Nestlé

Nestlé
Vista aérea do edifício-sede corporativo da Nestlé em Vevey, Vaud, Suíça
Razão socialNestlé S.A. ("Grupo Nestlé")
Empresa de capital aberto
CotaçãoSIX: NESN
AtividadeProcessamento de alimentos
Fundação
  • 1866 (como Anglo-Swiss Condensed Milk Company)
Fundador(es)Henri Nestlé (como Farine Lactée Henri Nestlé), Charles Page, George Page
SedeVevey, Vaud, Suíça
Área(s) servida(s) Mundo
Pessoas-chave
ProdutosAlimentos para bebês, café, produtos lácteos, cereais matinais, doçarias, água engarrafada, sorvetes, rações animais
DivisõesChocolates Garoto
SubsidiáriasCereal Partners Worldwide (CPW)
Antecessora(s)
  • Anglo-Swiss Condensed Milk Company (1866–1867)
  • Farine Lactée Henri Nestlé (1867–1905)
  • Nestlé and Anglo-Swiss Condensed Milk Company (1905–1947)
  • Nestlé Alimentana SA (1947–)
Websitewww.nestle.com
  • Notas de rodapé / referências
  • [2]

Nestlé S.A. é uma empresa transnacional suíça do setor de alimentos e bebidas, com sede em Vevey, Vaud, na Suíça. Foi considerada a maior empresa de alimentos do mundo, medida por receitas e por outras métricas, nos anos de 2014, 2015 e 2016.[3][4][5][6] Ela foi classificada no 72º lugar na Fortune Global 500 em 2014[7] e na 33ª posição na edição 2016 da Forbes Global 2000, na lista das maiores empresas de capital aberto do mundo.[8]

Os produtos da Nestlé incluem alimentos para bebês, alimentos médicos, água engarrafada, cereais matinais, café e chá, produtos de confeitaria, produtos lácteos, alimentos congelados, alimentos para animais de estimação e lanches. Vinte e nove das marcas da Nestlé têm vendas anuais de mais de 1 bilhão de francos suíços (cerca de 1,1 bilhão de dólares),[9] como Nespresso, Nescafé, Kit Kat, Smarties, Nesquik, Stouffer's, Vittel, Garoto e Maggi. Atualmente (2026), opera em 188 países e emprega aproximadamente 271.000 colaboradores.[10][11]

História

Origem e fundação (1866–1947)

Henri Nestlé, suíço fundador da Nestlé e um dos principais criadores do leite condensado.

A fundação da Nestlé está intrinsecamente ligada à Revolução Industrial e à busca por soluções nutricionais em um período de alta mortalidade infantil na Europa. Em 1866, os irmãos americanos Charles e George Page fundaram a Anglo-Swiss Condensed Milk Company em Cham, Suíça, utilizando o excedente de leite local para produzir leite condensado sob a marca Milkmaid, visando oferecer uma alternativa segura ao leite fresco, que era frequentemente vetor de doenças. Paralelamente, em 1867, o farmacêutico alemão Henri Nestlé, radicado em Vevey, desenvolveu a "Farinha Láctea" (Farine Lactée), uma combinação de leite de vaca, farinha de trigo e açúcar, projetada para alimentar bebês que não podiam ser amamentados. O sucesso inicial de Henri Nestlé foi consolidado quando sua fórmula salvou a vida de um prematuro que não tolerava outros alimentos.[12][13][14][15][16]

A competição entre a Anglo-Swiss e a empresa de Henri Nestlé (vendida por ele em 1875 para investidores locais) persistiu até 1905, quando ambas se fundiram para formar a Nestlé and Anglo-Swiss Condensed Milk Company. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a demanda por leite condensado e em pó cresceu exponencialmente através de contratos governamentais para o suprimento de tropas, resultando na duplicação da produção da empresa. No entanto, o fim do conflito trouxe uma crise de excedentes que forçou a companhia a sua primeira grande reestruturação na década de 1920, sob a gestão bancária de Louis Dapples.[17][18][19][20][21][22]

A década de 1930 marcou o início da diversificação técnica com o lançamento do Nescafé em 1938. O café solúvel foi o resultado de anos de pesquisa iniciada a pedido do governo brasileiro para ajudar a gerenciar os excedentes de café do país. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a Nestlé enfrentou desafios logísticos globais, mas o Nescafé tornou-se um item básico nas rações militares dos Estados Unidos, o que facilitou a aceitação global da marca no pós-guerra. Em 1947, a empresa fundiu-se com a Alimentana S.A., fabricante dos caldos e temperos Maggi, adotando o nome Nestlé Alimentana S.A., consolidando sua presença em setores além dos laticínios.[23][24][25][26][27]

Expansão e Diversificação do Portfólio (1950–2016)

A segunda metade do século XX foi marcada por uma agressiva estratégia de aquisições que transformou a Nestlé em um conglomerado multissetorial. Entre as principais incorporações destacam-se a Crosse & Blackwell (1950), a Findus (1963) no setor de alimentos congelados, e a Libby's (1971). Em 1974, a empresa diversificou-se para fora do setor alimentar ao tornar-se uma das principais acionistas da L'Oréal, a maior empresa de cosméticos do mundo.[28][29]

A aquisição da Rowntree Mackintosh em 1988 foi um marco na categoria de confeitarias, trazendo marcas icônicas como KitKat, Smarties e After Eight para o portfólio da Nestlé. Na década de 2000, a empresa intensificou o foco em nutrição especializada e saúde. A aquisição da Ralston Purina em 2001 por US$ 10,3 bilhões criou a Nestlé Purina PetCare, estabelecendo a empresa como líder no setor de cuidados com animais de estimação. Seguiram-se as compras da Gerber (2007), líder em nutrição infantil, e da divisão de nutrição médica da Novartis no mesmo ano.[30]

Sob a liderança de Paul Bulcke (CEO de 2008 a 2016), a Nestlé consolidou sua estratégia de "Nutrição, Saúde e Bem-Estar", criando a Nestlé Health Science e o Nestlé Institute of Health Sciences em 2011. O objetivo era desenvolver "alimentos médicos" para tratar condições crônicas através da nutrição, posicionando a empresa em um segmento híbrido entre a alimentação e a farmácia.[31][32][33][34][35]

Governança e Transições de Liderança (2024–2026)

O período entre 2024 e 2026 representou uma das fases de maior instabilidade na alta cúpula da Nestlé. Ulf Mark Schneider, o primeiro CEO recrutado fora dos quadros da empresa em quase um século, liderou a organização de 2017 até sua saída súbita em agosto de 2024. Durante seu mandato, Schneider focou na alienação de negócios de baixo crescimento, como a confeitaria nos EUA e o negócio de águas em massa, enquanto investia em categorias premium, como café, nutrição suplementar e proteínas vegetais. Sob sua gestão, a Nestlé realizou 85 aquisições e desinvestimentos, incluindo a licença global para comercializar produtos Starbucks em canais de varejo.[36][37][38][39]

Em setembro de 2024, Laurent Freixe, um executivo veterano com quase quatro décadas de casa e ex-chefe da Zona Américas, assumiu o cargo de CEO com a missão de reverter a desaceleração do crescimento orgânico. No entanto, o mandato de Freixe foi encerrado abruptamente em setembro de 2025 devido ao seu envolvimento em um relacionamento amoroso não declarado com uma subordinada direta, conduta considerada uma violação grave do código de conduta da empresa.[40][41][42]

Esta crise resultou na nomeação de Philipp Navratil, então chefe da unidade Nespresso, como CEO em 1º de outubro de 2025. Simultaneamente, Paul Bulcke, que servia como Presidente do Conselho de Administração desde 2017, enfrentou forte pressão de investidores institucionais que questionavam as falhas na sucessão e na governança. Bulcke antecipou sua saída, inicialmente prevista para abril de 2026, para outubro de 2025, sendo sucedido por Pablo Isla, ex-presidente da Inditex (Zara).[43][44][45]

As vendas por categoria de produto em 2024 e 2025 mostram que o setor de Bebidas em Pó e Líquidas (incluindo Nescafé e Starbucks) permanece como o maior contribuinte de receita, seguido pelo segmento de Petcare, que tem demonstrado a maior resiliência em termos de margens e crescimento orgânico.[46][47][48]

Em 19 de fevereiro de 2026, a Nestlé anunciou sua saída definitiva do mercado de sorvetes para concentrar suas operações em segmentos considerados mais estratégicos e lucrativos, como cafés, nutrição e pet care. Como parte dessa reestruturação liderada pelo CEO Philipp Navratil, a companhia iniciou a venda de seus negócios remanescentes no setor para a Froneri, uma joint venture criada em 2016 entre a própria Nestlé e a PAI Partners, que já havia absorvido a maior parte das operações globais da marca nos anos anteriores.[49][50]

Brasil

Caminhão do Leite Ninho a transitar em Jequié, Bahia.

O Brasil é historicamente um dos mercados mais relevantes para a Nestlé, ocupando em 2025 a posição de terceiro maior mercado mundial da companhia, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. A presença da empresa no território brasileiro remonta a 1876, com a comercialização da Farinha Láctea importada. A consolidação industrial ocorreu em 1921, com a instalação da primeira fábrica em Araras (SP) para a produção do leite condensado Milkmaid, que devido à imagem da camponesa no rótulo, passou a ser chamado pelos consumidores de "Leite Moça", nome que a empresa acabou por adotar oficialmente. Possui 57 marcas próprias no mercado nacional, sendo que mantém 16 outras marcas autorizadas à comercialização.[51] Sob a gestão de Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil, a subsidiária faturou cerca de CHF 4 bilhões em 2024. O país tornou-se um polo de inovação para a Zona Américas, com investimentos massivos em modernização industrial e sustentabilidade.[52][53][54][55][56]

A Nestlé Brasil anunciou dois ciclos de investimento recordes em meados da década de 2020. O primeiro, de R$ 6 bilhões (2023-2025), focou na expansão da capacidade produtiva e em tecnologias de agricultura regenerativa. O segundo ciclo, anunciado em junho de 2025, prevê o aporte de R$ 7 bilhões entre 2025 e 2028.[57][58][59]

Unidade Industrial Categoria/Foco Detalhes do Investimento (2025-2028)
Araras (SP) Cafés Solúveis R$ 1 bilhão para modernização e nova linha de extração com IA
Vila Velha (ES) Confeitaria (Garoto) Ampliação de linhas para marcas Caribe e Serenata de Amor
Caçapava (SP) Chocolates (KitKat) Expansão para seis linhas exclusivas de KitKat até 2028
Vargeão (SC) Petcare (Purina) Nova fábrica de R$ 2,5 bilhões para exportação e mercado interno
Montes Claros (MG) Cafés (Dolce Gusto) Expansão das linhas de cápsulas e tecnologia sustentável
Ituiutaba (MG) Nutrição Infantil Novas linhas de fórmulas (Ninho, Nestogeno, Nestonutri)

A governança concorrencial no Brasil foi um tema central para a Nestlé nos últimos anos. Em junho de 2023, o CADE finalmente aprovou, com restrições comportamentais, a aquisição da Chocolates Garoto, encerrando um imbróglio judicial que perdurou por 21 anos. O acordo obrigou a Nestlé a não realizar novas aquisições de marcas de chocolate por um período determinado e a manter a fábrica de Vila Velha operacional com investimentos contínuos.[60][61]

Em fevereiro de 2024, a Nestlé concluiu a aquisição do controle majoritário do Grupo CRM, proprietário das marcas premium Kopenhagen e Brasil Cacau. Esta aquisição estratégica permitiu à Nestlé entrar no segmento de chocolates finos e boutiques de varejo direto ao consumidor (D2C), operando mais de 1.000 lojas franqueadas em todo o país. Renata Moraes Vichi foi mantida como CEO do Grupo CRM para garantir a continuidade da identidade das marcas e o sucesso do modelo de negócio diferenciado.[62][63][64]

Controvérsias

Investigação de Cartel Trabalhista (2024–2026)

Em outubro de 2024, a Nestlé Brasil foi incluída em uma investigação explosiva do CADE envolvendo 33 multinacionais (incluindo Coca-Cola, IBM e Natura) por formação de um suposto cartel no mercado de trabalho. A investigação, baseada em um acordo de leniência, aponta que departamentos de Recursos Humanos trocavam informações sensíveis sobre salários, benefícios e planos de demissão para evitar a concorrência por talentos e manter remunerações baixas. Em fevereiro de 2026, a Superintendência-Geral do CADE negou os pedidos de nulidade das empresas e avançou para a fase de produção de provas, o que pode resultar em multas de até 20% do faturamento das companhias. [65][66][67][68]

Teor de Açúcar em Mercados Emergentes

Uma investigação de 2024 da ONG Public Eye e da IBFAN revelou que a Nestlé adiciona açúcar aos produtos Cerelac e Nido vendidos em países de baixa e média renda (como Índia, Filipinas e Brasil), enquanto as versões dos mesmos produtos na Europa são livres de açúcar adicionado. Esta disparidade nutricional foi criticada como um "padrão duplo" ético. Na Índia, a FSSAI lançou uma investigação oficial em 2025 para revisar as normas de açúcar em alimentos infantis, o que pode levar a regulamentações mais rígidas no país. A Nestlé India defendeu suas práticas, afirmando que cumpre as leis locais e que reduziu o açúcar em 30% nos últimos cinco anos.[69][70]

Maquiagem de produtos

A Nestlé do Brasil pratica de forma contínua a chamada maquiagem de produtos, que é a redução do volume de suas mercadorias. Como exemplo temos o chocolate em barra, que foi perdendo volume de forma paulatina, passando dos 200 gramas originais para 100 gramas (-50%) em 2017 (antes foi reduzida para 190 gramas, 180 gramas, 150 gramas e 125 gramas e, mais recentemente, 98 gramas) biscoitos, que de 200 gramas passaram a ter 140 gramas, pote de sorvetes, que perdeu 1/4 do volume ao ter sua embalagem reduzida de 2 litros para 1,5 litros, além de inúmeros outros produtos.[71][72][73][74]

A maior parte da linha produzida pela empresa passa constantemente por essa maquiagem. As alterações são feitas em conformidade com a lei de defesa do consumidor, que exige a informação da redução na embalagem de "forma clara, precisa, ostensiva e em língua portuguesa", além da quantidade anterior, quantidade atual e valores absolutos e percentuais que foram suprimidos.[75]

Na década de 2000, a fórmula dos chocolate foi alterada, reduzindo-se o percentual de cacau para 25%, supostamente por conta das pragas que assolaram as plantações de cacau, porém não retornando à fórmula anterior.[76]

Crise de Segurança Alimentar e Recall Global (2025–2026)

O evento de maior impacto operacional recente foi o recall global de fórmulas infantis (marcas SMA, BEBA, NAN e Alfamino) iniciado em dezembro de 2025. A causa foi a detecção de cereulida, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus, em um ingrediente (óleo de ácido araquidônico - ARA) fornecido pela empresa chinesa Cabio Biotech.[77]

Detalhe do Recall Informação Consolidada
Escopo Mais de 60 países afetados (Europa, Américas, AOA, China)
Impacto de Produtos Mais de 800 produtos de 10 fábricas diferentes
Casos de Saúde Pelo menos 26 bebês hospitalizados na Europa; investigação de mortes na França
Causa Raiz Defeito técnico de limpeza em fornecedor terceirizado de óleo ARA
Impacto Financeiro Perda estimada de CHF 200 milhões em vendas e estoque no 1º tri de 2026

O recall foi o maior da história da companhia e forçou a nova liderança a revisar drasticamente os protocolos de auditoria de fornecedores terceirizados de ingredientes sensíveis.[78]

Fórmula

Uma das controvérsias mais importantes envolvendo a Nestlé diz respeito à promoção do uso de fórmula infantil para as mães de todo o mundo, incluindo países em desenvolvimento - uma questão que atraiu atenção significativa em 1977, como resultado do boicote da Nestlé, que ainda está em curso. Nestlé continua a atrair críticas de que está em violação de um código de 1981 da Organização Mundial de Saúde que regulamenta a publicidade de substitutos do leite materno. Grupos como a International Baby Food Action Network (IBFAN) e Save the Children afirmam que a promoção de fórmulas infantis sobre aleitamento materno levou a problemas de saúde e mortes entre crianças em países menos desenvolvidos economicamente. A política da Nestlé afirma que o leite materno é o melhor alimento para bebês, e que as mulheres que não podem ou optam por não amamentar precisam de uma alternativa para garantir que seus bebês estão recebendo a nutrição que precisam.[79][80][81][82]

Dívida da Etiópia

Em 2002, a Nestlé exigiu que a nação Etiópia pagasse uma dívida de U$ 6 milhões com a empresa. Na época o país estava sofrendo com uma grande fome, a empresa recuou de sua demanda mas depois de mais de 8.500 reclamações recebidas via e-mail para a empresa sobre o seu tratamento para com o governo etíope. A empresa concordou em voltar a investir todo o dinheiro que recebeu com o país.[83]

Fazendas do Zimbabwe

No final de setembro de 2009, foi trazido à luz que a Nestlé foi a compra de leite das fazendas ilegais atualmente operadas por Robert Mugabe, cônjuge a Grace Mugabe. Mugabe e seu regime estão atualmente sujeitos a sanções da União Europeia. Nestlé depois parou de comprar o leite das fazendas leiteiras em questão.[84]

E. Coli

Em junho de 2009, um surto de E. coli O157: H7 foi ligada à Nestlé refrigerando massas de biscoitos originários de uma planta em Danville, Virginia. Nos EUA, causou doença em pelo menos 69 pessoas em 29 estados, metade dos quais precisaram ser hospitalizados. Após o surto, a Nestlé o recall voluntário de 30.000 casos da massa de biscoito.[85]

Trabalho infantil

O documentário de 2010 The Dark Side of Chocolate alega que a Nestlé compra grãos de cacau de plantações da Costa do Marfim que usam trabalho escravo infantil. As crianças são geralmente de 12 a 15 anos de idade, e alguns são traficadas de países vizinhos.[86] As primeiras alegações de que a escravidão infantil é utilizado na produção de cacau apareceu em 1998.[87] No final de 2000, um documentário da BBC relataram o uso de crianças escravas na produção de cacau na África Ocidental.[87][88][89] Outros meios de comunicação seguiram, relatando generalização de crianças escravas e tráfico de crianças na produção de cacau. Em setembro de 2001, Alford Bradley, presidente e CEO da Nestlé e EUA, assinaram o Protocolo Harkin-Engel (comumente chamado de Protocolo do Cacau), um acordo internacional que visa a erradicação do trabalho infantil na produção de cacau.[90][91] Em 2005, após a indústria do cacau não tinha conhecido o Harkin-Engel prazo protocolo para certificação das piores formas de trabalho infantil (de acordo com a Organização Internacional do Trabalho da Convenção 182) havia sido eliminado da produção de cacau, a Organização Internacional do Trabalho Fundo de Direitos apresentou uma ação judicial em 2005, sob a Alien Tort Claims Act contra a Nestlé e outras em nome dos três filhos do Mali.[92] A ação alegou às crianças que foram traficadas para a Costa do Marfim, forçadas à escravidão e experiências de espancamentos frequentes em uma plantação de cacau. Em setembro de 2010, o EUA Tribunal do Distrito Central da Califórnia, determinou que a corporação não pode ser considerada responsável por violações do direito internacional e encerrou o processo. O caso foi objecto de recurso para o Tribunal de Apelação dos EUA. A 2009 operação policial conjunta realizada pela Interpool e agentes de aplicação da lei de Costa do Marfim resultou no resgate de 54 crianças e a prisão de oito pessoas envolvidas no recrutamento ilegal de crianças.[92]

Referências

  1. 1 2 «Management». Nestlé. Consultado em 29 de maio de 2017
  2. «2021 Financial Statements» (PDF) (em inglês). Nestle. 16 de fevereiro de 2022. Consultado em 15 de agosto de 2022
  3. «"Nestlé's Brabeck: We have a "huge advantage" over big pharma in creating medical foods"». money.cnn.com, CNN Money, 1 de abril de 2011
  4. «"Nestlé: The unrepentant chocolatier"». www.economist.com, The Economist, 29 de outubro de 2009. Acessado em 17 de maio de 2012
  5. Rowan, Claire (9 de setembro de 2015). «The world's top 100 food & beverage companies - 2015: Change is the new normal». Food Engineering. Consultado em 14 de novembro de 2016
  6. McGrath, Maggie (27 de maio de 2016). «The World's Largest Food And Beverage Companies 2016: Chocolate, Beer And Soda Lead The List». Forbes. Consultado em 14 de novembro de 2016
  7. «2014 Fortune Global 500 listing.». fortune.com Acessado em 20 de maio de 2015.
  8. «The World's Biggest Public Companies». Forbes. Consultado em 14 de novembro de 2016
  9. «"Nestlé: Tailoring products to local niches"». money.cnn.com CNN, 2 de julho de 2010.
  10. «Discover our job locations | Nestlé Global». www.nestle.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  11. «How many employees does Nestlé have? | Nestlé Global». www.nestle.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  12. «A condensed history: the Page brothers and Anglo-Swiss | Nestlé Australia». www.nestle.com.au (em inglês). 16 de março de 2016. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  13. «A condensed history : the Page brothers and Anglo-Swiss»
  14. MatrixBCG (19 de novembro de 2025). «What is Brief History of Nestlé Company?». matrixbcg.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  15. «Nestlé | Business and Management | Research Starters | EBSCO Research». EBSCO (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  16. «Conheça nossa História | Nestlé Brasil». www.nestle.com.br. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  17. «Nestlé and the Anglo-Swiss Condensed Milk Company». SIX (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  18. «The Nestlé company history | Nestlé Central & West Africa». www.nestle-cwa.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  19. «Nestlé | Business and Management | Research Starters | EBSCO Research». EBSCO (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  20. Forces, Porters Five (9 de janeiro de 2026). «What is Brief History of Nestlé Company?». Porter's Five Forces (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  21. Owles, Eric (27 de junho de 2017). «How Nestlé Expanded Beyond the Kitchen». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  22. «Nestlé | Encyclopedia.com». www.encyclopedia.com. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  23. «Brief History Nescafe Coffee | Nestlé Professional». www.nestleprofessional.com.au (em inglês). 6 de abril de 2022. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  24. «About Us | The NESCAFÉ Story | Nescafé UK&IE». www.nescafe.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  25. Rotondi, Jessica Pearce (16 de janeiro de 2025). «How Coffee Fueled US Troops During World War II». HISTORY (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  26. «Post World War II Food (U.S. National Park Service)». www.nps.gov (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  27. «FoodTalks全球食品资讯网». www.foodtalks.cn. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  28. Interview by Shelley DuBois, reporter. «Nestl�'s Brabeck talks medical foods and pizza - Apr. 1, 2011». money.cnn.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024 replacement character character in |titulo= at position 6 (ajuda)
  29. By Beth Kowitt, writer-reporter. «Nestl� refreshes its brand as No. 1 most admired company - Jul. 2, 2010». money.cnn.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 7 de dezembro de 2024 replacement character character in |titulo= at position 6 (ajuda)
  30. Funchal, Lojas. «Conheça Nossa História Nestlé». www.lojasfunchal.com.br. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  31. «Nestlé cria subsidiária para atuar na área da nutrição da saúde». O Globo. 27 de setembro de 2010. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  32. «Nestlé Health Science S.A. and Nestlé Institute of Health Sciences established to target new opportunity between food and pharma | Nestlé Global». www.nestle.com (em inglês). 27 de setembro de 2010. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  33. «Annual Report 2011» (PDF)
  34. «Nestlé Creating Shared Value Report 2011» (PDF)
  35. «Good Food, Good Life: Celebrating 150 years of Nestlé | Nestlé UK & Ireland». www.nestle.co.uk (em inglês). 17 de fevereiro de 2016. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  36. «Nestle CEO Schneider was ousted, paving way for veteran Freixe, sources say»
  37. «Nestle CEO Schneider was ousted after underperformance, sources say»
  38. «Nestlé anuncia saída de CEO após oito anos; Laurent Freixe assume cargo». Folha de S.Paulo. 22 de agosto de 2024. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  39. «Nestlé CEO Under Pressure as Infant Formula Crisis Adds to Woes». Bloomberg.com (em inglês). 18 de fevereiro de 2026. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  40. «Novo CEO da Nestlé anuncia corte de 16 mil empregos pouco depois de escândalo o levar ao cargo». VEJA. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  41. Mensagem, Meio & (2 de setembro de 2025). «Nestlé troca CEO global após violação de conduta». Meio e Mensagem - Marketing, Mídia e Comunicação. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  42. «CEO da Nestlé é demitido por namoro com funcionária; RH deve ser avisado?». UOL. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  43. «Nestlé: Global Reorganization in Corporate Top Management». www.efanews.eu (em inglês). 17 de outubro de 2024. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  44. «Change at the top for Nestlé as it welcomes new leadership roles». www.ingredientsnetwork.com. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  45. reuters. «Nestlé inaugura nova era com saída antecipada de presidente do conselho». Terra. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  46. «An overview of Nestlé for investors | Nestlé Global». www.nestle.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  47. «Annual Review 2024 - Nestlé» (PDF)
  48. S.A, Nestlé (19 de fevereiro de 2026). «Full-year results 2025 and strategic update: Strong momentum, accelerating strategic change». GlobeNewswire News Room (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  49. «Nestlé vai deixar o negócio de sorvetes e focar em áreas mais lucrativas». G1. 20 de fevereiro de 2026. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  50. «Por que a Nestlé decidiu abandonar sua linha de sorvetes». Gazeta do Povo. 22 de fevereiro de 2026. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  51. «Marcas». Nestle. Consultado em 18 de outubro de 2023
  52. «FT Global 500, Market values and prices at 31 March 2011, Nestlé» (PDF)
  53. «Global 500 2011: Top Performers - Most Profitable Companies: Profits - FORTUNE on CNNMoney.com». money.cnn.com. Consultado em 22 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 12 de março de 2025
  54. «Nestlé anuncia novo ciclo de investimentos de R$ 7 bilhões no Brasil até 2028 | Nestlé Brasil». www.nestle.com.br. 23 de junho de 2025. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  55. Reuters (18 de junho de 2025). «Nestlé Eleva Investimento no Brasil para R$7 Bi até 2028». Forbes Brasil. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  56. «Nestlé eleva investimento no Brasil para R$ 7 bi até 2028». CNN Brasil. 18 de junho de 2025. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  57. Trevizan, Karina (30 de novembro de 2023). «Nestlé projeta mais que dobrar os investimentos no Brasil até 2025 | InvestNews». investnews.com.br. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  58. «Nestlé investirá R$ 6 bilhões até 2025 no Brasil | Nestlé Brasil». www.nestle.com.br. 29 de novembro de 2023. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  59. «Nestlé eleva investimento no Brasil para R$ 7 bi até 2028». CNN Brasil. 18 de junho de 2025. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  60. «Em novo julgamento, Cade aprova, com restrições, compra da Garoto pela Nestlé e autoriza realização de acordo judicial». Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  61. «CADE clears Nestlé acquisition of Garoto subject to conditions and reaches a settlement». Conselho Administrativo de Defesa Econômica (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  62. «Nestlé aquires majority stake in premium chocolate company in Brazil». www.nestle.com (em inglês). 7 de setembro de 2023. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  63. «CADE autoriza a aquisição da Kopenhagen pela Nestlé»
  64. «Nestlé To Acquire Grupo CRM in Brazil - Morgan & Westfield» (em inglês). 10 de fevereiro de 2024. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  65. Redação (18 de outubro de 2024). «C&a, Coca, Avon, Nestlé e outras 29 empresas são suspeitas de criar cartel para trocar informações sobre trabalhadores». A marca do bom jornalismo - O POTI - NEWS. Consultado em 23 de fevereiro de 2025
  66. STIA, Equipe. «Cade investiga 33 multinacionais por cartel trabalhista que pode ter prejudicado milhares de profissionais no Brasil». STIA SJC. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  67. «Cade Investiga 33 Multinacionais por Formação de Cartel no Mercado de Trabalho – SINTECT-GO». Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  68. «Cade investiga 33 multinacionais por formação de cartel no país | Radar». VEJA. Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  69. «FSSAI Committee to Review Sugar Content in Infant Foods Amid Nestlé Controversy». Food Safety Works (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  70. www.ETRetail.com. «FSSAI constitutes panel to review use of sugar in infant food». ETRetail.com (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  71. «Peso de alimentos diminui, mas preços são mantidos». O Globo. plus.google.com/+JornalOGlobo/. Consultado em 21 de dezembro de 2015
  72. «Dez empresas são multadas por 'maquiagem' em produtos». Consultor Jurídico. Consultado em 21 de dezembro de 2015
  73. «Indústria diminui o peso de alimentos, mas mantém preços». processeaqui.com.br. Consultado em 21 de dezembro de 2015
  74. «'Shrinkflation' reduz produtos sem alterar o preço». Gazeta do Povo
  75. «Procon explica o que é maquiagem de produtos». Economize. Consultado em 22 de dezembro de 2015
  76. «Chocolate brasileiro tem menos cacau que no mundo; Congresso quer aumentar». economia.uol.com.br. Consultado em 24 de junho de 2019
  77. Yoganathan, Venilla (7 de janeiro de 2026). «Nestlé removes infant formula from SA and other countries over toxin risk». Juta MedicalBrief (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  78. swissinfo.ch, S. W. I. (5 de janeiro de 2026). «Nestlé launches large baby food recall in Europe». SWI swissinfo.ch (em inglês). Consultado em 22 de fevereiro de 2026
  79. «Nestlé takes world ice cream lead». BBC News. 19 de janeiro de 2006. Consultado em 22 de fevereiro de 2007
  80. «Nestlé to buy Gerber for $5.5B». CNN. 12 de abril de 2007. Consultado em 12 de abril de 2007 [ligação inativa]
  81. «Media releases». Consultado em 11 de junho de 2012. Arquivado do original em 24 de dezembro de 2008
  82. «Media releases». Novartis.com. 3 de setembro de 2007. Consultado em 8 de janeiro de 2010. Arquivado do original em 9 de janeiro de 2009
  83. «Nestlé propõe novo acordo para Etiópia | BBC Brasil | BBC World Service». www.bbc.com. Consultado em 20 de junho de 2018
  84. «Official press release: Nestlé enters into strategic partnership with Belgian luxury chocolate maker Pierre Marcolini» Retrieved 23 March 2011.
  85. Staff, Reuters (30 de junho de 2009). «FDA confirms E. coli found in Nestle cookie dough». Reuters (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2021
  86. Romano, U. Roberto & Mistrati, Miki (Directors) (16 de março de 2010). The Dark Side of Chocolate (Television Production). Bastard Films. Consultado em 28 de abril de 2011
  87. 1 2 Raghavan, Sudarsan; Chatterjee, Sumana (24 de junho de 2001). «Slaves feed world's taste for chocolate: Captives common in cocoa farms of Africa». Milwaukee Journal Sentinel. Consultado em 25 de abril de 2012. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2006
  88. «Combating Child Labour in Cocoa Growing» (PDF). International Labour Organization. 2005. Consultado em 26 de abril de 2012
  89. Wolfe, David; Shazzie (2005). Naked Chocolate: The Astonishing Truth about the World's Greatest Food. [S.l.]: North Atlantic Books. p. 98. ISBN 1556437315. Consultado em 15 de dezembro de 2011
  90. Hawksley, Humphrey (12 de abril de 2001). «Mali's children in chocolate slavery». BBC News. Consultado em 2 de janeiro de 2010
  91. Hawksley, Humphrey (4 de maio de 2001). «Ivory Coast accuses chocolate companies». BBC News. Consultado em 4 de agosto de 2010
  92. 1 2 «Trabalho infantil - Cereais Nestlé». sites.google.com. Consultado em 2 de julho de 2020

Ligações externas