Serra (Espírito Santo)
Serra | |
|---|---|
| Município do Brasil | |
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Bandeira | |
| Hino | |
| Gentílico | serrano |
| Localização | |
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![]() Serra |
|
| Mapa de Serra | |
| Coordenadas | 🌍 |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Espírito Santo |
| Região metropolitana | Grande Vitória |
| Municípios limítrofes | Vitória, Cariacica, Fundão, Santa Leopoldina |
| Distância até a capital | 27 km |
| História | |
| Fundação | 8 de dezembro de 1556 (469 anos) |
| Administração | |
| Distritos | Lista
|
| Prefeito(a) | Weverson Valcker Meireles (PDT, 2025–2028) |
| Características geográficas | |
| Área total | 547,6 km² |
| População total (IBGE - Estimativa da população 2024 est. IBGE/2024[2]) | 572 274 hab. |
| • Posição | ES: 1º |
| Densidade | 1 045,1 hab./km² |
| Clima | tropical (Aw) |
| Altitude | 301 m |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| Indicadores | |
| IDH (PNUD/2010[3]) | 0,739 — alto |
| PIB (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2021[4]) | R$ 37 279 405,58 mil |
| • Posição | BR: 30º |
| PIB per capita (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/2021[4]) | R$ 69 452,01 |
| Sítio | serra.es.gov.br (Prefeitura) camaraserra.es.gov.br (Câmara) |
Serra é um município brasileiro do estado do Espírito Santo. É o mais populoso município do estado, com 520 653 habitantes, conforme censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).[5]
Demografia
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1970 | 17 286 | — | |
| 1980 | 82 568 | 377,7% | |
| 1991 | 222 158 | 169,1% | |
| 2000 | 321 181 | 44,6% | |
| 2010 | 409 267 | 27,4% | |
| 2022 | 520 653 | 27,2% | |
| Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)[6] | |||
De acordo com a censo populacional do IBGE de 2010, a Serra tem 409.324 habitantes, ocupando o posto de município mais populoso do estado. Porém este número pode ser maior, chegando a 421.677 moradores se considerarmos os bairros que não são contabilizados para o município da Serra, pois o IBGE exclui como população da Serra, os habitantes dos bairros Nossa Senhora do Rosário de Fátima (Bairro de Fátima), Conjunto Carapina I e Hélio Ferraz, considerados como pertencentes à cidade de Vitória. Isto está de acordo com a atual divisão territorial entre os municípios, em vigor pela Lei 1.919 de 3 de janeiro de 1964. Além destes, parte dos bairros Eurico Salles, Jardim Carapina e Carapebus fazem parte de Vitória de acordo com esta lei.
Segundo o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 35,67% católicos, 40,11% evangélicos ou protestantes, 0,73% espíritas, 0,58% umbandistas ou candomblecistas, 0,02% religião tradicional, 7,01% outras religiões, 15,76% irreligiosos, 0,05% desconhecidos e 0,07% não declarados.[7]

História
Período pré-colonial e colonização
Antes da colonização europeia, a faixa litorânea hoje correspondente a Serra integrava território de povos indígenas do tronco tupi, com destaque para os Tupiniquim e grupos aliados, que mantiveram contato e conflito com colonos desde o século XVI no âmbito da capitania do Espírito Santo.[10][11] A presença missionária jesuítica estruturou aldeamentos como o de Nova Almeida, onde se ergueu a Igreja e Residência dos Reis Magos, exemplar arquitetônico associado à catequese e à ocupação litorânea setecentista.[12]
Formação administrativa e desenvolvimento
A ordenação civil avançou no século XVIII: a freguesia da Serra foi criada por Carta Régia em 24 de maio de 1752; em 2 de abril de 1833, elevou-se a vila (desmembrada de Vitória), e em 6 de novembro de 1875 alcançou a categoria de cidade, pela Lei Provincial nº 06.[13] Ao longo do século XX, o território passou por sucessivas redefinições distritais: criação de Itapocu (1921), incorporação de Nova Almeida (1938) e anexação de Carapina e Queimado (1943), conformando, em 1960, cinco distritos (Serra, Calogi, Carapina, Nova Almeida e Queimado).[14]
Ciclos econômicos e demografia
Durante o período colonial e imperial, engenhos de açúcar e lavouras de subsistência marcaram a economia litorânea capixaba, enquanto o café se expandiu no século XIX e estruturou redes de colonização e circulação na província.[15][16] A integração territorial foi dinamizada pela Estrada de Ferro Vitória a Minas, cuja implantação no início do século XX conectou o litoral capixaba ao interior mineiro, reforçando o papel logístico da capital e de seu entorno.[17] A partir dos anos 1960–1980, políticas de industrialização e “grandes projetos” no entorno do Porto de Tubarão (inaugurado em 1º de abril de 1966) e dos terminais de Praia Mole aceleraram a urbanização, com criação do Centro Industrial de Vitória (CIVIT) e instalação do parque siderúrgico da ArcelorMittal Tubarão (antiga Companhia Siderúrgica de Tubarão, cuja implantação se iniciou em 1976 e as operações em 1983).[18][19][20][21] Tais transformações implicaram forte crescimento populacional e expansão de bairros operários e conjuntos habitacionais contíguos ao CIVIT nas décadas de 1970–1980, conforme séries censitárias do IBGE analisadas por estudos acadêmicos locais.[22][23] No plano demográfico e cultural, a metrópole capixaba também recebeu fluxos de imigrantes italianos e pomeranos desde o fim do século XIX, cuja presença se projetou sobre a Grande Vitória e regiões próximas, influenciando formas de ocupação e trabalho.[24][25]
Integração metropolitana e transformações recentes
A institucionalização da Região Metropolitana da Grande Vitória ocorreu em 1995, pela Lei Complementar estadual nº 58, incluindo, entre outros, Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana e Serra; nos anos seguintes, alterações legais incorporaram Guarapari e Fundão, consolidando a escala metropolitana de planejamento (COMDEVIT e PDUI).[26][27][28] Na faixa costeira serrana, balneários como Jacaraípe e Manguinhos — historicamente núcleos pesqueiros — foram intensamente loteados e urbanizados na segunda metade do século XX, acompanhando a expansão da malha urbana metropolitana.[29][30]
Cultura
Dentre os pontos de cultura do município destacam-se algumas instituições. Um dos principais locais de conservação cultural é o Museu Histórico da Serra, inaugurado no ano de 2007, no casarão que pertenceu a família de Judith Leão Castello Ribeiro, primeira mulher a tornar-se deputada no Brasil.[31][32] Como parte do acervo estão documentos, móveis, objetos (como cachimbos, binóculos e espelhos), obras de artes e itens relacionados a história de seus moradores ilustres e sobre a constituição do município.[33][34]
Outra instituição de renome é a Casa de Congo, importante instituição do estado do Espírito Santo inaugurada em 2000, pela Secretaria da Cultura (Secult), que visa reunir o acervo e a memória do congo no município.[35][36]
O município ainda é contemplado com duas bibliotecas municipais, além da biblioteca vinculada à Câmara municipal do município, uma biblioteca móvel e duas organizadas de maneira comunitária, isto é, desvinculada do poder público estatal e sem vínculos com a iniciativa privada.[37][38]
Patrimônio histórico
O patrimônio edificado inclui a Igreja e Residência dos Reis Magos (Nova Almeida), vinculada à ação missionária do período colonial e reconhecida por sua relevância histórica e artística.[39] No distrito de Queimado, as ruínas da antiga Igreja de São José compõem o sítio associado à Insurreição do Queimado (1849), movimento de escravizados que integra a memória da resistência negra no Espírito Santo, objeto de estudos acadêmicos e ações de preservação.[40][41]
Economia
O município conta com o maior Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, pesquisa realizada no ano de 2021, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alcançando uma marca de R$ 37,27 bilhões.[42][43][44] O município possuí uma certa vantagem pelo fato de ser cortado pela BR 101, acesso próximo ao aeroporto de Vitória e também pela Estrada de Ferro Vitória Minas, meios que acabam contribuindo para uma presença significativa de empresas de logística na cidade.[43] Em 2022 foi feito um levantamento pelo Índice de Concorrência dos Municípios (ICM) sobre a ordem burocrática de alguns municípios Brasileiros ao lidar com o seguimento empresarial, Serra acabou levando a melhor colocação do estado em segurança jurídica, colocando a cidade em uma boa posição para se investir.[45]
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Referências
- ↑ name ="Lei Orgânica do Município da Serra", artigo 26>Câmara Municipal da Serra (14 de julho de 2010). «Áreaterritorialoficial». Consultado em 4 de setembro de 2019
- ↑ IBGE, IBGE (27 de agosto de 2021). «Estimativas da população residente no Brasil e Unidades da Federação com data de referência em 1º de julho de 2021» (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 28 de agosto de 2021
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 31 de agosto de 2013
- ↑ a b «IBGE - Espírito Santo - Serra - Pesquisa». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 7 de março de 2024
- ↑ «População em Serra (ES) é de 520.649 pessoas, aponta o Censo do IBGE». G1. 28 de junho de 2023. Consultado em 1 de fevereiro de 2025
- ↑ Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA) (2010). «Tabela 200 - População residente por sexo, situação e grupos de idade - Amostra - Características Gerais da População». Consultado em 23 de fevereiro de 2016
- ↑ «MAPA: Qual é a religião mais popular da sua cidade?». G1. 6 de junho de 2025. Consultado em 9 de junho de 2025
- ↑ Recenseamentos demográficos em «Coleção digital». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consultado em 13 de dezembro de 2009. Arquivado do original em 19 de dezembro de 2009
- ↑ «Cidades@ - Serra - ES». IBGE. Consultado em 27 de maio de 2010
- ↑ Vieira, Maria do Carmo (1995). «O indígena capixaba e as missões jesuíticas» (PDF). Cadernos do CEAS: 55–76. Consultado em 4 de setembro de 2025
- ↑ Almeida, R. F. (2009). «Jesuítas, aldeamentos e territorialização no Espírito Santo (séculos XVI–XVIII)». Anais do XXV Simpósio Nacional de História (ANPUH). Consultado em 4 de setembro de 2025
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- ↑ «Serra — Formação Administrativa». IBGE – Biblioteca. Consultado em 4 de setembro de 2025
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- ↑ Lopes, Marcia C. F. (2017). Cidade e restauro: gestão e sustentabilidade do Sítio Histórico de São José do Queimado-ES (PDF) (Tese). UFES. Consultado em 4 de setembro de 2025
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- ↑ a b Online, Tribuna (16 de dezembro de 2023). «Serra desbanca Vitória e é a maior economia do Espírito Santo». Tribuna Online | Seu portal de Notícias. Consultado em 2 de fevereiro de 2025
- ↑ Leitão, Maria Clara (15 de dezembro de 2023). «Serra é a cidade com o maior PIB do Espírito Santo, diz IBGE». Folha Vitória. Consultado em 2 de fevereiro de 2025
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- ↑ Scardini, Yuri (23 de julho de 2021). «Conheça a obscura e milionária história do TIMS, o maior calote que a população da Serra já tomou». Portal Tempo Novo. Consultado em 2 de fevereiro de 2025



