletores parabólicos para antenas de rádio foi tirada da óptica, onde o poder de um espelho parabólico para concentrar a luz em um feixe é conhecido desde a Antiguidade Clássica. Os projetos de alguns tipos específicos de antenas parabólicas, como a Cassegrain e a Gregoriana, vêm de tipos análogos de telescópios refletores com nomes semelhantes, que foram inventados por astrônomos durante o século XV.[4][2]
O físico alemão Heinrich Hertz construiu a primeira antena refletora parabólica do mundo em 1888.[2] A antena era um refletor parabólico cilíndrico feito de chapa de zinco apoiada por uma estrutura de madeira e tinha um dipolo de 26 cm excitado por centelhador como antena de alimentação ao longo da linha focal. Sua abertura tinha 2 metros de altura por 1,2 metros de largura, com uma distância focal de 0,12 metros, e era usada em uma frequência operacional de cerca de 450 MHz. Com duas antenas desse tipo, uma usada para transmissão e outra para recepção, Hertz demonstrou a existência das ondas de rádio que haviam sido previstas por James Clerk Maxwell cerca de 22 anos antes.[5] No entanto, o desenvolvimento inicial do rádio limitava-se a frequências mais baixas, nas quais as antenas parabólicas eram inadequadas, e elas não foram amplamente utilizadas até a Segunda Guerra Mundial, quando as frequências de micro-ondas começaram a ser empregadas.
Após a Primeira Guerra Mundial, quando as ondas curtas começaram a ser utilizadas, cresceu o interesse pelas antenas direcionais, tanto para aumentar o alcance como para tornar as transmissões de rádio mais seguras contra interceptações. O pioneiro italiano da rádio Guglielmo Marconi utilizou refletores parabólicos durante a década de 1930 em investigações sobre transmissão UHF a partir do seu barco no Mediterrâneo.[4] Em 1931, foi demonstrada uma ligação telefônica por micro-ondas de 1,7 GHz através do Canal da Mancha usando antenas parabólicas de 3,0 metros (10 pés) de diâmetro.[4] A primeira grande antena parabólica, uma antena de 9 m, foi construída em 1937 pelo pioneiro radioastrônomo Grote Reber em seu quintal,[2] e o levantamento do céu que ele fez com ela foi um dos eventos que fundaram o campo da radioastronomia.[4]
O desenvolvimento do radar durante a Segunda Guerra Mundial deu um grande impulso à pesquisa com antenas parabólicas. Isso levou à evolução das antenas de feixe moldado, nas quais a curva do refletor é diferente nas direções vertical e horizontal, adaptada para produzir um feixe com uma forma específica.[4] Após a guerra, antenas parabólicas muito grandes foram construídas como radiotelescópios. O Radiotelescópio Green Bank de 100 metros em Green Bank, Virgínia Ocidental — cuja primeira versão foi concluída em 1962 — é atualmente a maior antena parabólica totalmente orientável do mundo.
Durante a década de 1960, as antenas parabólicas passaram a ser amplamente utilizadas em redes terrestres de comunicação por micro-ondas, que transportavam chamadas telefônicas e programas de televisão entre continentes.[4] A primeira antena parabólica utilizada para comunicações via satélite foi construída em 1962 em Goonhilly, na Cornualha, Inglaterra, para comunicar com o satélite Telstar. A antena Cassegrain foi desenvolvida no Japão em 1963 pela NTT, KDDI e Mitsubishi Electric.[6] A sonda espacial Voyager 1, lançada em 1977, está atualmente a 24,2 bilhões de quilômetros da Terra, sendo o objeto feito pelo homem mais distante no espaço, e sua antena Cassegrain de 3,7 metros nas bandas S e X ainda é capaz de se comunicar com estações terrestres. O advento das ferramentas de design computacional na década de 1970 — como a NEC, capaz de calcular o padrão de radiação de antenas parabólicas — levou ao desenvolvimento de designs sofisticados assimétricos, multirrefletores e multifeed nos últimos anos.
Ver também
- Internet via satélite
- Satélite artificial
- Televisão por satélite
- Lista de canais de televisão via satélite do Brasil
Referências
- ↑ Karim Nice; Tom Harris. «Como funciona a TV por satélite». Como tudo funciona. Consultado em 30 de janeiro de 2013. Arquivado do original em 20 de julho de 2012
- 1 2 3 4 Stutzman, Warren L.; Thiele, Gary A. (22 de maio de 2012). Antenna Theory and Design, 3rd Ed. (em inglês). US: John Wiley & Sons. p. 391–392. ISBN 978-0470576649
- ↑ «Formato de antena parabólica permite captura de sinais mais fracos». Globo. 29 de setembro de 2016
- 1 2 3 4 5 6 Olver, A. David (1994). Microwave horns and feeds (em inglês). US: IET. p. 3. ISBN 978-0-7803-1115-2
- ↑ Love, Allan W. «Large Space Antenna Concepts for ESGP» (PDF) (em inglês). Rockwell International. Consultado em 16 de março de 2026
- ↑ Makino, Shigero (2006). «Historical review of reflector antenna systems developed for satellite communication by MELCO» (PDF). ISAP2006-International Symposium on Antennas and Propagation (em inglês). Mitsubishi Electric Corp. Consultado em 16 de março de 2026. Arquivado do original (PDF) em 25 de abril de 2012 na página do ISAP