Bandeirantes

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Tela "Os Bandeirantes" (1889), de Henrique Bernardelli, exposta no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Bandeirantes é o termo usado para designar os sertanistas do período colonial brasileiro, que, a partir de meados do século XVI, adentraram o interior da América do Sul em busca de riquezas minerais, principalmente ouro e prata, além de capturar indígenas para escravidão ou eliminar quilombos. Sua atuação foi decisiva para a expansão territorial do Brasil além dos limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas (1494), ocupando territórios das atuais regiões Centro-Oeste e Sul. Foram também os responsáveis pela descoberta de jazidas de ouro em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.[1][2]

A maioria dos bandeirantes era formada por portugueses e descendentes em São Paulo, incluindo também indivíduos de ascendência galega, castelhana e cristãos-novos.[3] As tropas geralmente contavam com uma participação minoritária de índios (escravos ou aliados) e caboclos (mestiços de índios com brancos), que desempenhavam tarefas secundárias.[4][5] A bandeira de Nicolau Barreto, em 1602, é um exemplo notável, composta por 270 portugueses, um número elevado para a época.[6]

Darcy Ribeiro afirma que os bandeirantes eram racialmente miscigenados, com a miscigenação com indígenas sendo comum, inclusive entre a elite. As famílias paulistas eram patrilineares e poligâmicas, tendo o casamento católico se consolidou somente mais tarde.[7] A maior bandeira, de Manuel Preto e Antônio Raposo Tavares, em 1629, contava com 69 brancos, 900 mamelucos e 2 mil indígenas.[8]

Além de falarem português, os bandeirantes também se comunicavam na língua geral paulista, derivada do tupi antigo, e muitos nomes de localidades brasileiras têm origem em termos tupis usados por eles, como Jundiaí e Piracicaba.[9] Embora sua imagem tenha sido associada à violência, com a escravização e extermínio de milhares de indígenas,[7] sua figura foi glorificada no final do século XIX e nas décadas de 1920 e 1930 como símbolo da bravura paulista.[10][11][12]

Origem e uso do termo

Embora o termo bandeirante seja amplamente utilizado atualmente, nos séculos XVI e XVII os participantes dessas expedições eram geralmente referidos como "sertanistas" ou "homens do sertão". O termo “bandeira” possui origem incerta, mas a historiografia aponta para a origem na tradição militar portuguesa de organizar pequenas unidades sob uma bandeira ou estandarte ou no costume indígena de levantar um bastão com penas (também chamado de bandeira) para sinalizar guerra ou reunião. Na época, as expedições eram formalmente chamadas de "entradas" quando organizadas pela Coroa, ou "armadas" e "tropas" quando organizadas por particulares para fins de defesa ou apresamento.[13][14][15]

Contexto da capitania de São Vicente no período colonial

Mapa de João Teixeira Albernaz da Capitania de São Vicente em 1641. No fundo, à direita, aparece a vila de São Paulo, ponto principal de irradiação das bandeiras.

Nos séculos XVI e XVII, a capitania de São Vicente (e também a capitania de Itanhaém, criada em 1624) vivia em uma situação peculiar. Distante do centro de poder colonial, na Bahia, operava em um cenário de isolamento geográfico e político em relação a Salvador, então capital da colônia. Devido à grande distância e às dificuldades de comunicação, os paulistas mantinham uma relação de quase independência em relação à Coroa Portuguesa, frequentemente desrespeitando ordens reais e autoridades judiciais enviadas pela Metrópole.[13][16]

Nessa época, a capitania de São Vicente era a região mais pobre do Brasil Colônia.[17] Diferentemente do Nordeste açucareiro, enfrentava uma severa carência de recursos financeiros e metais preciosos.[18] Havia uma completa escassez de cédulas na capitania, tanto que a moeda mais comum era o escambo.[19] Como não tinham condições de importar africanos escravizados, seus habitantes utilizavam da mão-de-obra indígena escravizada (apelidados de “negros da terra”) na lavoura de subsistência, que era a principal atividade econômica.[20]

O isolamento da capitania de São Vicente era agravado pela barreira natural da Serra do Mar, que separava o litoral do Planalto de Piratininga. Esse obstáculo físico isolava os moradores do planalto do comércio atlântico e da fiscalização da metrópole, transformando a vila de São Paulo em um reduto de autossuficiência e pobreza material.[13][21]

O tráfico de indígenas escravizados sempre esteve presente na São Paulo colonial, desde antes da fundação da vila de São Vicente por Martim Afonso de Sousa em 1532, quando existia na ilha de mesmo nome um porto para o tráfico de escravizados ameríndios, conhecido como “Porto dos Escravos”, operado por João Ramalho e o enigmático Bacharel de Cananeia.[22]

A população da Capitania era fruto da intensa miscigenação entre os colonos portugueses e mulheres indígenas, assim surgindo uma cultura híbrida. Os bandeirantes herdaram do luso a ambição de domínio e do ameríndio a adaptação instintiva ao meio selvagem. Esse processo permitiu que esses exploradores dominassem técnicas nativas essenciais, como a orientação pelo Sol, o uso de redes de dormir, o consumo de farinha de guerra (mandioca ou milho) e a medicina da floresta baseada em raízes e ervas. Essa simbiose cultural foi o que possibilitou a sobrevivência e a mobilidade das bandeiras em territórios onde um europeu típico não resistiria.[13][23]

O historiador britânico Russell-Wood identificou os paulistas como pertencendo a um grupo étnico, em oposição à metrópole, ligado à terra, e com sentimento nativista: “Os paulistas eram uma anomalia para os portugueses metropolitanos. De um lado, eram de ascendência portuguesa, falavam português, praticavam o catolicismo, eram capazes de feitos heroicos, demostravam coragem indiscutível, e sua vila de São Paulo tinha os equipamentos administrativos e institucionais e edifícios públicos — tanto civis quanto religiosos — de uma vila portuguesa. De outro lado, muitas vezes, tinham sangue ameríndio, falavam as línguas indígenas, tomavam índias como esposas e concubinas, opunham-se às autoridades civis e religiosas e mostravam desdém aos representantes da Coroa e aversão a leis, alvarás e ordens régias. Debate é acirrado sobre se é a ascendência comum ou a cultura e consciência de pertencimento compartilhadas a característica diferencial mais importante. De acordo com qualquer uma das definições, os paulistas constituem um grupo étnico. Foi precisamente este senso de ‘ser outro’ que perturbava, no Brasil, a Coroa portuguesa e até os colonos portugueses natos. Autossuficiência, distância, inacessibilidade, mobilidade e independência de espírito tornavam-nos refratários ao controle régio”.[24]

As primeiras bandeiras

Foi decisivo para a militarização da vila de São Paulo, fundada em 1554 pelos jesuítas, o ataque de 9 de julho de 1562, conhecido como o Cerco de Piratininga. Uma coalização de indígenas guaianases, tamoios e carijós se rebelou contra a aliança entre o cacique Tibiriçá e os colonos portugueses, sitiando a vila com o objetivo de destruí-la. A aliança indígena foi derrotada, graças à defesa liderada pelo cacique e os primeiros colonos, a qual foi fundamental para a sobrevivência de São Paulo.[25][26]

O cerco à vila demonstrou a fragilidade de sua defesa e forçou os moradores a organizarem expedições armadas constantes para afastar a ameaça indígena das suas fronteiras, criando o embrião da estrutura das futuras bandeiras. Após esse episódio, as incursões paulistas no sertão deixaram de ser apenas pequenas explorações de reconhecimento e passaram a ter um caráter de represália e defesa ativa. No final do século XVI, a necessidade de braços para a lavoura e de garantir a segurança das vilas de São Paulo e São Vicente levou à formação de milícias que buscavam combater grupos hostis à colonização. Com o passar das décadas, esse modelo de expedição militarizada foi evoluindo, pois os colonos perceberam que o aprisionamento de indígenas vencidos em combate poderia suprir a falta de mão de obra, transformando a "guerra defensiva" no lucrativo "ciclo de preação" que caracterizaria as primeiras grandes bandeiras do século XVII.[13][27]

Diferente das grandes colunas do século XVII, as primeiras bandeiras eram grupos extremamente rústicos. Segundo os inventários da época, os expedicionários partiam com parcos recursos, muitas vezes apenas com um arcabuz de mecha e uma foice, dependendo inteiramente do conhecimento geográfico dos aliados indígenas para navegar pela mata fechada. A precariedade econômica da Capitania de São Vicente impunha que a própria sobrevivência da expedição dependesse da capacidade de viver "à moda da terra", o que consolidou desde cedo a hibridização de técnicas europeias e ameríndias.[27]

Bandeiras de preação

Ciclo da caça ao índio (1922), de Henrique Bernardelli, exposto no Museu Paulista em São Paulo.

Com a chegada do século XVII, as bandeiras assumiram um caráter predominantemente comercial, com foco na captura sistemática de indígenas para suprir a carência de mão de obra na lavoura vicentina e em outras regiões da colônia. Este período, conhecido como "ciclo de preação", foi impulsionado pela incapacidade econômica da Capitania de São Vicente em adquirir africanos escravizados, cujo preço era proibitivo para os padrões locais. Os indígenas, referidos nos documentos da época como "negros da terra", tornaram-se o principal item de valor nos inventários e testamentos, sendo considerados o "remédio" para a sobrevivência econômica da região.[28]

As bandeiras de apresamento eram colunas militares rústicas, formados por alguns brancos e mamelucos que comandavam centenas de indígenas aliados - conhecidos na época como "índios de serviço", hoje chamados como auxiliares nativos. Para capturar grupos hostis ou estabelecidos em aldeamentos, os bandeirantes utilizavam táticas de cerco e surpresa, muitas vezes valendo-se da língua geral paulista em que se comunicavam para enganar as populações locais. Uma vez capturados, os indígenas eram conduzidos em longas marchas a pé até as vilas. A logística dessas jornadas se adaptava às condições do ambiente: os expedicionários sobreviviam da caça e do plantio de pequenas roças temporárias ao longo do caminho.[13][29]

Com o extermínio das populações indígenas das proximidades da vila de São Paulo, os bandeirantes começaram a captura de indígenas de regiões cada vez mais distantes dali, chegando às missões jesuíticas espanholas no Paraguai, Guairá (atual Paraná), Itatins (Mato Grosso do Sul) e Tape (Rio Grande do Sul), que se tornaram o foco das expedições de captura de indígenas para escravizar, pois as populações nativas ali estabelecidas já viviam em grandes aldeamentos e estavam adaptadas ao trabalho disciplinado, o que tornava a captura em massa muito mais eficiente do que a busca por grupos dispersos na mata. Nessas incursões, os paulistas não apenas capturavam os indígenas, mas destruíam as estruturas das missões, forçando os jesuítas e os sobreviventes a fugirem para o sul.[30][28]

Escultura de Luigi Brizzolara no Museu Paulista retratando Antônio Raposo Tavares, líder da expedição de 1628 a 1629 ao Guairá, responsável pela destruição de missões na região.

A bandeira de Nicolau Barreto (1602-1604) inaugurou a rota dos bandeirantes para o Guairá e demonstrou que a captura de populações inteiras era mais rentável do que a pequena agricultura de subsistência no planalto. No entanto, a maior expedição dentre as de preação de indígenas foi a liderada por Antônio Raposo Tavares (português radicado em São Paulo), entre 1628 e 1629. Composta por 69 brancos, 900 mamelucos e 2 mil indígenas aliados, a expedição devastou as missões do Guairá, capturando milhares de indígenas cristianizados que foram conduzidos como escravizados a São Paulo. Este evento provocou uma crise com as coroas ibéricas e os jesuítas, mas resultou na aplicação das fronteiras da América Portuguesa por vastas áreas que pertenciam à Espanha segundo o Tratado de Tordesilhas. A historiografia aponta que a superioridade militar paulista, baseada no uso de armas de fogo e em táticas de cerco, foi decisiva para a derrota das defesas das missões.[31][13][8]

Após a expedição de Raposo Tavares, outros sertanistas, como Manuel Preto e Antônio Bicudo, completaram a razia e despovoação do Guairá. Com isso, muitos dos jesuítas e indígenas sobreviventes fugiram para o sul, para o atual Rio Grande do Sul. Após isso, as bandeiras voltaram-se para o noroeste, para a região de Itatins (atual Mato Grosso do Sul), focando em aldeamentos de indígenas que ainda não tinham tido contato direto com os paulistas. Alcântara Machado observa que estas viagens eram cada vez mais longas e perigosas, exigindo que os bandeirantes permanecessem no sertão por dois ou três anos consecutivos, vivendo exclusivamente dos que a terra lhes oferecia e do que podiam pilhar.[13][32]

Com a destruição das reduções, os jesuítas obtiveram autorização da Coroa Espanhola para armar os indígenas e militarizar as missões. Isso resultou numa maior resistência aos ataques dos bandeirantes, que foram derrotados por um exército de guaranis nas margens do rio Uruguai na Batalha de M’Bororé (1641). Após esse episódio, os jesuítas recuaram mais ao sul, para os atuais Sete Povos das Missões, e o ciclo de preação se tornou menos lucrativo, devido à resistência armada dos indígenas.[13][14]

Embora o objetivo fosse o lucro imediato com a venda de mão de obra escravizada, a destruição das reduções espanholas teve a consequência de "limpar" o território da influência da Espanha, permitindo uma ocupação portuguesa no interior do continente. No entanto, o custo humano foi altíssimo, pois os relatos da época descrevem marchas forçadas em que grande parte dos indígenas capturados morriam de fome, cansaço ou doenças antes mesmo de chegar ao Planalto Paulista. A precariedade era tal que, nos inventários de retorno, o valor dessas "peças" era a única riqueza que restava aos sertanistas após anos de jornada.[33]

Bandeiras de prospecção

Desde o início da colonização, já ocorriam bandeiras à procura de metais preciosos, como a de Brás Cubas, em 1562. No entanto, pela falta de conhecimento técnico dos exploradores e a prioridade em capturar indígenas para escravizar, foi uma atividade frustrada inicialmente.[34]

As primeiras descobertas de ouro no Brasil, em pequenas quantidades, ocorreram em 1590, no Pico do Jaraguá, nas proximidades da vila de São Paulo. Posteriormente, foram descobertas jazidas auríferas, em maior quantidade, na Capitania de São Vicente mais ao sul, no que é a região do litoral do Paraná e Vale do Ribeira.[35][36]

Com a resistência cada vez maior das missões jesuíticas e, consequentemente, a queda no lucro do apresamento do indígena, o foco das expedições paulistas partiu para o bandeirantismo de prospecção, que procurava por meais e pedras preciosas. Esse tipo de bandeira foi intensamente incentivado pela Coroa Portuguesa, que, após a restauração da independência de Portugal em 1640, precisava urgentemente de novas fontes de receita para reconstruir o reino, fator ao qual se soma a crise do ciclo do açúcar. Diferentemente das bandeiras de preação, estas expedições exigiam um conhecimento de minerais ainda que rudimentar e eram equipadas para permanecerem por períodos ainda mais longos no interior, estabelecendo roças e pequenos povoados que serviam de base para a exploração de rios e encostas.[37]

A transição para a prospecção não eliminou imediatamente o uso de mão-de-obra escravizada; pelo contrário, os indígenas que foram capturados em expedições anteriores eram frequentemente utilizados como força de trabalho nas primeiras lavras e no transporte de mantimentos para as regiões mineradoras. Alcântara Machado observa que, nos inventários desse período, começam a aparecer mais frequentemente instrumentos de mineração, como almocafres e bateias, ao lado das tradicionais armas de guerra. A pobreza crônica paulista funcionou novamente como o principal motor: a esperança de encontrar as "esmeraldas" ou o "ouro de aluvião" mobilizou quase toda a população masculina da vila de São Paulo, que agora se dirigia para as regiões dos atuais estados de Minas Gerais e da Região Centro-Oeste do Brasil.[38]

Estátua de Fernão Dias no Museu Paulista. Sua principal expedição percorreu Minas Gerais entre 1674 e 1681, com Dias falecendo durante a bandeira.

Um dos maiores símbolos desse ciclo foi a bandeira liderada por Fernão Dias Pais Leme, a qual, durante sete anos, de 1674 a 1681, percorreu o sertão de Minas Gerais em busca de pedras preciosas. Embora Fernão Dias tenha morrido acreditando ter encontrado esmeraldas (que na realidade eram turmalinas), sua jornada foi fundamental para o reconhecimento geográfico e para a subsequente descoberta de grandes jazidas de ouro por outros sertanistas paulistas, como Garcia Rodrigues Pais e Pascoal Moreira Cabral. Esta fase de prospecção transformou o bandeirante de um caçador de homens em um explorador mineral, alterando definitivamente o eixo econômico da colônia para o interior.[13][14]

Bandeirantismo de contrato

Diferentemente das bandeiras de apresamento ou prospecção, o sertanismo de contrato consistia em expedições organizadas para fins militares específicos, por meio de pagamento ou recompensa oficial. A partir da segunda metade do século XVII, as autoridades coloniais e os senhores de engenho passaram a contratar os serviços dos bandeirantes paulistas para combater grupos indígenas resistentes à colonização ou para destruir quilombos de pessoas escravizadas que fugiam das plantações. Esses exploradores eram vistos como a força ideal para essas tarefas devido à sua vasta experiência de combate no sertão, sua mobilidade e seu conhecimento de táticas de guerrilha na mata.[13][14]

Nessa modalidade de bandeirantismo, o Estado utilizada o conceito de “guerra justa” para legitimar o extermínio ou escravização de grupos indígenas resistentes ao avanço colonial, como foi o caso da atuação dos paulistas na Guerra dos Bárbaros, nos sertões do Nordeste Brasileiro, onde foram contratados para exterminar os povos de língua macro-jê (apelidados de “tapuias”) que se opunham ao avanço da pecuária. As recompensas dadas muitas vezes não eram em dinheiro, mas sim em sesmarias, cargos na administração colonial ou o direito de escravizar parte dos indígenas sobreviventes capotados.[13][15]

Representação fictícia de Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista. Pintura de 1903 de Benedito Calixto.

O caso mais emblemático foi a campanha liderada por Domingos Jorge Velho contra o Quilombo dos Palmares, na atual Alagoas, em 1694. Após várias tentativas fracassadas por parte das tropas coloniais, o governo da Capitania de Pernambuco contratou Velho e sua tropa de mamelucos e indígenas aliados. Utilizando-se de táticas de cerco e artilharia pesada, conseguiram destruir o quilombo que servia de capital. Esta expedição mostra a transição do bandeirante para uma ferramenta de repressão do Estado colonial, consolidando sua fama de combatente contra qualquer forma de resistência à ordem metropolitana.[13][14]

A descoberta de ouro e conflitos

Bandeirantes a Caminho das Minas (1920), de Oscar Pereira da Silva. Obra do acervo do Museu Paulista.

Em 1693, o bandeirante Antônio Rodrigues de Arzão descobriu as primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais, na região de Caeté. Isso provocou uma migração sem precedentes na colônia, com milhares de pessoas, vindas de Portugal e outras capitanias, migrando para a região mineradora. Para os paulistas, que haviam investido vidas e recursos em décadas de exploração, aquelas jazidas eram sua propriedade por direito de descoberta, mas os recém-chegados, apelidados pejorativamente de “emboabas”, logo passaram a disputar o controle das lavras e do comércio local.[13][14]

As tensões entre paulistas e “emboabas” culminaram num conflito armado entre eles, a Guerra dos Emboabas (1707-1709), na qual os bandeirantes, em menor número e menos organizados militarmente, sofreram duras derrotas para os recém-chegados sendo a mais famosa o episódio do "Capão da Traição", onde um grupo de sertanistas foi massacrado após se render. A derrota resultou na perda da hegemonia paulista sobre a região das Minas Gerais.[13][14]

Como consequência da derrota paulista na Guerra dos Emboabas, a Coroa Portuguesa interveio na região. Em 1709, foi criada a capitania de São Paulo e Minas de Ouro, a partir da compra dos direitos da capitania de São Vicente dos seus antigos donatários, para fiscalizar a região mineradora e as expedições. Em 1711, a vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade, reconhecimento de sua importância como centro irradiador das bandeiras.[13]

Embora os paulistas tenham perdido o controle exclusivo das jazidas, a criação de uma nova capitania e a elevação de São Paulo à categoria de cidade consolidaram o papel do Planalto Paulista como o nó logístico da colônia. A partir desse momento, o ímpeto explorador que antes era movido pela iniciativa privada e rústica das bandeiras passou a ser, aos poucos, enquadrado pela burocracia colonial. A divisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro nas capitanias de São Paulo e de Minas Gerais em 1720 e a posterior separação das capitanias de Goiás e Mato Grosso de São Paulo não apagou o fato de que a estrutura territorial do centro e sul do Brasil ter sido desenhada pela mobilidade e pelo conhecimento geográfico acumulado pelos habitantes das capitanias de São Vicente e Itanhaém durante os séculos de isolamento e pobreza.[14][15]

Desiludidos com as jazidas de Minas Gerais, muitos paulistas migraram para outras regiões em busca de novas jazidas. Por volta de 1710, Sebastião Pinheiro Raposo, neto de Raposo Tavares, descobriu ouro nas margens do rio Brumado, na Chapada Diamantina (Bahia), originando os embriões de municípios como Rio de Contas. Entre 1718 e 1719, Pascoal Moreira Cabral, Miguel Sutil de Oliveira e Sebastião Sutil de Oliveira descobriram ouro na região de Cuiabá, em Mato Grosso e, em 1722, Bartolomeu Bueno da Silva retornou ao local onde seu pai, de mesmo nome, havia passado, no atual estado de Goiás, descobrindo ouro nos arredores da cidade de mesmo nome. Essas expedições para o Centro-Oeste brasileiro foram as responsáveis pela criação de núcleos populacionais isolados no coração do continente sul-americano e pela consolidação da soberania de Portugal para muito além do Tratado de Tordesilhas. Alcântara Machado ressalta que, mesmo nesta fase de ouro, o rústico paulista continuava dependendo da técnica de sobrevivência aprendida com os indígenas para atravessar os vastos campos e cerrados do interior.[13][15][14]

As consequências

A principal consequência das bandeiras foi a expansão das fronteiras da América Portuguesa para muito além do que fora estabelecido no Tratado de Tordesilhas (1494). Ao perseguirem indígenas ou buscarem metais preciosos, os bandeirantes ocuparam imensas áreas nas atuais regiões Sul e Centro-Oeste do Brasil que originalmente pertenciam à Espanha. Essa ocupação de fato (uti possidetis) foi o argumento principal utilizado pelo diplomata Alexandre de Gusmão no Tratado de Madrid de 1750, que oficializou a posse portuguesa sobre essas terras.[13]

O próprio Robert Southey observou, a esse respeito, que:

Do ponto de vista humano, as bandeiras tiveram consequências devastadoras para os povos ameríndios. Centenas de milhares de indígenas foram mortos, seja em combate, por doenças que não tinham imunidade ou pelas exaustivas condições de trabalho. destruição das missões jesuíticas e o deslocamento forçado de etnias inteiras alteraram permanentemente o mapa etnográfico do interior brasileiro, levando ao desaparecimento de inúmeras culturas e línguas nativas.[13][15][22]

Uma das consequências mais marcantes do bandeirantismo foi o esvaziamento demográfico das vilas de onde saíam, como São Paulo (quartel-geral da expansão bandeirante) e Taubaté. Durante o auge das expedições, estima-se que quase todos os homens adultos aptos ao trabalho participavam das bandeiras, partindo em jornadas que podiam durar de muitos meses a vários anos. Isso transformou a dinâmica social dessas vilas, que passaram a ser habitadas predominantemente por mulheres, crianças, idosos e indígenas escravizados. A ausência quase total dos homens adultos incumbiu às mulheres a responsabilidade pela administração das propriedades e pela sobrevivência da família, criando uma sociedade em que o comando doméstico era exercido por "viúvas de maridos vivos", enquanto o capital humano da capitania de São Vicente estava permanentemente disperso pelo sertão.[13][15][22]

Cronologia do bandeirantismo

  • 1532: Fundação de São Vicente por Martim Afonso de Sousa, na mesma ilha em que anteriormente existia o “Porto dos Escravos”, operado pelo Bacharel de Cananeia.[22][40]
  • 1554: Fundação da vila de São Paulo pelos jesuítas.[41]
  • 1562: Ataque à vila de São Paulo (9 de julho) por uma coalizão de indígenas.[42][43]
  • 1562: Expedição de Brás Cubas pelo interior do Brasil à procura de pedras e metais preciosos.[44]
  • 1595: Uma carta régia portuguesa proibiu a escravização de indígenas, exceto em caso de “guerra justa”.[45]
  • 1602-1603: Bandeira de Nicolau Barreto percorreu a região do Guairá (atual Paraná), então parte do Império Espanhol.[46]
  • 1607-1608: Bandeira de Belchior Dias Carneiro explorou a região do Rio São Francisco.[47]
  • 1618: Manuel Preto atacou as missões jesuíticas no Guairá.[48]
  • 1628-1629: Bandeira de Antônio Raposo Tavares e Manuel Preto destruíram missões jesuíticas no Guairá, o que durou até 1633.[49]
  • 1632: Início dos ataques dos bandeirantes às missões espanholas de Itatins (atual Mato Grosso do Sul).[50]
  • 1636: Raposo Tavares atacou as missões jesuíticas espanholas na região do Tape (atual Rio Grande do Sul).[51]
  • 1639: Autorização da Coroa Espanhola para que os indígenas das missões jesuíticas se armassem.[52]
  • 1639: Fundação de Taubaté, elevada à vila em 1645, importante centro irradiador do bandeirantismo de prospecção, por Jaques Félix.[53]
  • 1640: Expulsão dos jesuítas da Capitania de São Vicente, devido aos conflitos com os bandeirantes acerca da escravização do indígena, retornando apenas em 1653.[54]
  • 1641: Os bandeirantes são derrotados na Batalha de M’Bororé. Decadência do bandeirantismo de preação.[13]
  • Década de 1640: Descobertas de ouro no litoral do Paraná e surgimento dos primeiros núcleos portugueses no atual estado, como Paranaguá, elevada à vila em 1648.[55]
  • 1648-1652: Bandeira de Raposo Tavares percorreu as regiões dos atuais estados brasileiros de Mato Grosso do Sul e os amazônicos e a América Espanhola (Bolívia e Peru, chegando ao Pacífico), retomando a São Paulo em 1652.[56]
  • 1658: Fundação da Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco (atual São Francisco do Sul), no litoral norte de Santa Catarina, pelo bandeirante Manuel Lourenço de Andrade.[57]
  • 1661: Fernão Dias Paes Leme dirige-se ao sul do Rio Paranapanema, para a serra de Apucarana.[58]
  • 1670-1671: Estevão Ribeiro Baião Parente, Brás Rodrigues de Arzão e João Amaro Maciel percorreram os sertões da Bahia para esmagar revoltas indígenas. Domingos Jorge Velho percorreu o atual Piauí.[59]
  • 1673: O bandeirante Francisco Dias Velho fundou a povoação de Nossa Senhora Desterro (atual Florianópolis).[60]
  • 1674-1681: A bandeira de Fernão Dias Paes Leme e Borba Gato percorreu o interior de Minas Gerais à procura de pedras preciosas, com Dias morrendo na expedição em 1681.[61]
  • 1682: Bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera I, desbravou o interior de Goiás.[62]
  • 1689: Manuel Álvares de Moraes Navarro e Matias Cardoso de Almeida combatem indígenas resistentes à colonização no interior nordestino.[63]
  • 1693: Antônio Rodrigues Arzão descobriu ouro em Caeté (Minas Gerais). Início do ciclo do ouro.[64]
  • 1696: Salvador Fernandes Furtado de Mendonça fundou a povoação de Ribeirão do Carmo (atual Mariana).[65]
  • 1698: Fundação de Vila Rica (atual Ouro Preto) pelo bandeirante Antônio Dias de Oliveira.[66]
  • 1704: Data aproximada da descoberta de ouro na região do Rio das Mortes, em Minas Gerais.[67]
  • 1707-1709: Guerra dos Emboabas.[68]
  • 1709: A Coroa Portuguesa adquiriu os direitos das capitanias de São Vicente e de Itanhaém de seus donatários, criando a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.[69]
  • 1718-1719: Miguel Sutil de Oliveira, Sebastião Sutil de Oliveira e Pascoal Moreira Cabral descobriram jazidas de ouro em Mato Grosso, onde se formaria Cuiabá.[70][71]
  • 1720: Divisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro nas capitanias de São Paulo e de Minas Gerais.[72]
  • 1722-1725: Bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera II, pelos sertões de Goiás, onde se descobriu ouro.[73]
  • 1748: Cisão das capitanias de Goiás e de Mato Grosso da Capitania de São Paulo.[74]

A construção do mito

Estátua de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, em Goiânia

Atualmente, várias ruas, praças, monumentos e nomes de espaços públicos fazem referência aos bandeirantes, em São Paulo.[11] As homenagens aos bandeirantes começaram ainda no século XVIII, por cronistas como Gaspar da Madre de Deus e Pedro Taques de Almeida Pais Leme, que trataram de enaltecer a figura do bandeirante.[11] Depois de passarem longos anos esquecidos, os bandeirantes foram resgatados em diferentes momentos históricos. A construção desse imaginário ufanista em torno dos bandeirantes ganhou força no final do século XIX, quando a então província de São Paulo buscava se afirmar no cenário político nacional. Naquela altura, a economia de São Paulo crescia com o desenvolvimento da cafeicultura, porém a elite paulista prosseguia sem grande poder político, que estava ainda concentrado na capital da monarquia, o Rio de Janeiro. Em consequência, a elite paulista aderiu fortemente ao movimento republicano em busca de maior poder. Foi nessa esteira que surgiu a exaltação da figura do bandeirante, como forma de justificar uma maior força política paulista, pois os bandeirantes teriam sido os "heróis" que garantiram a unidade brasileira.[10][11][12]

Vários espaços públicos em São Paulo fazem referência aos bandeirantes, como o Monumento às Bandeiras.

Porém, o advento da República em 1889 também não acarretou na maior força política que a elite paulista buscava conquistar, e por isso ela continuava promovendo a valorização do seu passado. Historiadores como Afonso d'Escragnolle Taunay, Alfredo Ellis Jr. e José de Alcântara Machado, todos eles comprometidos politicamente, buscavam realçar as peculiaridades dos bandeirantes. Ellis Jr. referia-se aos bandeirantes como um "povo superior (a raça Planaltina)" ou pertencentes a uma "raça de gigantes". As atrocidades cometidas pelos bandeirantes contra os povos indígenas não recebiam a atenção necessária desses historiadores. Segundo Sílvia Lopes Raimundo, na obra de Taunay a escravidão indígena é plenamente justificada, porquanto "a ideia de êxito na conquista territorial redimiria os bandeirantes de toda e qualquer culpa em relação à violência praticada".[10] Darcy Ribeiro, citando Simonsen, fala em 300 mil índios capturados e escravizados pelos bandeirantes paulistas, não obstante a maioria dos paulistas da época serem descendentes de índios pela linha materna, e serem falantes de uma língua de base tupi.[75]

Porém, o momento histórico para a exaltação da figura do bandeirante surge na década de 1930. O presidente Washington Luís, representante da oligarquia paulista, foi derrubado pela junção de forças de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, que alçou Getúlio Vargas à presidência. São Paulo novamente perdeu seu poder político, e os bandeirantes surgem outra vez como elemento de união dos paulistas.[10][11][12] Segundo Katia Maria Abud, "no recrutamento dos cidadãos para pegar em armas, convinha omitir a divisão de classes e os interesses de grupos. Uma causa maior se levantava, e ela tinha o irresistível apelo de um herói histórico".[11] Segundo Raimundo, esse período foi marcado por um forte sentimento de superioridade de São Paulo em relação ao resto do país, e o estado era metaforicamente tratado como "a locomotiva que carrega vinte e dois vagões". Nesse contexto, o bandeirantismo surgia como o modelo de brasilidade, com base na busca de São Paulo pela hegemonia política do Brasil.[10][11]

Durante a Revolução de 1932, surgiu a expressão "paulista de quatrocentos anos", "pela qual as famílias mais antigas cultuavam sua ancestralidade e acreditavam pertencer a uma raça privilegiada".[11] Livros sobre a genealogia paulista foram relançados e, segundo Raimundo, "podemos dizer que esse grupo foi buscar na genealogia do século XVIII os elementos necessários para a afirmação de uma tradição inventada".[10] Porém, menos da metade da população de São Paulo era descendente de colonizadores. Era necessário, portanto, ampliar o privilégio para que imigrantes, negros e índios também pegassem em armas. No fim, São Paulo perdeu a guerra de 1932, porém o mito bandeirante continuou. Segundo Adub, "O paulista se alimenta dessa mitologia para elaborar sua própria imagem, criando uma alegoria de igualdade, se não física, pelo menos moral, que acaba disfarçando os conflitos de classe".[11]

Ver também

  • Sertanistas
  • Entradas e bandeiras
  • Genocídio dos povos indígenas

Referências

  1. «Um Governo de Engonços: Metrópole e Sertanistas na Expansão dos Domínios Portugueses aos Sertões do Cuiabá (1721-1728)». www.academia.edu. Consultado em 12 de março de 2016
  2. [Relatos Sertanistas, Afonso de E. Taunay, Ed. da Universidade de São Paulo]
  3. CARVALHO FRANCO, Francisco de Assis, Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil, Editora Itatiaia Limitada - Editora da Universidade de São Paulo, 1989
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Bibliografia

  • Machado, José de Alcântara (1943). Vida e morte do bandeirante. São Paulo: Livraria Martins Editora 
  • Franco, Francisco de Assis Carvalho (1940). Bandeiras e bandeirantes de São Paulo (PDF). [S.l.]: Companhia Editora Nacional 
  • Sousa, Washington Luiz Pereira de (2004). Na capitania de São Vicente (PDF). Brasília: Conselho Editorial do Senado Federal 
  • Taunay, Afonso d'Escragnolle (1953). História das bandeiras paulistas. 1. São Paulo: Melhoramentos 

Ligações externas