Heart of Midlothian Football Club
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| Nome | Heart of Midlothian Football Club | |||
| Alcunhas | The Heart (O Coração) The Hearts (Os Corações) Hearts (Corações) The Jam Tarts (As Tortas de Geleia) Jambos The Maroons (Os Marrons) The Famous (O Famoso) | |||
| Principal rival | Hibernian | |||
| Fundação | 1874 (152 anos) | |||
| Estádio | Tynecastle Park | |||
| Capacidade | 19 852 | |||
| Presidente | Calum Paterson | |||
| Treinador(a) | Derek McInnes | |||
| Patrocinador(a) | Stellar Omada | |||
| Material (d)esportivo | Hummel | |||
| Competição | Scottish Premiership Liga Conferência | |||
| Website | ||||
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Heart of Midlothian Football Club, comumente conhecido como Hearts, é um clube de futebol profissional em Edimburgo, na Escócia. A equipe compete na Scottish Premier League, a primeira divisão do futebol escocês. O Hearts, o clube de futebol mais antigo da capital escocesa,[1] foi formado em 1874, com seu nome influenciado pelo romance The Heart of Midlothian (1818), de Walter Scott.[2] O brasão do clube é baseado no mosaico do Coração de Midlothian na Royal Mile da cidade; as cores da equipe são grená e branco.[2] Seus rivais locais são o Hibernian, com quem disputam o Dérbi de Edimburgo.
O Hearts manda seus jogos em casa no Tynecastle Park desde 1886.[3] Após o estádio ser convertido em um estádio com assentos em 1990, ele agora tem capacidade para 19 852 espectadores[4] após a conclusão de uma arquibancada principal reconstruída em 2017. O clube possui instalações de treinamento no Oriam, o centro nacional de desempenho esportivo da Escócia, onde também administra sua academia de jovens.[5]
O Hearts venceu o Campeonato Escocês quatro vezes, a mais recente em 1959–60, quando também manteve a Copa da Liga Escocesa para completar uma dobradinha Liga e Copa da Liga – o único clube fora da Old Firm a realizar tal feito. O período de maior sucesso do clube foi sob o comando do ex-jogador e treinador Tommy Walker, do início dos anos 1950 até meados dos anos 1960, durante o qual conquistaram dois títulos da liga e cinco copas importantes, terminando entre os quatro primeiros da liga por 11 temporadas consecutivas. Jimmy Wardhaugh, Willie Bauld e Alfie Conn Sr., conhecidos como o Terrível Trio, eram atacantes no início deste período, com os jogadores de meio-campo Dave Mackay e John Cumming. Wardhaugh fez parte de outra notável trinca de ataque do Hearts na temporada vitoriosa da liga em 1957–58: ao lado de Jimmy Murray e Alex Young,[6] eles estabeleceram o recorde de número de gols marcados em uma campanha vitoriosa na primeira divisão escocesa (132) e também se tornaram o único time a terminar uma temporada na primeira divisão escocesa com um saldo de gols superior a 100 (+103).
O Hearts conquistou a Copa da Escócia oito vezes, a mais recente em 2012, após uma vitória por 5–1 sobre o Hibernian.[7] Desde então, foram vice-campeões em 2019, 2020 e 2022. Todas as quatro conquistas do Hearts na Copa da Liga Escocesa aconteceram sob o comando de Walker, a mais recente uma vitória por 1–0 contra o Kilmarnock em 1962. Sua aparição mais recente na Final da Copa da Liga foi em 2013, quando perderam por 3–2 para o St Mirren. Em 1958, o Heart of Midlothian se tornou o terceiro clube escocês e o quinto britânico a competir em competições da UEFA. O clube chegou às quartas de final da Copa da UEFA de 1988–89, perdendo para o Bayern de Munique por 2–1 no placar agregado.
História
Fundação e Primeiros Anos (1874–1914)
O clube foi formado em 1874 por um grupo de amigos do Heart of Midlothian Quadrille Assembly Club.[2] O nome da agremiação foi diretamente influenciado pelo romance histórico homônimo de Walter Scott, publicado em 1818, e pelo mosaico em forma de coração localizado na Royal Mile de Edimburgo, que marcava a entrada da antiga prisão de Tolbooth. O Hearts rapidamente se consolidou como uma força pioneira na Escócia, vencendo o seu primeiro Campeonato Escocês na temporada 1894–95 e conquistando a Copa da Escócia em quatro ocasiões antes da virada do século XX (1891, 1896, 1901 e 1906).
O Batalhão de McCrae e a Primeira Guerra Mundial
O evento de maior peso sociológico da história do clube ocorreu em novembro de 1914, durante a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Com o Hearts liderando confortavelmente o Campeonato Escocês, a diretoria e o elenco tomaram uma decisão sem precedentes: 16 jogadores profissionais do clube se alistaram voluntariamente para combater na França, tornando-se o primeiro time de futebol britânico a se alistar em massa.[8]
Eles integraram o 16º Batalhão (de Serviço) dos Royal Scots, que ficou popularmente conhecido como o Batalhão de McCrae, comandado por Sir George McCrae. O ato inspirou o alistamento de cerca de 500 torcedores do clube e atletas de outras equipes. O batalhão sofreu perdas catastróficas, especialmente no primeiro dia da Batalha do Somme (1 de julho de 1916). Sete jogadores do time principal do Hearts perderam a vida no conflito, e vários outros retornaram com ferimentos que encerraram suas carreiras esportivas.[9] Em 1922, o clube ergueu uma torre do relógio memorial em Haymarket, Edimburgo, para honrar esse sacrifício.
A Era de Ouro de Tommy Walker (décadas de 1950 e 1960)
O período de maior sucesso esportivo do Hearts ocorreu sob o comando do técnico Tommy Walker (1951–1966). A equipe celebrizou-se por um futebol de alta produtividade ofensiva, capitaneado pelo chamado "Trio Terrível" de atacantes: Jimmy Wardhaugh, Willie Bauld e Alfie Conn Sr., além da presença estrutural do meio-campista Dave Mackay.
Na temporada 1957–58, o Hearts venceu a liga quebrando recordes estatísticos que permanecem imbatíveis na primeira divisão escocesa: a equipe marcou 132 gols em 34 partidas (uma média de 3,88 gols por jogo) e terminou a campanha com um impressionante saldo de gols de +103.[6] O clube repetiria a conquista da liga em 1959–60 e arremataria quatro Copas da Liga no período, rompendo temporariamente a hegemonia da Old Firm.
O trauma de 1986 e instabilidade
Na década de 1980, sob o comando do técnico Alex MacDonald e impulsionado pelo financiamento do presidente Wallace Mercer, o clube ressurgiu como postulante ao título. A temporada 1985–86, no entanto, culminou em um dos colapsos esportivos mais dramáticos da história do futebol escocês.[10] Na última rodada do campeonato, em 3 de maio de 1986, o Hearts liderava a tabela, estava invicto há 27 jogos e precisava apenas de um empate fora de casa contra o Dundee F.C. para ser campeão. A equipe perdeu por 2–0 (com dois gols tardios de Albert Kidd), enquanto o Celtic goleou o St Mirren por 5–0. O Celtic conquistou o troféu no saldo de gols por uma margem de apenas 3 gols. Uma semana depois, o Hearts perderia a final da Copa da Escócia para o Aberdeen, terminando a temporada sem troféus.
A era Romanov e a administração judicial (2005–2014)
Em janeiro de 2005, o empresário russo-lituano Vladimir Romanov adquiriu o controle acionário da agremiação, injetando capital agressivo que resultou no vice-campeonato escocês em 2005–06 (dividindo a Old Firm) e nas conquistas da Copa da Escócia de 2006 e 2012.
Contudo, a gestão foi marcada por alta rotatividade de treinadores, interferência direta do proprietário na escalação e gastos insustentáveis. Com a falência do banco Ūkio bankas (controlado por Romanov), a dívida do clube ultrapassou as £ 30 milhões. Em 19 de junho de 2013, o Hearts foi colocado sob administração judicial, com uma dívida exigível imediata de £ 15 milhões e apenas £ 7.000 no caixa operacional, sofrendo punições de dedução de pontos e subsequente rebaixamento.[11]
Propriedade dos torcedores e reestruturação (2014–presente)
A liquidação iminente foi evitada pela intervenção da empresária Ann Budge, que aportou £ 2,5 milhões para financiar o acordo de credores (CVA) em 2014, operando em parceria com a Foundation of Hearts (FoH) – um grupo de torcedores associados que injetava fundos mensais na agremiação. O clube recuperou sua estabilidade econômica e retornou imediatamente à primeira divisão. Em agosto de 2021, Ann Budge transferiu formalmente a participação majoritária (75,1%) para a Foundation of Hearts, tornando o Heart of Midlothian o maior clube do Reino Unido a ser gerido majoritariamente por seus torcedores. Após liderar a reconstrução institucional do clube por mais de uma década, Budge anunciou sua saída oficial da presidência em dezembro de 2025. O fim de sua gestão coincidiu com a formalização de um investimento de capital de £ 9,86 milhões feito por Tony Bloom (proprietário do Brighton & Hove Albion) em troca de 29% das ações sem direito a voto, abrindo uma nova era tecnológica e de prospecção de dados para a equipe no mercado global.[12]
Rivalidades
O Hearts tem como seu principal adversário tradicional o Hibernian, confronto conhecido como Dérbi de Edimburgo. Trata-se de uma das rivalidades mais longevas do futebol mundial, com o primeiro encontro entre as equipes ocorrido em 25 de dezembro de 1875. Diferentemente da Old Firm de Glasgow entre Celtic e Rangers, cuja dinâmica é historicamente moldada por divisões sectárias entre católicos irlandeses e protestantes unionistas, o clássico edimburguês experimentou uma transformação significativa em suas bases sociológicas. Ao longo do século XX, o componente religioso que originalmente caracterizava o confronto foi progressivamente atenuado, dando lugar a uma rivalidade fundamentada primordialmente em identidades geográficas e comunitárias dentro da capital escocesa. Atualmente, o Hearts concentra seus fãs tradicionalmente nas regiões leste e norte de Edimburgo, particularmente na área portuária de Leith. O Hibernian, por sua vez, tem seu epicentro de apoio nos bairros de Gorgie e Dalry, situados nas zonas sul e oeste da capital escocesa.
Títulos
| Nacionais | |||
|---|---|---|---|
| Competição | Títulos | Temporadas | |
| Campeonato Escocês | 4 | 1894–95, 1896–97, 1957–58, 1959–60 | |
| Copa da Escócia | 8 | 1890–91, 1895–96, 1900–01, 1905–06, 1955–56, 1997–98, 2005–06, 2011–12 | |
| Copa da Liga Escocesa | 4 | 1953–54, 1957–58, 1958–59, 1961–62 | |
Elenco
Atualizado em 01 de novembro de 2025.
| Goleiros | ||
|---|---|---|
| N.º | Jogador | |
| 1 | ||
| 23 | ||
| 25 | ||
| 28 | ||
| 30 | ||
| Defensores | ||
|---|---|---|
| N.º | Jogador | Pos. |
| 2 | Z | |
| 4 | Z | |
| 5 | Z | |
| 15 | Z | |
| 19 | Z | |
| 12 | LD | |
| 31 | LD | |
| 3 | LE | |
| 18 | LE | |
| Meio-campistas | ||
|---|---|---|
| N.º | Jogador | Pos. |
| 6 | V | |
| 8 | V | |
| 14 | V | |
| 16 | M | |
| 17 | M | |
| 22 | M | |
| 24 | M | |
| 27 | M | |
| 40 | M | |
| Atacantes | ||
|---|---|---|
| N.º | Jogador | |
| 7 | ||
| 9 | ||
| 10 | ||
| 11 | ||
| 21 | ||
| 29 | ||
| 89 | ||
| Comissão técnica | |
|---|---|
| Nome | Pos. |
| T | |
Ver Também
- Campeonato Mundial de Futebol de 1895
Referências
- ↑ Bowie, Andrew-Henry (2011). Two miles to Tynecastle. Clacton on Sea: Apex
- 1 2 3 Speed, David; Knight, Alex. «History: 1874–1884». Heart of Midlothian F.C. Consultado em 21 de agosto de 2010. Cópia arquivada em 11 de fevereiro de 2011
- ↑ Inglis 1996, p. 447
- ↑ «Tynecastle Park Safety Certificate, issued October 2018» (PDF). 31 de outubro de 2018
- ↑ «Oriam - The jewel in the crown of Scottish sport». Scottish FA. Consultado em 24 de setembro de 2018
- 1 2 «1957-58». Londonhearts.com. Consultado em 27 de julho de 2018
- ↑ «Hibernian 1 Hearts 5». BBC Sport. 19 de maio de 2012. Consultado em 22 de maio de 2012
- ↑ «McCrae's Battalion 1914 - Scottish Football Museum». Scottish Football Museum. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
- ↑ «The Story - McCrae's Battalion Trust». McCrae's Battalion Trust. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
- ↑ Rob Summerscales (31 de outubro de 2025). «Hearts' Failed Title Bids Since 1960». Football Blog. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
- ↑ «Broken Hearts: Ten years since Tynecastle club entered administration». STV News. 19 de junho de 2023. Consultado em 23 de fevereiro de 2026
- ↑ Paul Kiddie (30 de junho de 2025). «Budge confirms plan to step down as Hearts chair». Daily Business. Consultado em 23 de fevereiro de 2026

