Píndaro
| Píndaro | |
|---|---|
![]() Busto de Píndaro. Cópia romana do busto grego do século V a.C. (Museo Archeologico Nazionale, Nápoles) | |
| Nome completo | Πίνδαρος |
| Data de nascimento | c. 518 a.C. |
| Local | Cinoscéfalos, Beócia |
| Morte | c. 438 a.C. |
| Local | Argos, Peloponeso |
Píndaro[1] (em grego: Πίνδαρος - Píndaros, na transliteração; c. 518 a.C. - c. 438 a.C), foi um poeta gregode Tebas. Dos nove poetas líricos canônicos da Grécia antiga, sua obra é a mais bem preservada. Sua poesia, embora admirada por especialistas, ainda desafia o leitor casual; sua obra é amplamente desconhecida pelo público em geral. O dramaturgo cômico ateniense Eupólide certa vez observou que os poemas de Píndaro "foram reduzidos ao silêncio pela indisposição da multidão para o aprendizado elegante".[2][3] Alguns estudiosos da era moderna consideraram sua poesia desconcertante, pelo menos até a descoberta, em 1896, de alguns poemas de seu rival Baquílides; comparações entre as obras dos dois mostraram que muitas das idiossincrasias de Píndaro são típicas do seu tempo, e não características únicas do poeta.[4]
Píndaro foi o primeiro poeta grego a refletir sobre a natureza da poesia e sobre o papel do poeta.[5] Sua poesia ilustra as crenças e os valores da Grécia antiga no alvorecer do período clássico. Como outros poetas arcaicos, ele tem um senso profundo das vicissitudes da vida, ao passo que articula uma fé apaixonada no que os homens podem alcançar através da graça dos deuses.
História
Píndaro nasceu por volta de 518 a.C. (durante a 65ª Olimpíada) em Cinoscéfalos, uma vila na Beócia, não muito longe de Tebas. O nome de seu pai é mencionado de diversas maneiras: Daiphantus, Pagondas ou Scopelinus, e o de sua mãe era Cleódice.[11] Conta-se que, em sua juventude, ou possivelmente na infância, abelhas construíram um favo de mel em sua boca, e essa foi a razão pela qual ele se tornou um poeta de versos doces como mel. (Histórias idênticas são contadas sobre outros poetas do período arcaico.)[23][24] Píndaro tinha cerca de vinte anos em 498 a.C., quando foi incumbido pela família governante da Tessália de compor sua primeira ode de vitória (Pítica 10). Ele estudou a arte da poesia lírica em Atenas, sob a tutela de Laso de Hermione.
A primeira metade da carreira de Píndaro coincidiu com as Guerras Greco-Persas durante os reinados de Dario e Xerxes. Este período incluiu a primeira invasão persa da Grécia, que terminou na Batalha de Maratona em 490 a.C., e a segunda invasão persa da Grécia (480–479 a.C.).[6] Durante a segunda invasão, quando Píndaro tinha quase quarenta anos, Tebas foi ocupada por Mardônio, general de Xerxes. É possível que Píndaro tenha passado grande parte desse tempo em Egina. Sua escolha de residência durante a invasão anterior, em 490 a.C., não é conhecida, mas ele pôde comparecer aos Jogos Píticos daquele ano, onde conheceu o príncipe siciliano Trasíbulo, sobrinho de Teron de Agrigento. Trasíbulo havia conduzido a carruagem vencedora, e ele e Píndaro formariam uma amizade duradoura, abrindo caminho para a posterior visita de Píndaro à Sicília.
Píndaro parece ter usado suas odes para promover seus próprios interesses e os de seus amigos.[7] Em 462 a.C., ele compôs duas odes em homenagem a Arcesilas, rei de Cirene (Píticos 4 e 5), implorando pelo retorno do exílio de um amigo, Demófilo. Nesta última ode, Píndaro menciona com orgulho sua própria ascendência enquanto egeida, ascendência essa que compartilhava com o rei. Os egeidas seriam descendentes de Egeu, o lendário rei de Atenas. O clã era influente em muitas partes do mundo grego, tendo se unido por casamentos a famílias governantes em Tebas, na Lacônia e em cidades que reivindicavam descendência lacônica, como Cirene e Tera. A participação nesse clã possivelmente contribuiu para o sucesso de Píndaro como poeta e influenciou suas visões políticas, marcadas por uma preferência conservadora por governos oligárquicos do tipo dórico.
Somente a quarta parte da sua produção chegou à atualidade. Conservam-se, à parte de outros fragmentos, quatro livros de "Epinícios" ou "Cantos Triunfais", que se referem às diferentes festas "pan-helénicas". As odes epinicianas louvavam os jogos olímpicos, embora Píndaro não tenha conseguido clareza na descrição. A maioria dos poemas é dividida em estrofes, mas a estrutura é principalmente triádica. O dialeto usado nas odes visava a fazê-las compreensíveis da Ásia Menor à Sicília, embora não fosse fácil seguir o seu pensamento muito fragmentado. Só há clareza na sua obra quanto à sua pessoal devoção religiosa.
Obras relacionadas
Diversas odes de Píndaro foram traduzidas do grego para o português por Daisi Malhadas, Maria Helena de Moura Neves, Maria Helena da Rocha Pereira, Frederico Lourenço e António de Castro Caeiro, dentre outros.
- MALHADAS, Daisi. Odes aos Príncipes da Sicília. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976.
- MOURA NEVES, Maria H. de. Antologia de poetas gregos de Homero a Píndaro. Araraquara: FFCLAr-UNESP, 1976
- PEREIRA, Maria H. da R. Sete odes de Píndaro. Porto: Porto editora, 2003
- LOURENÇO, Frederico; vários. Poesia grega - de Álcman a Teócrito. Lisboa: Cotovia, 2006
- CAEIRO, António de C. Píndaro - Odes Píticas. Prime Books, 2006
- BROSE, Robert de. Píndaro - Odes Olímpicas. Araçoiaba da Serra: Mnēma, 2023.
Notas
- «OEUVRES DE PINDARE, TRADUITES PAR M. AL. PERRAULT-MAYNAND, MEMBRE DE PLUSIEURS SOCIÉTÉS SAVANTES» (em francês)
- «Portal Græcia Antiqua - tradução, do grego, da VIIª Ode Pítica»
- «Jogos Olímpicos na Grécia antiga - tradução, do grego, da VIª Ode Neméia»
- «Consciência.org - tradução, do grego, da VIIIª Ode Pítica»
- «blog Primeiros Escritos - traduções de algumas odes de Píndaro»
- «blog Versos(re)Versos - Πυθιάς γ' | Pítica 3»
- ↑ «Píndaro | Infopédia»
- ↑ Holford-Strevens, Leofranc (17 de fevereiro de 2005). «Dithyrambs for Athens». London Review of Books (em inglês) (04). ISSN 0260-9592. Consultado em 31 de dezembro de 2025
- ↑ Eupolis (2011). «Testimonia and Fragments». doi:10.4159/dlcl.eupolis-testimonia_fragments.2011. Consultado em 31 de dezembro de 2025
- ↑ Baker, Lawrence Henry (1923). «Some Aspects of Pindar's Style». The Sewanee Review (1): 100–110. ISSN 0037-3052. Consultado em 31 de dezembro de 2025
- ↑ Hornblower, Simon (2004). Thucydides and Pindar: Historical Narrative and the World of Epinikian Poetry (em inglês). [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-924919-0. Consultado em 1 de janeiro de 2026
- ↑ Editors, HISTORY com (29 de outubro de 2009). «Battle of Marathon - Definition, Facts & Who Won». HISTORY (em inglês). Consultado em 1 de janeiro de 2026
- ↑ Hubbard, Thomas K. (1992). «Remaking Myth and Rewriting History: Cult Tradition in Pindar's Ninth Nemean». Harvard Studies in Classical Philology: 77–111. ISSN 0073-0688. doi:10.2307/311420. Consultado em 1 de janeiro de 2026
