Bolsa de valores




Bolsa de valores é o mercado organizado onde se negociam ações de sociedades de capital aberto (públicas ou privadas) e outros valores mobiliários, tais como as opções.[1]
Pode ser organizada na forma de uma sociedade civil sem fins lucrativos, que mantém o local ou o sistema de negociação eletrônico adequado à ação de transações de compra e venda de títulos e valores mobiliários. Porém, o mais usual hoje em dia é que as bolsas de valores atuem como sociedades anônimas, visando ao lucro através de seus serviços. No caso de ser organizada como sociedade civil, seu patrimônio é representado por títulos pertencentes às sociedades corretoras que a compõem; se for organizada como S.A., este patrimônio é composto por ações. A bolsa deve preservar elevados padrões éticos de negociação, divulgando - com rapidez, amplitude e detalhes - as operações realizadas.
História
As primeiras bolsas com características modernas surgiram em meados do século XV, na esteira da expansão comercial. Em Bruges, na Bélgica, no ano de 1487, a palavra 'bolsa' ganhou seu sentido comercial e financeiro, quando mercadores e comerciantes passaram a se reunir na casa de um certo senhor Van der Burse (cujo brasão continha o desenho de três bolsas), a fim de realizar seus negócios: compra e venda de moedas, letras de câmbio e metais preciosos. Mais tarde, já durante a Revolução Comercial, são criadas, em 1561, as bolsas de Antuérpia, também na Bélgica, e Amsterdam, nos Países Baixos; em 1595, surgem as bolsas de Lyon, Bordeaux e Marseille, na França. A bolsa de Londres (Royal Exchange') foi criada na segunda metade do século XVI; a bolsa de Paris, em 1639. Mas o comércio de ações só apareceria no século XIX, quando algumas bolsas mantiveram a função de negociar mercadorias, enquanto outras voltaram-se para o comércio de valores mobiliários.[2]
A Bolsa de Nova York surgiu em 17 de maio de 1792, quando, diante concorrência de um grupo de poderosos comerciantes de títulos da dívida pública, que haviam reduzido as taxas de comissão, vinte e quatro corretores se reuniram sob um grande plátano, em frente ao n° 68 da Wall Street e assinaram o Buttonwood Agreement (Acordo do Plátano). O acordo criou uma espécie de clube fechado, cujos membros concordaram em negociar apenas entre si e em manter uma comissão de 0,25%. Um ano mais tarde, o grupo passou a se reunir também na Tontine Coffee House, mas só quando o tempo ficava muito ruim.,[3] Mas, em geral, as negociações eram feitas ao ar livre. Em 1817, os 24 corretores abriram a New York Stock Exchange, sob a presidência de Nathan Prime.[4] O grupo trabalhava na cotação de ações de dez bancos e 13 empresas de seguros, todos locais.[5] Em 1827, já eram 12 bancos e 19 empresas de seguros.[6]
Até meados do século XIX, no entanto, as ações respondiam por uma pequena parte dos negócios das bolsas de valores, embora a França, os Estados Unidos e a Bélgica se utilizassem da bolsa para financiar bancos centrais e empresas construtoras de canais, que, nos Estados Unidos, eram 70% financiadas pelo poder público.[7]
Características
Pregão
Nas primeiras décadas do século XX, a gritaria do tradicional pregão viva-voz (sistema de negociação de ativos e contratos mediante a apregoação em viva-voz, pelos operadores de pregão, realizado em sala de negociações especialmente designada para tal) das bolsas de valores foi substituído pelo pregão eletrônico (sistema de negociação em que o registro de ofertas é feito em sistema eletrônico, por meio de terminais instalados nas corretoras de valores e sob a responsabilidade destas).[8]
Mais recentemente, foi introduzido o mercado de ações automatizado - o trading algorítmico, também chamado trading automático, algotrading ou algonegócio - que utiliza plataformas eletrônicas para a entrada de ordens de compra ou de venda. Assim, um algoritmo executa instruções de negociação pré-programadas e cujas variáveis podem incluir tempo (data e hora), preço e quantidade da ordem. A negociação algorítmica é amplamente utilizada por bancos de investimento, fundos de pensão e outros operadores institucionais, e visa dividir grandes negociações em várias negociações menores, de modo a reduzir o impacto sobre o mercado e o risco.[9][10] Desde os anos 2000, parte significativa do comércio de títulos realizado na UE e nos EUA tem sido feita através do trading algorítmico.[11] Em 2009, 25% de todo o volume de capitais dos EUA já era negociado por algoritmos.[12]
Ver também
- Sistema financeiro
- Lista de bolsas de valores
- Bolsa de eletricidade
- Ações
- Bolsa Brasileira de Mercadorias
- Mercado de balcão
- Sociedade anônima
- Corretora de valores
- Derivativo
- Debêntures
- Home broker
- Negociações de alta frequência
Referências
- ↑ «Fazendo as Contas: Bolsa de valores». Fazendo as Contas. Consultado em 8 de dezembro de 2020
- ↑ Fátima Rocha Gomes (1997). «A Bolsa de Valores brasileira como fonte de informações financeiras»
- ↑ History of the New York Stock Exchange
- ↑ Geiss, Charles R. Wall Street: A History : from Its Beginnings to the Fall of Enron, p. 20
- ↑ Geiss, Charles R. Wall Street: A History : from Its Beginnings to the Fall of Enron, p. 13
- ↑ Socializing Capital: The Rise of the Large Industrial Corporation in America], William G. Roy, p. 123
- ↑ "Rise of the Capitalist Class, 1790-1865". Por Meyer Weinberg.
- ↑ Regulamento de operacoes do segmento BM&F – Sistemas de negociação de derivativos: pregões viva-voz e eletrônico
- ↑ Moving markets. Shifts in trading patterns are making technology ever more important. The Economist, 2 de fevereiro de 2006.
- ↑ Algorithmic Trading: Hype or Reality?
- ↑ União Europeia (2011). «Diretiva 2014/65/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de maio de 2014, relativa aos mercados de instrumentos financeiros e que altera a Diretiva 2002/92/CE e a Diretiva 2011/61/UE (reformulação)» (PDF)
- ↑ Rob Iati, The Real Story of Trading Software Espionage, AdvancedTrading.com, 10 de julho de 2009.