Balística

Balística é o ramo da mecânica que se ocupa do lançamento, do comportamento em voo e dos efeitos de impacto de projéteis, especialmente munições como balas, bombas não guiadas, foguetes e similares; a ciência ou arte de projetar e acelerar projéteis de modo a atingir o desempenho desejado.
Um corpo balístico é um corpo em movimento livre com momento linear, que pode estar sujeito a forças como as exercidas por gases pressurizados de um cano de arma ou de um bocal propulsor, força normal do raiamento do projétil e gravidade e resistência do ar durante o voo.
Um míssil balístico é um míssil que é guiado apenas durante a fase inicial relativamente breve do voo motorizado, com a trajetória subsequentemente governada pelas leis da mecânica clássica, em contraste com (por exemplo) um míssil de cruzeiro, que é guiado aerodinamicamente durante o voo motorizado, como uma aeronave de asa fixa.
História
Antecedentes
Quando as armas de fogo foram desenvolvidas na Europa no século XIV o que se conhecia sobre a física dos projéteis não era o que conhecemos hoje em dia devido a Galileu e Newton, mas sim os conceitos que foram levantados por Aristóteles 1700 anos antes.[1]
O advento do canhão, foi fundamental para o desenvolvimento dos estudos sobre balística que resultaram nos conhecimentos que temos hoje em dia sobre a dinâmica dos projéteis, pois era necessário ter algum entendimento sobre isso para lançar projéteis por sobre os muros das cidades, e mais do que o posicionamento da boca do canhão, a quantidade de pólvora utilizada influenciava fortemente o resultado do tiro.[1]
A primeira representação conhecida do comportamento de um projétil depois de disparado remonta ao livro "Nova Scientia" de Niccolò Tartaglia publicado em 1537, apesar de historiadores afirmarem que Giovanni di Casali e Nicole d'Oresme terem sido os primeiros a traçarem gráficos das variáveis das trajetórias entre meados e final da década de 1340, Tartaglia é tido como sendo o "fundador da teoria dos armamentos".[1]
As principais afirmações/questionamentos de Aristóteles que contribuiram para a evolução dos estudos de balística foram:[1]
- "Tudo que está em movimento é movido por algo."
- "Se tudo que está em movimento é movido por alguma coisa, como algumas coisas, por exemplo os projéteis, continuam a se mover quando já não estão em contacto com o agente que os moveu?"
- "Todo movimento é natural ou forçado, e a força acelera o movimento natural e é a única causa do movimento não natural. Em ambos os casos, o ar é empregado como uma espécie de instrumento da ação ... essa é a razão pela qual um objeto posto em movimento por compulsão continua em movimento mesmo que o que causou o movimento se separe dele."
Registros de investigações e cálculos sobre resistência do ar em relação ao movimento de projéteis remontam a 1687, passam pelo século XVIII com os estudos e medições feitas por Benjamin Robins (1707-1751) e chegaram a 1812, quando Daniel Bernoulli, afirma que a resistência do ar é suficiente para reduzir a altura que uma bala de canhão pode ascender de 58 750 pés (17 900 metros) para 7 819 pés (2 380 metros).[1]
Evolução
Foi só 150 anos depois de Tartaglia, que Newton publicou suas ideias em 1687. Isaac Newton estudou o movimento dos corpos, e a interferência do ar e da água. Newton descobriu que a resistência do ar ao movimento de um projétil, era aproximadamente proporcional ao quadrado da velocidade a que o mesmo se desloca, tendo postulado "três leis" sobre isso.[2]
Ver também
- Gelatina balística
Referências
- ↑ a b c d e Stephen M. Walley (2 de abril de 2018). «Aristotle, projectiles and guns» (PDF). SMF Fracture and Shock Physics Group. Consultado em 12 de outubro de 2020
- ↑ Michael Tilly Jr. (Primavera de 2019). «Newtons Laws - PHYSICS OF BALLISTICS». University of Alaska-Fairbanks Physics Department. Consultado em 12 de outubro de 2020