Preconceito linguístico

Entende-se como preconceito linguístico ou glotofobia[2] o julgamento depreciativo contra determinadas variedades linguísticas. Segundo a linguista Marta Scherre, o "julgamento depreciativo, desrespeitoso, jocoso e, consequentemente, humilhante da fala do outro ou da própria fala" geralmente atinge as variedades associadas a grupos de menor prestígio social.[3]

O preconceito linguístico é a atitude de julgar e discriminar uma pessoa pela maneira como ela fala. É quando a língua de alguém é usada como desculpa para ofender, humilhar ou excluir. Isso não tem a ver com regras objetivas da língua, mas sim com poder e status social.[4]

·        Marcos Bagno popularizou a ideia de que o preconceito é uma ideologia. Ele aponta que a sociedade brasileira tem o mito de que existe apenas um jeito "correto" de falar (a norma culta, usada pelas elites e na escrita). Qualquer outra forma de expressão é rotulada como "erro" ou sinal de falta de inteligência.

·        Conforme a linguista Marta Scherre, o preconceito é um julgamento depreciativo e humilhante que atinge principalmente variedades linguísticas ligadas a grupos de menor prestígio social, como pessoas de baixa escolaridade, de regiões periféricas ou rurais, ou de determinados grupos étnico-raciais.[5]

Como a discriminação acontece?

·        Quando ouvimos alguém falar, nosso cérebro usa certos traços da fala (sotaques, pronúncias, gírias) para fazer um julgamento social imediato.[6]

·        Esse julgamento se baseia no status que a sociedade atribui a esse modo de falar, e não se a frase está gramaticalmente correta. A pessoa é julgada pelo que a fala representa, e não pelo que ela é.

Aplicação na Tecnologia: Hoje, esse conhecimento está sendo usado até mesmo para treinar a Inteligência Artificial (IA). Pesquisadores estudam como adicionar "imperfeições" na fala dos chatbots para fazê-los parecerem mais humanos, mostrando que o preconceito é uma parte intrínseca da interação social. [7]

O preconceito linguístico tem como consequências, a acentuação dos demais preconceitos a ele relacionados, como o preconceito cultural, o racismo, a homofobia etc. Ao ser constrangido, devido ao fato de sua fala não estar de acordo com a norma culta da língua, o falante pode apresentar características como medo e inferioridade.

Variação linguística e preconceito

Existem quatro modalidades que explicam as variantes linguísticas:

  1. Variação histórica (palavras e expressões que caíram em desuso com o passar do tempo);
  2. Variação geográfica (diferenças de vocabulário, pronúncia de sons e construções sintáticas em regiões falantes do mesmo idioma);
  3. Variação social (o desempenho linguístico do falante provém do meio em que vive, sua classe social, faixa etária, sexo e grau de escolaridade);
  4. Variação estilística (cada indivíduo possui uma forma e estilo de falar próprio, adequando-o de acordo com a situação em que se encontra)

Ver também

Referências

  1. FREITAG, Raquel Meister Ko. (2021). «Preconceito linguístico para humanizar máquina». Cadernos de Linguística. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  2. Ribeiro, Jocenilson (6 de dezembro de 2021). «Da xenofobia à glotofobia: a estrangeiridade como um problema discursivo». Revista da ABRALIN: 331–356. ISSN 0102-7158. doi:10.25189/rabralin.v20i3.1991. Consultado em 28 de dezembro de 2022 
  3. «O preconceito linguístico deveria ser crime»  por Marta Scherre. Galileu,.
  4. Freitag, Raquel Meister Ko. (15 de dezembro de 2021). «Preconceito linguístico para humanizar as máquinas». Cadernos de Linguística (4): e495. ISSN 2675-4916. doi:10.25189/2675-4916.2021.v2.n4.id495. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  5. Freitag, Raquel Meister Ko. (15 de dezembro de 2021). «Preconceito linguístico para humanizar as máquinas». Cadernos de Linguística (4): e495. ISSN 2675-4916. doi:10.25189/2675-4916.2021.v2.n4.id495. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  6. Sanmartín Rei, Goretti (17 de maio de 2004). «Recensión: Marcos Bagno, A Língua de Eulália. Novela Sociolingüística / Marcos Bagno, Preconceito lingüístico. O que é, como se faz». Revista Galega de Filoloxía: 201–206. ISSN 2444-9121. doi:10.17979/rgf.2004.5.0.5341. Consultado em 16 de novembro de 2025 
  7. Freitag, Raquel Meister Ko. (15 de dezembro de 2021). «Preconceito linguístico para humanizar as máquinas». Cadernos de Linguística (4): e495. ISSN 2675-4916. doi:10.25189/2675-4916.2021.v2.n4.id495. Consultado em 16 de novembro de 2025 

Bibliografia

  • BAGNO, Marcos (2001). Preconceito lingüístico: o que é, como se faz. São Paulo: Edições Loyola. ISBN 8515018896 
  • CAMERON, Deborah (1995). Verbal Hygiene (em inglês). Londres/Nova Iorque: Routledge. ISBN 041510355X 
  • POSSENTI, Sírio (1997). Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: Mercado de Letras. p. 96. ISBN 8585725249 
  • Nildo Viana (18 de abril de 2004). «Educação e Preconceito Lingüístico». Porto. A Página da Educação,. 13 (133): 42 
  • FREITAG, Raquel Meister Ko. Preconceito linguístico para humanizar máquina. Cadernos de Linguística, v. 2, n. 4, p. 1-13, 2021. Disponível em: https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/495.

Ligações externas