Língua romani
| Romani řomani čhib | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | / ˈ rɒməni / | |
| Outros nomes: | amari čhib, romanês | |
| Falado(a) em: | Romênia, Bulgária, Eslováquia, Sérvia República da Macedônia, Kosovo, entre outros | |
| Região: | Leste europeu | |
| Total de falantes: | c. 3 milhões [1] | |
| Família: | Indo-europeia Indo-iraniana Indo-ariana Indo-ariana central Romani | |
| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: | Kosovo e República da Macedônia a nível municipal | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | -- | |
| ISO 639-2: | rom | |
| ISO 639-3: | rom
| |
A língua romani (rromani ćhib) é o idioma dos romas e dos sintos, povos nômades geralmente conhecidos pela designação de ciganos. Pertence ao ramo indo-ariano proveniente do grupo linguístico indo-europeu, e não deve ser confundido com o romeno e o romanche, que são línguas latinas. Com cerca de 3 milhões de falantes, o romani é falado principalmente na região do Leste Europeu e no Norte da Península Balcânica, mas também contém um número considerável de usuários nas Américas (mais especificamente nos Estados Unidos da América e no Brasil, países com significativa população cigana).
Os documentos relacionados ao povo rom até o século XVI não representavam a forma de comunicação destes, limitados a descrições físicas e comportamentais, um povo de pele escura proveniente do oriente que geralmente eram marceneiros ou cartomantes. Foi apenas no ano de 1542 que foi compilado o primeiro registro do romani: o livro “Egipt speche” (“Discurso Egípicio”) de Andrew Borde, o qual consistiu em 13 frases em romani com suas respectivas traduções para o inglês da época.
Ao longo dos séculos seguintes, o estudo do romanês ganhou destaque por conta da crescente presença dos roms na Europa. Dentre os principais nomes do estudo do romani temos o professor Johann Rüdiger da Universidade de Halle, e o linguísta alemão August Potts, este o qual ganhou destaque pelo primeiro estudo gramatical completo do romani e seus dialetos.
Em relação aos aspectos práticos da língua o Romani utiliza de sistemas de escrita de suas nações hospedeiras, majoritariamente o alfabeto latino, mas possui influências do alfabeto grego e alfabeto cirílico. Em relação a gramática, é possível observar fenômenos linguísticos proprios das linguas da família indo-ariana como marcadores de concordância de pessoa no presente e finais consonantais no caso nominativo.
Etimologia
Os principais endônimos, da língua em questão são romani chib, “língua dos romanis”, (romani sendo uma das designações do povo cigano, originada do termo rom o qual significa “homem”, mesmo grupos (tais como os sinti) que não se autodenominam rom ainda preservam essa palavra em seu dialeto com o sentido de “marido”.) amari chib, “nossa língua”, e "romanês”, “o jeito romani de falar” (o sufixo -anes significando “o jeito de”).
Outros nomes geralmente aparecem na forma de um caso genitivo- lovarengi chib, “língua dos lovara” (lovara, sendo originada da palavra húngara ló, a qual significa cavalo)- ou derivação adverbial- sintitikes, "o jeito Sinti de falar" (sinti sendo uma designação com etimologia incerta, mas possivelmente relaciona-las ao nome da região no atual Paquistão, Sindhi).
Já os exônimos, encontrados na literatura acadêmica, geralmente limitam-se ao uso do nome do grupo étnico usuário da língua ou dialeto, como xaladitica dialect e sinto language. [2]
Distribuição
O romani pode ser considerado como um grupo de dialetos ou mesmo de línguas relacionadas que têm uma origem comum e é relacionado de forma bem próxima com idiomas da Índia central e do norte, em especial com a língua pothohari. Essas semelhanças permitem supor a origem dos povos Roma e Sintos, e as palavras que foram aderindo ao romani permitem traçar o caminho da migração desses povos para a Europa. A teoria mais aceita é a de que estes povos vieram do norte da Índia e do atual Paquistão, sendo o romani classificado entre as línguas indo-arianas, assim como o hindi ocidental, o bhili, o guzerate, o caxemira e o rajastani.
O romani, o panjabi e o pothohari compartilham algumas palavras e características gramaticais. Estudo de 2003 na revista Nature sugere que o romani também se relacione com o cingalês do Sri Lanca. Ainda se discute se a palavra "Sintos" teria origem comum com o nome da região Sinde, do sul do Paquistão e oeste da Índia (Rajastão e Guzerate), no baixo rio Indo, ou se seria uma palavra romani de origem europeia.
Atualmente, há maior concentração de falantes dos dialetos romani na região do leste europeu, mais especificamente na Romênia, na porção ocidental da Rússia e no norte da Península Balcânica (Sérvia, Croácia e Bósnia). Ademais, o Romani possui status de língua oficial, a nível munucipal [3], em Kosovo e na Macedônia do Norte, e status oficial de minoria em países assinantes do Tratado Europeu de Populações e Línguas Minoritarias, dentre estes, Armênia, Áustria, Croácia, Finlândia, Dinamarca e Tchequia. [4]
Falantes
Ver tabela conforme os falantes na Europa conforme Bakker (2000) [5]. Na última coluna está a percentagem de falantes do romani dentre os Rom do país.
| País | Falantes | % |
|---|---|---|
| Albânia | 90,000 | 95% |
| Alemanha | 85,000 | 70% |
| Áustria | 20,000 | 80% |
| Belarus | 27,000 | 95% |
| Bélgica | 10,000 | 80% |
| Bósnia e Herzegovina | 40,000 | 90% |
| Bulgária | 350,000 | 80% |
| Croácia | 28,000 | 80% |
| Dinamarca | 1,500 | 90% |
| Eslováquia | 300,000 | 60% |
| Eslovênia | 8,000 | 90% |
| Espanha | 1,000 | 1% |
| Estônia | 1,100 | 90% |
| Finlândia | 3,000 | 90% |
| França | 215,000 | 70% |
| Grécia | 160,000 | 90% |
| Holanda | 3,000 | 90% |
| Hungria | 260,000 | 50% |
| Itália | 42,000 | 90% |
| Letônia | 18,500 | 90% |
| Lituânia | 4,000 | 90% |
| Macedônia do Norte | 215,000 | 90% |
| Moldávia | 56,000 | 90% |
| Polônia | 4,000 | 90% |
| Reino Unido | 1,000 | 0.5% |
| Rep. Tcheca | 140,000 | 50% |
| Romênia | 433,000 | 80% |
| Rússia | 405,000 | 80% |
| Sérvia e Montenegro | 380,000 | 90% |
| Suécia | 9,500 | 90% |
| Turquia | 280,000 | 70% |
| Ucrânia | 113,000 | 90% |
Dialetos
Os atuais dialetos romani se diferenciam pelo vocabulário, pelas evoluções de fonemas e pelas diferenças gramaticais acumuladas. Também, grande parte dos rom empregam o uso do romani associado às línguas dos países os quais residem.
Uma divisão muito aceita para as diversas formas do romani é aquela que caracteriza dois grupos principais de dialetos: os valáquios (de Vlach) e os não valáquis. Valáquis são os Rom que ficaram por muitos séculos na Romênia. A maior diferença entre os dois grupos é a quantidade de palavras oriundas da língua romena. Os dialetos valáquis são falados por mais da metade dos falantes do romani. Bernard Gilliath-Smith fez essa distinção e implantou esse termo Vlach em 1915 no livro "Relatório sobre as tribos ciganas no noroeste da Bulgária". A seguir outros grupos de dialetos foram reconhecidos em função primeiramente da localização geográfica e do vocabulário. Entre eles temos:
| Dialeto | Falado em |
|---|---|
| Romani Balcânico (Vlax ou Vlach) | Albânia, Bulgária, Grécia, Kosovo, Macedônia do Norte, Moldávia, Montenegro, Sérvia, Romênia, Turquia, Ucrânia |
| Romani de Gales | País de Gales |
| Romani Kalo-Finlandês | Finlândia |
| Romani Sinte | Áustria, Croácia, República Tcheca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia, Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Suíça |
| Romani dos Cárpatos | República Tcheca, Polônia (sul), Eslováquia, Hungria, Romênia, Ucrânia |
| Romani do Báltico | Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia (norte), Bielorrússia, Ucrânia e Rússia |
| Dialetos romani da Turquia | Thraki, falado na Trácia e em Üsküdar, distrito do lado anatólio do Bósforo (tem palavras vindas da língua grega).
Anatólio, com palavras vindas da língua turca e da língua persa. Posha, dos ciganos armênios da Anatólia do Leste, que se fixaram em Van, são chamados pelos curdos de Mytryp ("assentados"). |
História
História da língua
A origem exata do povo ancestral dos roms permanece oculta e em debate. Contudo, o trabalho linguístico de Potts evidenciou a grande relação com línguas indo-arianas novas, especialmente na região Punjab e Rajistão na atual Índia. Com essa descoberta, foi possível criar a teoria de que as diásporas romanis tiveram como ponto de partida o subcontinente indiano entre os séculos VIII e XI, coincidindo com o período de expansão árabe. Esta contemporaneidade é atestada pelo fato do nome comumente utilizado ao referir-se aos roms, “Gypsy”, é uma contração da palavra “Egyptian” (“egípcio” em inglês).
Especificando os estudos linguísticos, pesquisas feitas no século XIX por Pott e por Miklosich mostraram que o romani seria uma língua indo-ariana nova, e não uma língua indo-ariana medial. O principal argumento para uma migração ocorrida durante ou após a transição para indo-arianas novas é a perda do antigo sistema de casos e sua redução para caso de apenas duas vias (nominativo e oblíquo). Há ainda o argumento secundário quanto aos gêneros: romanês tem dois (masculino e feminino) e as Línguas Mediais têm três gêneros (mais o neutro), tendo algumas Línguas modernas indo-arianas o sistema antigo. Discute-se que a perda do gênero neutro não ocorreu até a transição para as NIA. A maior parte dos antigos substantivos neutros passou a ser masculina, poucos foram para o feminino. Esse paralelismo entre o desenvolvimento dos gêneros em romani e nas línguas NIA é tido como prova de que os Rom somente deixaram o Subcontinente Indiano mais tarde, por volta do século X.
Nas últimas décadas, estudiosos trabalharam para categorizar os dialetos romani sob pontos de vista linguísticos com base em evolução histórica e isoglóssias. Uma significativa parte desses trabalhos foi feita pelo linguista Norbert Boretzky, de Bochum, Alemanha, o pioneiro em listar e tabelar as características estruturais dos dialetos romani conforme as áreas geográficas, em mapas. Ele elaborou junto com Birgit Igla o Atlas dos Dialetos Romani, em 2005, que apresentava informações de isoglossas em mapas. Na Universidade de Manchester foram feitos trabalhos similares pelo lingüista e ativista de direitos romani, Yaron Matras, e seus assessores [6]. Junto com Viktor Elšík (mais tarde na Universidade Carlos de Praga), Matras compilou o maior e mais completo banco de dados das diversas formas morfossintáticas do romani. Esse banco de dados pode ser vista na página do Manchester Romani Project.[7]
É apresentada a teoria de classificação geográfica dos dialetos romani com base da difusão das inovações no espaço geográfico. O romani antigo (falado ao tempo do Império Bizantino) se deslocou para a Europa junto como os Rom durante os séculos XIV e XV. Esse grupos foram se estabelecendo e se espalhando nos séculos XVI e XVII, adquirindo fluência nas diversas línguas de contato. Com isso, as mudanças que foram se difundindo, como que em ondas, para criar o quadro de dialetos de hoje. Conforme Matras houve duas grandes inovações: Uma oriunda da Europa do Oeste (Alemanha e proximidades) que se espalhou para o Leste; Outra, da área valáquia, se espalhou para Oeste e Sul. Somadas a isso houve diversas diaglóssias regionais e locais, aumentando a complexidade dessas “ondas” de limites linguísticos. Matras considera algumas evidências como:
prótese de j- em “aro” >”jaro’ e em “ov” > “jov” (ele) – causada pela difusão “oeste-leste”.
adição protética do a- em ‘bijav” > “abijav” – causada pela difusão “leste-oeste” Sua conclusão defende que essas diferenças foram formadas “in situ” e não por diferentes “ondas” migratórias.
Atualmente o romani é falado por minorias em 42 países europeus. Um projeto da Universidade de Manchester vem transcrevendo pela primeira vez as diversas formas do romani, algumas das quais quase extintas.[8]
História da documentação
Os primeiros registros da língua datam do século XVI, ponto o qual o romanes já possuía características muito similares ao romanês atual. A primeira publicação em romani foi feita no livro “Egipt speche” (“Discurso Egípicio”) de Andrew Borde em 1542, o qual consistiu em 13 frases em romani com suas respectivas traduções para o inglês da época. A literatura anterior a esta limitava-se a uma descrição inespecífica da aparência do povo cigano (como um povo de pele escura proveniente do oriente). Nos séculos seguintes, devido ao interesse das autoridades de segurança públicas de compreender línguas faladas por grupos minoritários nas cidades, o estudo de romani teve um impulso significativo no século XVIII.
O primeiro rascunho de sistematização linguístico fora em 1777, feita pelo professor Johann Rüdiger da Universidade de Halle, na Alemanha. O próximo marco para o estudo da língua foi em 1845, quando August Friedrich Pott, linguista alemão que ganhou o título de “pai do romani”, compilou o primeiro dicionário de comparação gramatical e etimológico de Romani. Este estudo contribuiu para a visibilidade dos povos romani e para o estudo das raízes históricas da etnia.[2] Desde então, os aprofundamentos em etimologia e dialetos específicos cresceu e vem ganhando reconhecimento internacional, como com a declaração do Dia Internacional dos Povos Romani pela UNESCO.[11]
Fonologia
Ponto de articulação → | Bilabial | Labiodental | Alveolar | Pós-alveolar | Palatal | Velar | Uvular | Glotal |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p b | t d | k g | |||||
| Africada | ts dz | tʃ dʒ | ||||||
| Nasal | m | n | ŋ | |||||
| Vibrante | r | ʀ | ||||||
| Fricativa | f v | s z | χ | h | ||||
| Aproximante | j | |||||||
| Aproximante lateral | l |
Comparado ao alemão (e outras línguas europeias) o uso de aspirações faz-se muito presente. As africativas são pronunciadas de maneira monomórfica, ou seja, como apenas um som. A alveolar fricativa /z/ aparece em apenas algumas palavras e só aparece no começo. E a vibrante /ʀ/ pode ser pronunciada na posição dental ou uvular, a depender do falante.
Posterioridade → ↓ Altura | Anterior | Posterior |
|---|---|---|
| Fechada | i | u |
| Semifechada | ø | o |
| Semiaberta | ɛ | |
| Aberta | a | ɑ |
As vogais no romanês costumam ser pronunciadas de maneira curta e levam acentos agudos para indicar tonicidade na última e penúltima sílabas.
Ortografia
O romani utiliza o alfabeto latino em sua forma completa de 26 letras, sua leitura sendo realizada na horizontal, partindo da esquerda e de cima.
| Romani | Fonema (IPA) | Aproximação | Exemplo |
|---|---|---|---|
| a | a | mal | rat: sangue |
| e | ɛ | entre, em inglês red e, em espanhol huevo | mel: terra |
| i | i | cinco | trin: três |
| o | ø ou o | dos, ou, em francês eau | mol: vinho |
| u | u | Em espanhol luna | tumen: vos (pronome oblíquo) |
| j | y | Em inglês lye | jab: fogo |
| v | ʋ | Em inglês what | voliv: eu amo |
| b | b | boca | bibi: tia |
| c | ts | tsunami | cìrde: puxar |
| č | t͡ʃ | tchau | čačo: verdade |
| čh | shr | lačho:bom | |
| d | d | dano | dand: dente |
| dj | d͡ʒ | adjetivo | kerdjol: é-se feito |
| f | f | bafo | fôro: cidade |
| g | g | guiar | gindiv: eu penso |
| gj | d͡ʒ | mesmo que <dj> | gẹrco: gole, |
| h | h | Em inglês, house | hamome: misturado |
| k | k | cama | kaj: onde |
| l | l | bloqueio | love: dinheiro |
| m | m | maré | murro: meu |
| n | n | nada | naj: não há |
| nj | ŋ | manhã | ponjàva : carpete |
| p | p | pedra | perav : encho |
| ph | pʰ | mas com mais ar saindo ao pronunciar o som |
pherav: [eu] caio |
| r | r | para | bar : cerco |
| rr | ʀ | Em francês, rouge | barr : pedra |
| š | ʃ | xícara | šel : cem |
| t | t | tapa | tu : você |
| th | tʰ | <t> mas com mais ar saindo ao pronunciar o som | thuv: fumaça |
| v | v | violeta ou consoante muda | vov : ele |
| x | χ | Em escocês, loch | xas : estamos comendo |
| z | z | zoológico | zumaves: você está tentando |
| ž | dz | Em inglês, pleasure | ažutil : ela está ajudando |
Gramática
O estudo da gramática Romani não pode ser compreendido de maneira universal uma vez que cada dialeto possui regras sintáticas que não necessariamente se correlacionam com as demais. Portanto, o Romani a ser tratado nesta secção será o Vlax (falado pelos roms habitantes da Península Balcânica) ou o sinte (falado na Europa ocidental).
Artigos
Os artigos em romani são classificados como definidos ou indefinidos (ambos no caso reto ou oblíquo) e feminino ou masculino.
Artigos definidos
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| Caso reto | o rakl-o | le rakl-es |
| Oblíquo | le rakl-e-s | le rakl-e-n |
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| Caso reto | e rakl-i | le rakl-j-a |
| Caso oblíquo | le rakl-j-a | le rakl-j-a-n |
Artigos indefinidos
| Masculino | Feminino | |
|---|---|---|
| Caso reto | ekh rakl-o | ekh rakl-i |
| Caso oblíquio | ekh-e rakl-es | ekh-a rakl-ja |
Pronomes
| 1ª pessoa sing. | 2ª pessoa sing. | 3ª pessoa sing fem. | 3ª pessoa sing masc. | 1ª pessoa plu. | 2ª pessoa plu. | 3ª pessoa plu. | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Nominal | me | tu | joi | job | mer | tumer | jon |
| Dativo | mange | tuke | lake | leske | menge | tumenge | lenge |
| Acusativo | man | tut | la | les | men | tumen | len |
| Preposicionado | mande | tute | late | leste | mende | tumende | lende |
| Instrumental | mansta | tuha | laha | leha | mensta | tumensta | lentsa |
| Ablativo | mander | tuter | later | lester | mender | tumender | lender |
Os pronomes pessoais são marcados por número, gênero (na 3ª pessoa do singular) e caso. Os pronomes na 2ª pessoa do plural são usados como uma maneira formal de referir-se a uma pessoa.
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| Acusativo | pes | pen |
| Dativo | peske | penge |
| Preposicionado | peste | pende |
| Instrumental | peha | pentsa |
| Ablativo | pester | pender |
Os pronomes reflexivos são marcados apenas por número e caso, os finais seguindo o masculino. Tradicionalmente a função dativa dos pronomes reflexivos são utilizados para expressar uma visão pessoal ou para deixar uma frase mais emotiva. [17]
Substantivo
Os substantivos são marcados por gênero(feminino e masculino), número (singular e plural) e caso, os finais das palavras sendo uma fusão dos três. Isto torna impossível representar cada uma das variações de maneira independente.
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| feminino | phavi (maçã) | phavia (maçãs) |
| masculino | džuklo (cachorro) | džukle (cachorros) |
Verbos
O modo dos verbos em romani são divididos em 4 categorias: indicativo, condicional, subjuntivo, e o imperativo. Em relação a tempo e aspecto verbal, tem-se o presente, que é usado para referir-se ao futuro também, e o passado, o qual pessui dois aspectos: perfeito e imperfeito. O primeiro é usado para descrever eventos cronológicos, e a linha principal da fala. O segundo é usado para ações interminadas, descrever o cenário, identificação e explicação.[19]
| Presente | Passado perfeito | Passado imperfeito | |
|---|---|---|---|
| 1ª pessoa sing. | -ua | -om | -us |
| 2ª pessoa sing. | -h | -al | -hs |
| 3ª pessoa sing. | -la | -as | -hs |
| 1ª pessoa plu. | -h | -am | -hs |
| 2ª pessoa plu. | -na | -an | -ns |
| 3ª pessoa plu. | -na | -en | -ns |
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| 1ª pessoa | -oms | -ams |
| 2ª pessoa | -als | -ans |
| 3ª pessoa | -als | -ans |
| Singular | Plural | |
|---|---|---|
| 1ª pessoa | -p | -s |
| 2ª pessoa | -s | -n |
| 3ª pessoa | -l | -n |
Sentenças
O romani, em quesito de sintaxe, mantém a ordem sujeito + verbo + objeto + complemento, de maneira geral, abarcando relações de transitividade verbal entre verbo e objeto em intransitivo (com preposição) e transitivo (sem preposição). Em construções de sentenças passivas o verbo se encontra na última posição da frase, enquanto que em frases ativas vem diretamente após o sujeito.[20]
| Frases em romani | Ko rom phardas taisa ap o maršto i šuker grai dre. | I šuker grai vajas taisa ap o maršto dre phardas |
|---|---|---|
| Equivalência de termos em português | O homem trocou ontem no mercado um cavalo lindo. | Um cavalo lindo foi ontem no mercado trocado. |
| Tradução para português | O homem trocou um cavalo lindo no mercado ontem. | Um cavalo lindo foi trocado no mercado ontem. |
Em frases nominais, a sequência da frase se dá desta maneira:
| Advérbio | Pronome dmonstrativo ou possessivo/artigos | adjetivo | aposto |
|---|
Vocabulário
Expressões cotidianas
| Português | Romani (genérico) |
|---|---|
| Olá | Lachho dives (Bom dia)
Lachi tiri divés (Bom dia para você) |
| Como está? | Sar san?
Sar sijan? Sar si sogodi? So’i nevo? Sashin? |
| Adeus | Dja devlesa! (para a pessoa que está saindo)
Achh devlesa! (para a pessoa que vai ficar) |
| Onde fica o banheiro? | Kaj si toalet?
Kaj hi toalet? |
| Obrigado(a) | Nais
Nais tuke |
Amostra de texto
| Português | Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. (Artigo 1 – Declaração Universal dos Direito do Homem) | Romani | Sa e manušikane strukture bijandžona tromane thaj jekhutne ko digniteti thaj capipa. Von si baxtarde em barvale gndaja thaj godžaja thaj trubun jekh avereja te kherjakeren ko vodži pralipaja. |
|---|
Referências
Notas
- ↑ {cite web|https://www.ebsco.com/research-starters/language-and-linguistics/romany-languages
- 1 2 Matras 2002, pp. 18-19.
- ↑ «Learning about the languages of Serbia, Kosovo, and North Macedonia – Peace and Reconciliation in the Balkans». sites.middlebury.edu. Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ https://www.coe.int/en/web/conventions/full-list?module=signatures-by-treaty&treatynum=148 Em falta ou vazio
|título=(ajuda) - ↑ <Bekker> <2000>.
- 1 2 <Matras> <2002>.
- ↑ https://www.kratylos.org/~raphael/romani/
- ↑ Arquivado em 8 de junho de 2009, no Wayback Machine. e
- ↑ <Matras> <2002>, p. <18>.
- ↑ <Hancock> <1995>, pp. <17-23>.
- ↑ https://brasil.un.org/pt-br/292342-dia-internacional-dos-povos-romani
- 1 2 <Hancock> <1995>, pp. <37-42>.
- ↑ <Holzinger> <1995>, pp. <3-4>.
- ↑ https://drive.google.com/file/d/1yK3jYN3vY2qE2q2ouqS0nLI3hhdXTDnf/view
- ↑ <Hancock> <1995>, p. <55>.
- ↑ <Hancock> <1995>, p. <56>.
- ↑ <Holzinger> <1995>, p. <17-18>.
- ↑ <Holzinger> <1995>, p. <7>.
- ↑ <Holzinger> <1995>, p. <21-25>.
- ↑ <Holzinger> <1995>, pp. <29-30>.
- ↑ https://www-alsglobal-net.translate.goog/articles/language/top-20-translated-phrases-in-romani-language/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt&_x_tr_pto=sge
Bibliografia
Bekker, Peter (2000). "What is the Romani Languague?" (em inglês). Hatfield: University of Hertfordshire Press
Matras, Yaron (2002). "Romani: A Linguistic Introduction" (em inglês). Munique Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0-511-48679-1
Hancock, Ian (1995). A Handbook of Vlax Romani (em inglês). Austin: Slavica Publishers, Inc.
Holzinger, Daniel (1995). Romanes (sinte) (em inglês). [S.l.]: Lincom Europa. ISBN 3-89586-017-4
Ligações externas
- Language background and status[ligação inativa]
(Nota: ver também the links pages of the Manchester University Romani project.)
- A discussion about standardization
- Detailed discussion of the language
- Gelem gelem[ligação inativa]– Hino Romani - Som
- Lord's Prayer in Vlach Romani
- «Outline of Romani Grammar (Victor A. Friedman)» 🔗 (PDF)
- Partial Romani/English Dictionary(Compilação porAngela Ba'Tal Libal e Will Strain)
- Rom / Gypsies: Language(“The World Wide Web Virtual Library”)
- «Romcilikanes - The Romani dialect of Parakalamos» (PDF). (Y. Matras)
- Romani(Encyclopedia of Language and Linguistics article, by Y. Matras)
- Romani Archive and Documentation Center
- Romani in Europe
- Família Indo-Europeia/ Idiomas Romani
- Romani Lila[ligação inativa]– Catálogo sobre cerca de 15,000 livros e artigos sobre os “Rom” e Romanês
- Romani Origins - Veda encyclopedia
- Romani page by Fergus Smith
- Romani project at Karl-Franzens-University in Graz[ligação inativa]
- Romani project at Manchester University
- Romno-Kalo grammar (parts, in Spanish) by Juan de Dios Ramírez Heredia: A Propósito de Nuestro Idioma / Gramática Gitano (4) / Gramática Gitano (5)
- Classificação dos dialetos Romanês: A geographic-historical perspective](Y. Matras)
- The future of Romani: Toward a policy of linguistic pluralism(also here) (Y. Matras)
- The Rrom– Informações sobre a Língua
- The status of Romani in Europe– Relatório submetido ao “Council of Europe’s Language Policy Division’ - 2005 (Yaron Matras)
- Vikipidiya- Romanês na Wikipedia
- University of Hertfordshire Press– Livros de estudos sobre Romanês
- Omniglotalfabetos de Romani - em inglês
- ROMLEXLéxico romani. Tradutor de vários dialetos romani para várias línguas ocidentais.