Neonazismo
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Neonazismo é um conceito associado ao resgate do nazismo, ideologia política propagada por Adolf Hitler, a partir do começo da década de 1920.[1] O movimento neonazista tem suas origens assentadas na intolerância e em preceitos racialistas, primando sempre pela "raça pura ariana" ou pela "superioridade da raça branca".[1] Os seguidores da doutrina em sua maioria promovem discriminação contra minorias e grupos específicos, como homossexuais, negros, estrangeiros, entre outros.[1] Algumas correntes preferem apenas a segregação da "raça pura ariana" das demais "raças", condenando agressões físicas contra tais grupos (muitas vezes condenando também a violência moral e psicológica). Outras promovem explicitamente o ataque físico aos grupos citados. Há grande oposição e hostilidade entre grupos punks e grupos neonazistas. Alguns grupos neonazistas chegam a defender o uso da força para tomar o controle do Estado ou segregar regiões através de movimentos separatistas, como o Neuland.[2][3][4][5]
Negacionismo, negação ou minimização do Holocausto
Muitos neonazis promovem a minimização ou negação do Holocausto. Afirmam que o genocídio deliberado (frequentemente em câmaras de gás) de mais de 6 000 000 de pessoas, a maioria judeus, é mentira ou exagero. Historiadores conceituados calculam que o número de judeus mortos durante o Holocausto varia entre 5,1 e 6,2 milhões,[6][7][8][9][10] alguns suspeitam que o número de mortos possa ser ainda maior, mas existem ainda negacionistas que calculam um número extremamente inferior, por volta de 500 mil pessoas.
Grupos neonazistas

Existem diversos grupos neonazistas, principalmente formado por jovens entre 16 e 25 anos de idade. O material destes grupos provém de sites na internet, tendo forte influência de grupos neonazistas alemães, ainda presentes.[11] Mesmo a Alemanha tendo proibido qualquer atividade relacionada ao nazismo, estes grupos são mantidos por partidos de extrema direita, sediados na Europa e em outros países.[12]
Influências
O aumento da quantidade de grupos neonazistas levou ao maior estudo dos mesmos, tanto profissionalmente por especialistas quanto de modo amador pela sociedade de um modo geral, ambos buscando explicações plausíveis para tal fenômeno. Das explicações encontradas, uma das mais aceitas e tida como razoavelmente plausível é: Os jovens procuram grupos neonazistas porque não encontram respostas para questões de ordem familiar, pessoal, social e até mesmo cívica.[13]
Nos Estados Unidos, o crescimento vertiginoso do crime simultaneamente ao das imigrações ilegais e da forte difusão da cultura afro-americana e latina cria um sentimento de angústia e medo por parte da suposta "raça branca". Os jovens brancos estadunidenses convivem com organizações que culpem essas minorias étnicas (latinos não brancos e afro-americanos) por tais problemas, e algumas dessas são movimentos neonazistas. Assim, explorando a vulnerabilidade juvenil, os movimentos neonazistas reúnem e trazem para a sua organização grande parte desses jovens.[14] A própria proibição de propagação do nazismo na maioria dos países estimula os jovens que inicialmente não conheciam o nazismo a interessar-se nos movimentos, visto que é característica marcante dos jovens a busca da expressão de rebeldia e contestação.[15]
Essa busca por culpados para os problemas rotineiros obviamente não levam o jovem extremista ao caminho do neonazismo. Enquanto os neonazistas culpam minorias étnicas e religiosas, outros grupos culpam, por exemplo, o grupo político que está no poder, podendo ingressar em grupos de radicais políticos.[16]
Recrutamento
Nestes sites encontram-se materiais para divulgação dos movimentos neonazistas, informações de reuniões, artigos e textos de apoio à causa neonazista. Mesmo assim esses sites registram muitos acessos diariamente, estando principalmente em inglês, alemão e português, respectivamente, existem muitas propagandas deles em outros sites alemães, aumentando mais ainda a divulgação do movimento neonazi.[17][18]
Influência musical
Atualmente existem muitas bandas de rock, pertencentes ao estilo "RAC" (Rock Against Communism).[19] Algumas delas explicitamente apoiam o nazismo e fazem saudações nazistas em suas músicas, cantando em inglês e alemão. Também existe o subgênero de hardcore punk chamado Hatecore, que faz apologia ao nazismo.[20] No Black Metal existe o subgênero chamado NSBM (National Socialist Black Metal, traduzido black metal nacional socialista) na qual o seus principais ideais são a segregação racial e a supremacia da raça ariana.[21]
No Brasil
O Neonazismo no Brasil teve início na década de 1980, a partir de alguns grupos de skinhead (“cabeças raspadas”).[22][23][24] Sua origem foi influenciada pela estagnação econômica no fim da ditadura militar no país e incerteza política na época da redemocratização.[25][23][24] Este contexto facilitou a assimilação por grupos de jovens brasileiros das ideias do movimento neonazista internacional, enquadrando-se também em uma tendência global de expansão do movimento, até então relativamente restrito ao seu berço, o Reino Unido, fortalecido pelo sucesso político da ultraconservadora e racista Frente Nacional britânica.[26] Em 2019, havia 334 grupos neonazistas am atividade no país, concentradas sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.[27]
O mapa, elaborado pela antropóloga Adriana Dias, que dedicou-se à pesquisa do neonazismo no Brasil desde 2002 até sua morte em 2023, mostrou que em 2022 existiam pelo menos 530 núcleos extremistas, abrangendo um universo que pode chegar a 10 mil pessoas. Isso representa um crescimento de 270,6% de janeiro de 2019 a maio de 2021.[28]
De acordo com a Polícia Federal, 198 denúncias de apologiao ao nazismo foram regsitradas entre 2020 e 2024, batendo o recorde com 82 denúncias em 2023.[29]
Ver também
- Neonazismo no Brasil
- Nazismo
- Neofascismo
- Fascismo
- Nova Ordem (nazismo)
- Quarto Reich
- República de Weimar
- Antifascismo
Referências
- 1 2 3 Heloísa Noronha. «Quais os principais grupos neonazistas ativos no mundo?». Mundo Estranho. Consultado em 5 de janeiro de 2014
- ↑ «Os nazistas brasileiros». ISTOÉ Independente. 20 de maio de 2009. Consultado em 9 de dezembro de 2023
- ↑ «Pioneiro | As principais notícias de Caxias do Sul e região». GZH. Consultado em 9 de dezembro de 2023
- ↑ «Neonazistas de 4 estados planejavam articular candidaturas e explodir sinagogas». O Globo. 20 de maio de 2009. Consultado em 9 de dezembro de 2023
- ↑ «Duplo homicídio revela a existência de nazistas no Brasil». Meio Norte (jornal). 17 de maio de 2009. Consultado em 3 de janeiro de 2022. Arquivado do original em 23 de maio de 2009 – via IstoÉ
- ↑ Dawidowicz, Lucy. The War Against The Jews, 1933–1945. Nova York: Holt, Rinehart and Winston, 1975.
- ↑ Wolfgang Benz in Dimension des Volksmords: Die Zahl der Jüdischen Opfer des Nationalsozialismus. Munique: Deutscher Taschebuch Verlag, 1991. Israel Gutman. Encyclopedia of the Holocaust. Macmillan Reference Books; Edição de referência (1 de outubro de 1995)
- ↑ Hilberg, Raul. The destruction of the European Jews. Yale Univ. Press, 2003, c.1961.
- ↑ Yisrael Gutman, Michael Berenbaum, Raul Hilberg, Franciszek Piper, Yehuda Bauer, Anatomy of the Auschwitz Death Camp. Indiana University Press, 1998, p.71.
- ↑ Gilbert, Martin. Atlas of the Holocaust. Nova York: William Morrow and Company, Inc, 1993.
- ↑ «São mais de 400 as organizações neonazis na Europa». AbrilAbril. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «O moderno komintern e o financiamento de partidos antissistema na Europa». Diário de Notícias. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Relatório sobre cooptação de jovens por grupos de extrema-direita». Senado Federal. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Propaganda de grupos de supremacia branca cresceu 182 por cento nos Estados Unidos em 2018». VOA Português. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Como comunidades redpill e anti-woke capturam jovens para redes de ódio». Jornal da USP. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Os partidos de extrema direita face à luta antiterrorista: Os casos da França e Alemanha». RepositóriUM - Universidade do Minho. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Grupos extremistas de extrema-direita usam plataformas de videogame para recrutar e radicalizar jovens». Instituto Humanitas Unisinos. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «Neonazistas recorrem a games e memes para recrutar crianças». UOL Notícias. Consultado em 3 de março de 2026
- ↑ «RAC»
- ↑ «Music Style Is Called Supremacist Recruiting Tool»
- ↑ «National Socialist Black Metal»
- ↑ Salem 1995, p. 57.
- 1 2 Woloszyn, André Luís (10 de maio de 2013). «Grupos Neonazistas no Brasil». DefesaNet. Consultado em 16 de março de 2018
- 1 2 ANDRADE, Guilherme Ignácio Franco de (2013). A trajetória da extrema direita no Brasil: integralismo, neonazismo e revisionismo histórico (1930 -2012). Em: Anais do V Simpósio Internacional Lutas Sociais na América Latina“Revoluções nas Américas: passado, presente e futuro”, p. 75. ISSN 2177-9503
- ↑ Salem 1995, pp. 38-39.
- ↑ «Neonazismo em São Paulo». Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (originalmente publicado pela Escola Vesper). Consultado em 19 de novembro de 2011. Arquivado do original em 3 de março de 2016
- ↑ PICHONELLI, Matheus (2019). Brasil tem 334 células neonazistas em atividade, diz pesquisadora. UOL: Blog do Pichonelli.
- ↑ «Grupos neonazistas crescem 270% no Brasil em 3 anos; estudiosos temem que presença online transborde para ataques violentos». 16 de janeiro de 2022. Consultado em 8 de fevereiro de 2024
- ↑ Alves, Giovana (10 de março de 2025). «Casos de apologia ao nazismo cresceram mais de 242% nos últimos 5 anos». www.metropoles.com. Consultado em 22 de março de 2026
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