Língua maori

Maori

Te reo Māori, te reo

Pronúncia:[maːɔɾi]
Falado(a) em:  Nova Zelândia
Total de falantes: c. 214 000 (em 2023)[1]
Família: Austronésia
 Malaio-polinésia
  Oceânica
   Polinésia
    Polinésia oriental
     Taítica
      Maori
Escrita: Alfabeto latino
Estatuto oficial
Língua oficial de:  Nova Zelândia
Regulado por: Te Taura Whiri i te Reo Māori
(Comissão da Língua Māori)
Códigos de língua
ISO 639-1: mi
ISO 639-2: mao (B)
mri (T)
ISO 639-3: mri
Porcentagem de falantes da língua maori em cada região neozelandesa (2013)
  Menos de 5%
  Entre 5% e 10%
  Entre 10% e 20%
  Entre 20% e 30%
  Entre 30% e 40%
  Entre 40% e 50%
  Mais de 50%

A língua maori (em maori: te reo Māori ou apenas te reo) é um idioma pertencente ao ramo polinésio oriental da família austronésia. Utilizada sobretudo pelo povo maori, nativo da Nova Zelândia (em maori: Aotearoa "a terra da grande nuvem branca"), representa uma das línguas oficiais do país, juntamente com o inglês e a língua de sinais neozelandesa.[2]

O idioma maori esteve presente no território da atual Nova Zelândia por séculos, possuindo vários dialetos regionais devido às diferentes ascendências das populações falantes e ao relativo isolamento entre elas. Foi a língua mais falada no país até metade do século XIX e, apesar da repressão da cultura maori durante e após o período colonial britânico, manteve sua presença nas comunidades nativas durante boa parte desse período. Após a Segunda Guerra Mundial, a migração em larga escala das pessoas maori para as cidades, onde o apagamento cultural persistia, fez o número de falantes entrar em rápido declínio e aproximou o idioma da extinção. Ao longo das últimas décadas, porém, iniciativas das comunidades maori pelo reconhecimento e pela recuperação do idioma têm tido sucesso, incluindo a sua oficialização em 1987.[3]

Apesar do aumento significativo no número de falantes nas últimas décadas, o Atlas Mundial das Línguas em Perigo da UNESCO (2011) classificou o idioma maori como "vulnerável".[4] Ademais, o percentual de pessoas maori que utilizam o idioma continua há anos em apenas 18%, demonstrando que o impacto da violência colonial contra os povos maori ainda persiste.[5]

Por ser uma língua isolante, a maioria dos morfemas em maori sofre poucas flexões ou nenhuma. Essas variações são indicadas pelas partículas, uma extensa classe de termos modificadores que permitem, dentre outras funções, a indicação de flexões de tempo, modo, número e caso.[6] Além disso, o idioma permite a construção de sentenças com agente enfático, nas quais há destaque para o realizador de uma ação passada ou futura. Essa construção, característica das línguas polinésias ocidentais, divide especialistas quanto à sua voz verbal e ao seu caso gramatical.[7][8] A língua maori também é marcada pela ausência de encontros consonantais e pela presença de vogais em todas as sílabas, com destaque para as dezenas de ditongos encontrados no idioma.[9]

Etimologia

O endônimo māori significa "normal', "comum" ou "nativo".[10] O termo possui cognatos em outros idiomas da família polinésia, como o taitiano (mā'ohi) e o havaiano (maoli).[11]

Na tradição oral dos povos maori, o termo distingue os humanos mortais (tāngata māori 'pessoas comuns') dos deuses e espíritos. Após a chegada dos colonizadores europeus a partir do final do século XVIII, a palavra maori passou a ser adotada para designar especificamente as comunidades nativas da atual Nova Zelândia, bem como a sua cultura e o seu idioma.[12] Mesmo assim, o endônimo do idioma, te reo māori 'a língua comum' (frequentemente abreviado para te reo 'a língua'), ainda carrega o significado original do termo.

Distribuição

Atrás apenas do inglês, a língua maori é o segundo idioma mais falado na Nova Zelândia, usado principalmente pelas iwi (nações, povos nativos). Dos cerca de 214 mil falantes, aproximadamente 182 mil são maori, representando pouco menos de 19% de toda a população maori na Nova Zelândia.[13] Nesses grupos étnicos, em 2018, jovens adultos com cerca de 30 anos ou menos (rangatahi) representavam mais da metade do total de falantes do idioma, sendo a maioria bilíngues com diferentes graus de fluência em inglês e na língua maori, enquanto a maior parte dos 38 mil falantes que têm o maori como único idioma se concentram em uma geração mais antiga, com indivíduos de 55 anos ou mais (kaumātua, 'anciões respeitados').[14]

Mapa das regiões da Nova Zelândia. Dentre elas, Northland (1) e Gisborne (5) concentram as maiores porcentagens de falantes de maori em todo o país.

Segundo o censo de 2023, as regiões com maior porcentagem de falantes da língua maori são Gisborne (16,9%) e Northland (10,1%), ambas na Ilha Norte, as quais também são as regiões neozelandesas com maior porcentagem de populações maori.[15]

Dialetos

Vários dialetos da língua maori, com alta inteligibilidade entre si, existem por todo o país. Possuem pequenas variações na pronúncia, na gramática e no léxico devido a diferenças na origem das comunidades falantes e na assimilação de aspectos de outros idiomas. Há décadas, linguistas distinguem os dialetos sobretudo em ocidentais ou orientais, mapeando características como as diferenças entre o uso dos ditongos ei e ai. Outra separação existente é entre o maori da Ilha Norte (subdivido em dialetos ocidentais e orientais), cujo uso e registro predominam, e o maori da Ilha Sul, classificado por alguns especialistas como como uma variação oriental que possivelmente sofreu maior influência dos idiomas marquêsicos. Nesse dialeto menos utilizado, há vários vocábulos em que o fonema /ŋ/, representado por ng, se modificou em /k/.[16]

Comparação entre dialetos da língua maori[17]
Waikato (oeste) Ngāti Porou (leste) Tradução em português
teina taina "irmão/irmã mais novo(a) do mesmo sexo"
kei kai "em"
wheeiro whaairo "visto(a), entendido(a)"
Maioria dos dialetos

(Ilha Norte)

Maioria dos dialetos

(Ilha Sul)

Tradução em português
anga aka "concha"
punga puka "âncora"

Línguas relacionadas

O maori faz parte do ramo polinésio ocidental da extensa família austronésia, a qual contém mais de mil de idiomas espalhados por uma porção vasta dos oceanos Índico e Pacífico.[18] Por sua localização geográfica, é o idioma mais austral dessa família. Dentre os demais idiomas do ramo polinésio ocidental, os mais semelhantes ao maori são os demais do sub-grupo taítico: o maori das Ilhas Cook ou rarotongano e o dialeto do taitiano falado no Arquipélago da Sociedade, territórios de origem dos primeiros polinésios a habitarem a Nova Zelândia.[17] A língua também é próxima do havaiano falado no Havaí, do tuamotuano, do marquesano e do mangarevano falados na Polinésia Francesa e do rapa nui, falado na Ilha de Páscoa.

Polinésio ocidental

Rapa Nui

Polinésio centro-ocidental
Taítico

Maori

Rarotongano/Maori das Ilhas Cook

Taitiano

Tuamotuano

Marquêsico

Havaiano

Marquesano

Mangarevano

História

Entalhe de koru, símbolo representativo da vida e do retorno às origens na cultura maori

Ao longo dos séculos XIII e XIV, navegadores polinésios desembarcaram e se estabeleceram nas ilhas da atual Nova Zelândia, dando origem aos povos, à cultura e à língua maori.[19] Por muitos séculos, apesar do idioma não possuir uma forma escrita, os maori realizavam registros em entalhes, nós e tecidos, com símbolos cujo significado era amplamente conhecido entre os povos nativos. A escrita com o alfabeto latino, trazida pelos colonos, missionários e navegadores europeus (chamados de pākehā pelos nativos) que chegaram ao território a partir do século XVIII, só começou a ser adotada de 1814 em diante, mudança que foi absorvida pelos falantes nativos em poucos anos.[20]

Até a primeira década da colonização britânica (1840–1907), a língua maori era a mais presente no país, sendo utilizada amplamente não só pelos nativos, que ainda predominavam, mas também pelos pākehā. Porém, por volta de 1850, o inglês se tornou a língua mais utilizada na Nova Zelândia e, com o crescimento da população europeia e as inúmeras mortes dos nativos devido a guerras contra os colonizadores e a doenças, os povos maori logo se tornaram uma minoria populacional.[21]

Foram iniciadas, nesse mesmo período, medidas oficiais pela assimilação da cultura maori. O Education Ordinance Act de 1847 estabeleceu o inglês como idioma oficial das escolas do país[22], sendo sucedido por leis e políticas cada vez mais restritivas que permitiram que, no início do século XX, estudantes maori que utilizassem o seu idioma recebessem castigos físicos como punição.[23] Tais medidas, somadas ao isolamento cultural e à marginalização vivenciados ao longo da intensa migração dos maori para as cidades a partir dos anos 1940, fizeram com que o percentual de crianças falantes do idioma caísse de 90% em 1913 para apenas 26% em 1953. Com aproximadamente apenas 30 mil falantes em meados desse mesmo século, o maori chegou a ser considerado um idioma à beira da extinção.[24]

Ativistas protestando contra a expulsão das comunidades maori de Bastion Point, Auckland (1975)

Nos anos 1960 e 1970, inspirados pela resistência ao apartheid na África do Sul e pelo movimento dos direitos civis nos EUA, vários ativistas maori iniciaram movimentos pela reivindicação dos direitos das suas nações, como a ocupação contra a desapropriação de terras maori em Bastion Point, em Auckland, e a Marcha pelas Terras Māori, que percorreu mil quilômetros até o Parlamento da capital Wellington em protesto às perdas culturais e territoriais enfrentadas pelos maori.[25] O engajamento político, social e cultural durante o "renascimento maori" permitiu conquistas significativas ao longo das décadas seguintes, como a formação da Te Taura Whiri i te Reo (Comissão da Língua Maori) e a oficialização do idioma em 1987, a criação de instituições de ensino em maori e a recuperação de terras das comunidades nativas. O resgate e a renovação do idioma continuam desde então, avançando com a ampliação da presença do maori nos meios de comunicação, na política e no cotidiano na Nova Zelândia.[26]

Whina Cooper (1895-1994), kaui 'anciã' e ativista maori, liderando a marcha até Wellington (1975)

Mesmo assim, a recuperação da língua e da cultura maori como um todo enfrentam desafios. Um deles é o reconhecimento do nome nativo do país (Aotearoa, 'a terra da grande nuvem branca') que, apesar de ter se tornado mais e mais popular desde o renascimento maori, ainda enfrenta obstáculos em sua oficialização, como a resistência de Ministros do Parlamento e a falta de referendos oficiais para consultar a opinião dos neozelandeses, ainda divididos sobre o assunto. Em 2021, o Partido Maori (Te Pāti Māori) lançou uma petição pela oficialização dos nomes maori das cidades, das regiões e do país até 2026, porém não obteve sucesso até então. Ademais, algumas comunidades da Ilha Sul (Te Waipounamu, 'o lugar de jade') discordam do uso do nome Aotearoa, originalmente associado apenas à Ilha Norte, e defendem a junção dos dois nomes maori das ilhas — Aotearoa me Te Waipounamu — para nomear o país.[27][28]

Fonologia

Consoantes

Quadro de consoantes da língua maori
Ponto de articulação →
BilabialLabiodentalAlveolarVelarGlotal
Plosiva p          t          k         
Nasal          m          n          ŋ
Tepe ou flepe          ɾ
Fricativa f          h         
Aproximante          w

O idioma maori conta com 10 fonemas consonantais, listados na tabela acima. Uma característica peculiar da fonética maori é a ausência de consoantes sibiladas, como [s] e [ʃ], tipo de fricativa mais comum ao redor do mundo.[29]

Existem poucos casos de variação alofônica nas consoantes do idioma. Entre alguns falantes, os fonemas /t/e /f/ são substituídos livremente por suas formas alófonas /t̪/e /ɸ/, respectivamente. Já /h/ pode variar de fricativa velar a palatal[30] e pode também ser labializada em certos vocábulos, como hoa "amigo(a)". Ademais, o vozeamento de fonemas consonantais surdos e o desvozeamento de consoantes sonoras também foram documentados em falas mais rápidas.[31]

A distinção entre as consoantes nasais /m/, /n/ e /ŋ/, todas sonoras e marcadas pela obstrução total da cavidade bucal, ocorre sobretudo devido ao ponto de articulação de cada uma: labiodental, alveolar e velar, respectivamente. Já a distinção entre os fonemas orais fricativos ocorre primoridialmente da presença ou ausência de vozeamento, com o ponto de articulação como critério secundário.[32]

Vogais

A língua maori possui 10 vogais, sendo 5 curtas e 5 longas, listadas abaixo. O aglutinamento desses fonemas em ditongos é um fenômeno marcante no idioma, permitindo a formação de palavras e até mesmo frases inteiras sem consoantes. Ademais, Hohepa (1969) declara que a variação alofônica praticamente inexiste no idioma,[33] porém fontes mais recentes registram, sobretudo entre falantes mais jovens, a assimilação de vogais do inglês neozelandês como formas alófonas das vogais do maori. Assim, entre esses falantes, são costumeiros os alófonos [ʉ] para o fonema /u/ e [əʉ] para /au/.[34]

Quadro de vogais da língua maori
Anterior Central Posterior
Fechada i, u,
Central e, o,
Aberta a,

Tonicidade

O principal fator na tonicidade é o prolongamento de vogais, geralmente presentes na primeira sílaba dos vocábulos em que aparecem e quase sempre marcando a sílaba tônica.[35] As vogais longas, com duração aproximadamente duas vezes maior do que a de uma vogal única, são uma característica marcante do idioma e permitem a diferenciação de vários vocábulos. São frequentemente escritas com os mesmos grafemas das vogais únicas, porém com a adição de um mácron ( ¯ ) para indicar o prolongamento do fonema.[36]

  • keke "bolo" ~ kēkē "axila"
  • wahine "mulher" ~ wāhine "mulheres"
  • puka "árvore Meryta sinclairii" ~ pukā "impaciente"
  • kiki "chutar" ~ kīkī "falar"

Ortografia

A primeira gramática que pautou a escrita do maori com o alfabeto latino foi A Grammar and Vocabulary of the Language of New Zealand (Gramática e Vocabulário da Língua da Nova Zelândia), publicada pelo linguista Samuel Lee da Universidade de Cambridge, juntamente com o reverendo Thomas Kendall, o líder maori Hongi Hika e o jovem Waikato (ambos do povo Ngātahui, da Ilha Norte) em 1820.[37]

Hongi Hika (1772–1828), líder (rangatira) e guerreiro do povo Ngāpuhi na Ilha Norte que participou da elaboração da primeira gramática da língua maori

Essa sistematização passou por múltiplas adaptações, realizadas em sua maioria por missionários no século XIX e posteriormente por linguistas na primeira metade do século XX, como Bruce Biggs, linguista de ascendência Ngāti Maniapoto (uma etnia maori da Ilha Norte) formado pela Universidade de Auckland. O alfabeto maori padronizado por Biggs e utilizado até os dias atuais é, nessa ordem: A, E, H, I, K, M, N, O, P, R, T, U, W, Ng, Wh.[38] Vale notar que, por convenção de gramáticos e linguistas ao longo da história, os grafemas ng e wh são letras, e não dígrafos; wh não representa uma junção de w e h, bem como o grafema g não existe isoladamente no idioma.

Alfabeto da língua maori
Letras AFI Aproximações com outros idiomas
A /a/ caro
Ā // no inglês: bar
E /e/ perto
Ē // no inglês: yeah
H /h/ no inglês: head
I /i/ milho
Ī // no inglês: cheese
K /k/ barco
M /m/ mato
N /n/ navio
O /o/ lote
Ō // no inglês: awkward
P /p/ pasta
R /ɾ/ aranha
T /t/ telha
U /u/ caju
Ū // no inglês: loop
W /w/ no inglês: watch
Ng /ŋ/ pingo
Wh /f/ farinha

A escrita das vogais longas admite, em geral, duas formas: a duplicação do grafema da vogal curta ou a escrita dessa com um mácron (tohutō). Ambas são utilizadas desde o século XIX, no entanto a escrita duplicada foi preferida por um bom tempo, uma vez que tipógrafos, máquinas de escrever e vários computadores não possuíam o sinal gráfico em questão. Em 1987, a Comissão da Língua Maori oficializou o uso do mácron, que atualmente representa o registro escrito mais usado, porém a duplicação de vogais ainda permanece comum na região de Waikato.[39]

Gramática

Boa parte dos sintagmas da língua maori são divididos em 2 classes: as partículas, termos modificadores que acompanham e complementam as bases ou lexemas, que são substantivos, adjetivos, pronomes e verbos,[40] sendo a classe dos termos compõem o núcleo das frases.

Partículas

Uma classe de palavras característica das línguas polinésias, as partículas podem exercer inúmeras funções, como preposições, marcadores de tempo e/ou modo verbal, artigos e determinantes interrogativos ou possessivos.[41] Em muitos casos, as mesmas partículas podem exercer funções diferentes, a depender dos termos que acompanham e de sua posição na frase. A partícula kia, por exemplo, pode expressar imperativos que indicam desejos ou comandos, mas, com a partícula ka, também pode indicar o tempo verbal futuro.

  • Kia ora! '(Que você) tenha saúde!' (cumprimento maori mais utilizado)
  • Kia oti ngā mahi, ka whakatā tātou. 'Quando os trabalhos terminarem, iremos descansar'

Além dessas, algumas das partículas da língua maori e suas principais funções numa frase são:[42]

  • i - indicador de tempo verbal passado ou preposição 'em' (no passado)
  • nā/nō - preposição de posse/pertencimento no passado
  • mā/mō - preposição de finalidade ou posse/pertencimento no futuro
  • ki - preposição 'para'
  • e - indica imperativos ou tempo verbal futuro
  • kua - indica ações completas, no futuro perfeito ou o pretérito perfeito
  • kei - 'com' (quando acompanha pronomes), 'em' (quando acompanha nomes de lugares)
  • te - indica tempos verbais contínuos no passado (i te) ou no presente (kei te)
  • ko - dá ênfase à base que essa partícula antecede

Artigos

Além do artigo pessoal a, que precede e indica nomes de lugares ou pessoas, são usados dois artigos definidos — te (singular), ngā (plural) — e três indefinidos: he (sem número), tētahi (singular) e ētahi (plural). Também existem os artigos sem classificação taua (singular) e aua (plural), ambos anafóricos.[43]

  • te whare 'a casa'
  • Moe ngā hōiho 'os cavalos dormem' (literalmente 'dormem os cavalos')
  • he waka 'uma(s) canoa(s)'
  • Kei te mātakitaki a Mere i ētahi koti 'Mere está olhando para alguns casacos'

Demonstrativos

Formam os adjetivos demonstrativos. Situam objetos e sujeitos dentro e fora do discurso, sendo eles:[44]

  • -nei (indica algo/alguém próximo do falante)
  • -nā (indica algo/alguém próximo do interlocutor)
  • -rā (indica algo/alguém distante do falante e do interlocutor)

Interrogativos

Possuem classificação ambígua, devido à inconstância e à falta de padrões claros.[45] Alguns dos termos interrogativos mais comuns são:

  • wai 'quem?'
  • aha 'o quê?'
  • hea 'onde?/quando?'
  • hia 'quanto(s)/quanta(s)?'
  • pēhea 'como?'
  • tēhea 'qual?'

Pronomes

Pronomes pessoais

Singular Dual Plural
1ª pessoa exclusivo au / ahau māua mātou
inclusivo tāua tātou
2ª pessoa koe kōrua koutou
3ª pessoa ia rāua rātou
Representação gráfica dos pronomes pessoais da língua maori. Pessoas gramaticais: 1ª (em verde), 2ª (em azul), 3ª (em cinza)

Nesse idioma, como em outras línguas polinésias, os pronomes pessoais possuem três classes: singular (um referente), dual (dois referentes) e plural (três ou mais referentes). Além disso, os pronomes da primeira pessoa do plural podem ser inclusivos, quando o grupo de pessoas a quem se refere inclui o interlocutor, ou exclusivos, quando o interlocutor não faz parte desse grupo,[46] conforme ilustra a imagem.

Pronomes possessivos

São os pronomes que mais possuem variações, que podem ser em número, pessoa, clusividade (como ocorre nos pronomes pessoais) e classe possessiva. Essas são dividas em classe a ou classe o, ambas marcadas por muitos casos e exceções específicos. Em geral, cada pronome possessivo se inicia com as preposições / ou mā/mō; ou com tā/tō, cujos respectivos plurais são ā/ō. Quando estão nas formas duais e plurais, são sucedidos pelo pronome pessoal de mesma flexão. As formas mais comuns desses pronomes constam na tabela abaixo.[47][48]

Sujeito Objeto
Número Pessoa Um (singular) Dois ou mais (plural) Número indefinido
Singular 1 tāku/tōku āku/ōku nāku/nōku

māku/mōku

2 tāu/tōu āu/ōu nāu/nōu

māu/mōu

3 tāna/tōna āna/ōna nāna/nōna

māna/mōna

Dual 1 inclusiva tā/tō tāua ā/ō tāua nā/nō tāua

mā/mō tāua

1 exclusiva tā/tō māua ā/ō māua nā/nō māua

mā/mō māua

2 tā/tō kōrua ā/ō kōrua nā/nō kōrua

mā/mō kōrua

3 tā/tō rāua ā/ō rāua nā/nō rāua

mā/mō rāua

Plural 1 inclusiva tā/tō tātou ā/ō tātou nā/nō tātou

mā/mō tātou

1 exclusiva tā/tō mātou ā/ō mātou nā/nō mātou

mā/mō mātou

2 tā/tō koutou ā/ō koutou nā/nō koutou

mā/mō koutou

3 tā/tō rātou ā/ō rātou nā/nō rātou

mā/mō rātou

  • tāku pene 'minha caneta'
  • Māu tēnei putiputi 'estas flores (são) para você'
  • Nōku tēra pukapuka 'Esse livro é meu'

Substantivos e adjetivos

Família maori em frente à sua casa em Rotorua (c.1880-1889)

Uma vez que gênero gramatical não existe na língua maori[49], os substantivos e adjetivos não apresentam flexões desse tipo. Além disso, flexões de número são pouco comuns, ocorrendo geralmente pelo prolongamento da vogal da sílaba tônica (em substantivos) ou pela repetição da sílaba tônica (em adjetivos).[50]

  • te pōtae 'o chapéu' -> ngā pōtae 'os chapéus'
  • te rākau whero 'a árvore vermelha' -> ngā rākau whero 'as árvores vermelhas'
  • te tupuna 'o/a ancestral' -> ngā tūpuna 'os/as ancestrais'
  • he tao roa 'uma lança grande' -> ngā tao rorora 'as lanças grandes'
Principais subdivisões dos substantivos e adjetivos em maori
Descrição
Substantivos Comuns Podem ser seguidas por determinantes como o artigo definido ngā 'os/as' e indefinido he 'um(a)'.

ex. ngā kurī 'os cães'

Locativas Indicam expressões de lugar ou de tempo. Quando complementadas por certas partículas, como ki 'para' (preposição), não possuem determinante.

nanahi 'ontem'

ki Aotearoa 'para a Nova Zelândia'

Pessoais Incluem nomes de povos maori, pronomes pessoais, o termo interrogativo wai 'quem' e, entre alguns falantes, nomes dos meses do ano. São acompanhadas pelo artigo pessoal a.

ki a Hūria 'para Júlia'

hei a Pipiri 'em junho' (no futuro)

Adjetivos demonstrativos Indicam modo e/ou posição.

Homai tēnei pukapuka 'Dê-me este livro' konei 'aqui'

pērā 'daquela forma, daquele modo'

Caso nominativo

Segue a ordem padrão de (Complemento) + Verbo + (complemento) + Sujeito + (Complemento). Como não existem verbos ser ou estar no maori, frases no caso nominativo podem não possuir verbos.[51] Os núcleos podem não ter uma partícula posposta.

  • He nui te whare 'A casa é grande' (literalmente 'Uma grande a casa')
  • Kei te moe au 'Eu estou dormindo' (literalmente '(estou) dormindo eu'; partículas kei te indicam presente contínuo do verbo moe 'dormir')
  • Kua noho te ngeru 'O gato se sentou' (literalmente 'Sentou o gato'; partícula kua indica pretérito perfeito)

Caso genitivo

Frases genitivas podem usar as partículas possessivas /[52], ā/ō ou modificações dessas.[53]

  • Pani tēnei hōiho 'Este cavalo de Pani'
  • Tēnei taha ōku 'Este lado de mim'
  • I tūtaki ahau ki tētahi hoa o rāua 'Eu conheci algum(a) amigo(a) deles(as)

Também ocorrem várias construções sem partículas preposicionais, além de algumas com a partícula 'um tipo de' e a/o 'de', quando a possuidor é um nome próprio.[54]

  • ngā toenga mīti 'os restos (da) carne'
  • he whakāro 'um tipo de pensamento'
  • Te pukapuka a Hine O livro de Hine'

Caso acusativo

Objetos diretos são antecedidos pela partícula i, que os conecta ao sujeito.[55]

  • Ka tango ia i tētahi hua. 'Ele pegou alguma fruta

Nesse caso, é possivel uma construção de agente enfático (ou seja, uma construção que destaca o realizador da ação), com as partículas possessivas / para no passado ou / no futuro, aparentemente seguindo a ordem SOV ou SVO. Porém, a classificação do agente como sujeito da frase ou parte do predicado permanece ambígua entre especialistas.[56] A classificação do caso gramatical dessa construção, amplamente considerada acusativa, também possui divergências, uma vez que alguns linguistas a apontam como uma possível evidência de caso ergativo no idioma.[57]

  • Nā Rewi e pukapuka i hari 'Rewi carregou um livro' ou 'Um livro foi carregado por Rewi'
  • Mā te kaiako e tuhitui he reta 'O professor escreverá uma carta' ou 'Uma carta será escrita pelo professor'
  • Nā Mere i whakapai te tēpu 'Foi Mere quem pôs a mesa' ou 'A mesa foi posta por Mere'

Caso dativo

A indicação do objeto direto é a mesma do caso acusativo, enquanto as partículas ki e mā/mō geralmente apontam o beneficiário, que pode atuar como objeto indireto. A linguista Winifred Bauer questiona a utilidade dessa classificação ao considerá-la pouco específica,[58] mas o conceito de frases dativas na língua maori permanece registrado e em uso.[59]

  • Kei te whakamārama ia i ngā kōrero pakitara ki ngā tamariki 'Ela está explicando as histórias para as crianças'
  • Kua mahia e Moana he kapu tī rātou 'Moana fez uma xícara de chá para eles'

Caso instrumental

O principal marcador do caso instrumental é a partícula ki, que, nesses casos, funciona como preposição 'com'.[60]

  • Tapahia te mīti ki te naihi koi 'Corte a carne com a faca por favor'

Caso locativo

O caso locativo conta com várias variações a depender da ideia transmitida sobre espaço ou tempo, podendo indicar origem geográfica, época, destino e posição.[61]

  • Haere ki Tamaki 'Vá para Auckland'
  • Ngā tāngata o Rio 'As pessoas (originárias, vindas) do Rio'
  • Ngā wāhine o tōu whakareanga 'As mulheres da sua geração'
  • Kei roto ngā āporo i te rourou 'As maçãs estão dentro da cesta' (lit. 'Dentro as maçãs da cesta')

Verbos

Na língua maori, os verbos são invariáveis, e as ideias de tempo e modo verbal são trazidas pelas partículas que modificam o verbo.[62] Vale notar que não existem verbos equivalentes a ser ou estar no idioma. Essa classe de palavras é subdividida em quatro:

Subdivisões dos verbos da língua maori
Descrição
Verbos Transitivos Exigem objeto direto, geralmente marcado pela preposição i (em).

Kei te patu ia i tāna kurī 'Ele está batendo no cachorro dele'

De experiência Também chamados de "verbos médios" em outras línguas polinésias, são verbos associados a sensações e experiências.

I rongo a Rangi i te heihei 'Rangi ouviu o galo'

Neutros Em geral possuem sujeito paciente. Esses verbos possuem sufixos apassivadores como -ina, -tia e -whina.

Kua whakarekatia te inu 'A bebida foi adoçada'

Intransitivos Não exigem complemento.

I oma atu rātou 'eles correram'

Tempos verbais

O maori conta com poucas flexões de tempo verbal, todas indicadas por partículas ao início da frase: kei te (presente), ka (futuro ou uma ação que sucedeu outra citada previamente), kua (pretérito perfeito, ou seja, ações já terminadas), i (pretérito), e ana (gerúndio).[63]

  • E more ana a Hine 'Hine está dormindo'
  • Ka hoki mai ia 'Ele voltará'
  • Kua inu te tamaiti i te miraka 'A criança bebeu o leite' (literalmente 'Bebeu a criança o leite')
  • Kei te haere au ki te hui 'Eu vou à reunião' (no presente)

Modo indicativo

Esse modo não é indicado por partículas, as quais são utilizadas nele apenas para especificar o tempo verbal.[64]

  • Kua whati te rākau 'O galho foi quebrado'
  • E horoi ana ia te motokā 'Ele está lavando o carro'
  • I pātōtō ia i runga i te tēpu 'Ela bateu na mesa'

Modo imperativo

Os imperativos dos verbos em maori são geralmente indicados pela partícula kia antes dos verbos neutros e médios (sendo também utilizada com adjetivos, quando o predicado é nominal), enquanto os transitivos e intransitivos podem ser antecedidos pela partícula e, ou podem não possuir nenhum marcador de modo.[65] Esse modo indica conselhos, ordens e desejos.

  • Haere mai! 'Venha aqui!'
  • E noho! 'Sente!'
  • Kaua e moe roa! 'Não durma demais!'
  • Kia tūpato te tapahi! 'Corte com cuidado!'
  • Kia ora! 'Esteja saudável!' ou 'Tenha saúde!'

Também existe o "imperativo fraco", marcado pela partícula me (cuja tradução aproximada é 'deve/deveria').[66]

  • Me haere koe ki te kāinga! 'Você deve ir para casa!' (lit. 'Deve você ir para a casa!')
  • Me tuhi kōrero koutou inaianei 'Você deveria escrever uma história agora'

Modo condicional

Esse modo pode ser marcado por várias partículas, com destaque para mehemea (utilizada em qualquer tempo) e ki te (em qualquer tempo que não seja o pretérito).[64]

  • I pātai mai ia mehemea kei te haere au ki te hui 'Ele perguntou se você estava indo para a assembleia'
  • Ki te ua āpōpō, ka noho au ki te kāinga 'Se chover amanhã, eu ficarei em casa' (lit. 'Se chover amanhã, ficarei eu em casa')

Sentenças

Assim como em outros idiomas da família polinésia, a parte mais básica da sintaxe é a sentença, e não a palavra. Cada sentença padrão possui um núcleo formado por uma ou mais bases e, em sua periferia, uma partícula preposta e outra posposta.[67] Na língua maori, a ordem de constituintes, em geral, é VSO (Verbo-Sujeito-Objeto).[68]

  • Kua wareware ahau ki tōu ingoa - 'eu esqueci o seu nome' (literalmente 'esqueci eu seu nome')
  • Ka haere atu koe ki te kanikani? - 'Você vai para a dança?' (lit. 'vai você para a dança?')

Negativas

Em maori, frases negativas costumam seguir a ordem SVO, nas quais a negação é marcada por partículas como kāore (negativa padrão), kaua e (para imperativos) e ehara (predicados nominais iniciados por artigos ou pela partícula enfática ko, bem como as frases com agente enfático, nas quais nā, nō, mā ou dão ênfase ao agente da sentença).[69][70]

  • Kāore te whare i hangaia e Bob. 'A casa não foi construída por Bob' (lit. 'Não a casa construída por Bob')
  • Kaua e haere! 'Não vá!'
  • Ehara nā rātou te whare i hanga. 'Eles (agente enfatizado) não construíram a casa' (lit. 'Não eles construíram a casa')

Interrogativas

Podem ser indicadas por uma mudança de entonação. Perguntas de sim () ou não (kāo) e perguntas com predicados nominais seguem a ordem padrão dos constituintes. Em ambas, artigos ou expressões de lugar, tempo ou ênfase geralmente iniciam a frase, ou, quando esses não estão presentes, as partículas interrogativas.[71]

  • A tēnei pō, ka haere a Hata ki te tāone? 'Hata vai à cidade esta noite?'
  • Ko wai kei roto i kāpata rā? 'Quem está no armário?'
  • Nō hea koe? 'De onde você é?'

Por outro lado, em outras perguntas, o sujeito ou o objeto da sentença que sucede essas partículas.[72]

  • Nā te aha koe i mataku ai? 'Por que você se assustou?' (lit. 'Por que/Por qual motivo você assustou?)
  • Ko ēhea ngā pukapuka kua pānuitia e koe? 'Quais livros você já leu?' (lit. 'Quais livros já foram lidos por você?')
  • Nōnahea ia i tae mai ai? 'Quando ele chegou?'

Vocabulário

Haka

A haka é uma dança tradicional coletiva presente há séculos na cultura maori, possuindo diversos propósitos, como acolher convidados, elevar a moral entre guerreiros antes de uma batalha, intimidar oponentes e homenagear figuras importantes do passado e do presente de uma comunidade. Segundo um conto da tradição oral maori, a primeira kapa haka ('haka em fileiras') foi realizada por um grupo de mulheres para fazer o sacerdote traidor Kae, que havia se escondido em seu vilarejo após matar a baleia de estimação de Tinirau (ancião protetor dos peixes), sorrir diante da apresentação e mostrar os seus característicos dentes tortos, permitindo que Tinirau o encontrasse e o matasse.[73]

Essa prática, duramente condenada e reprimida durante as primeiras décadas do contato entre os maori e os europeus, atualmente representa uma das manifestações da cultura maori mais conhecidas dentro e fora da Nova Zelândia. Além da realização de haka em competições e eventos culturais, essa tradição também está presente nas partidas da equipe de rugby neozelandesa All Blacks. Uma das melhores equipes do mundo no esporte, os All Blacks apresentam desde 1905 a haka Ka Mate, composta em meados de 1820 por Te Rauparaha, exímio líder e guerreiro da etnia Ngāti Toa.[74]

All Blacks apresentam uma haka no Estádio de Westpac, em Wellington (2011)

Parte principal de Ka Mate

Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora!

Ka mate, ka mate! Ka ora, ka ora!

Tēnei te tangata pūhuruhuru

Nāna nei i tiki mai whakawhiti te rā

Ā, upane! Ka upane!

Ā, upane, ka upane... whiti te rā!

Aquarela do líder e guerreiro Te Rauparaha (1768-1849)

Tradução em português:

Eu morro! Eu morro! Eu vivo! Eu vivo!

Eu morro! Eu morro! Eu vivo! Eu vivo!

Este é o homem cabeludo

Que invoca o sol e o faz brilhar

Um passo adiante, um passo adiante!

Um passo adiante, mais outro... o sol brilha!

Dias da semana

No idioma, existem duas formas de escrita para os dias da semana, conforme a tabela: uma, utilizada desde o início do século XX, com transliterações dos nomes na língua inglesa da segunda-feira à sexta-feira; a outra, mais moderna e proposta pela Comissão da Língua Maori, com nomes que retomam deuses e nomes antigos de corpos celestes na cultura maori. Em geral, ambas as formas possuem os mesmos nomes para o sábado e para o domingo, nomes próprios ao idioma maori e tendo origem em tradições desses povos.[75] Por outro lado, algumas gramáticas elaboradas em décadas anteriores registram a transliteração Harerei (do inglês Saturday) para o sábado.[76]

Dias da semana em maori
Português Forma tradicional

(transliteração do inglês)

Forma moderna e significado
Segunda-feira Mane Rāhine "dia da lua"
Terça-feira Tūrei Rātū "dia de Tūmatauenga" (deus da guerra e de Marte)
Quarta-feira Wenerei Rāapa "dia de Aparāngi" (Mercúrio)
Quinta-feira Taite Rāpare "dia de Pareārau" (Júpiter)
Sexta-feira Paraire Rāmere "dia de Meremere" (Vênus)
Sábado Rāhoroi "dia da lavagem, da limpeza"; indica o costume do início do período colonial de se lavar as roupas antes do domingo, dia dos cultos protestantes
Domingo Rātapu "dia sagrado"; reflete o conceito do tapu, ou seja, um estado divino de algo ou alguém (nesse caso, de um dia de descanso), que não deve ser descumprido ou violado
Tino Rangatiratanga 'Soberania absoluta', bandeira nacional dos povos maori criada em 1989. Cada cor simboliza um reino na cosmologia maori: preto para Te Korekore (o vazio, a existência em potencial), vermelho para Te Whai Ao (o nascimento) e Te Ao Mārama (a vida e a luz)

Hino Nacional da Nova Zelândia

Escrita originalmente como um poema e depois transformada em canção na década de 1870, "God Defend New Zealand" (Deus Defenda a Nova Zelândia) teve sua primeira tradução não literal em maori, entitulada "Aotearoa" (Nova Zelândia), feita ainda em 1878 pelo juiz neozelandês T. H. Smith. Apesar do rápido e duradouro crescimento de sua popularidade entre os neozelandeses, a canção em inglês só se tornou um dos hinos nacional do país, juntamente a "God Save the King/Queen" (hino do Reino Unido, herança da colonização britânica), em 1976. Sua versão em maori, que sofreu poucas mudanças desde sua publicação original, foi aderida popularmente dos anos 1990 em diante, e desde então é comum entre os neozelandeses alternar entre versos das duas versões ao cantar o hino.[77]

Primeira estrofe de Aotearoa:

E Ihowā Atua

O ngā iwi mātou rā

Āta whakarangona

Me aroha noa

Kia hua ko te pai

Kia tau tō atawhai

Manaakitia mai

Aotearoa

Tradução em português:

Oh Senhor, Deus,

Das nações e de nós também

Escute-nos

Acalente-nos

Deixe o bem florescer

Que as suas bênçãos fluam

Defenda

A Nova Zelândia

Números

Números em maori[78]
Números Português Maori Números Português Maori
1 Um Tahi 11 Onze Tekau mā tahi
2 Dois Rua 12 Doze Tekau mā rua
3 Três Toru 13 Treze Tekau mā toru
4 Quatro Whā 14 Catorze Tekau mā whā
5 Cinco Rima 15 Quinze Tekau mā rima
6 Seis Ono 20 Vinte Rua tekau
7 Sete Whitu 100 Cem Kotahi rau
8 Oito Waru 1.000 Mil Kotahi mano
9 Nove Iwa 10.000 Dez mil Tekau mano
10 Dez Tekau 100.000 Cem mil Kotahi rau mano

Referências

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Bibliografia

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