Livro de Habacuque

O Livro de Habacuque, também grafado Habacuc,[1][2][3][4] é um dos livros da Tanakh e do Antigo Testamento, considerado uma escritura sagrada por judeus e cristãos em geral. Integra a seção dos profetas menores e sua autoria é atribuída, pelo próprio texto, ao profeta Habacuque[5][6].

Contexto

Pesher do Livro de Habacuque, encontrado entre os manuscritos do Mar Morto. século I a.C.

O livro se ambienta nas últimas décadas do reino de Judá, em meio a um cenário de idolatria, injustiça e corrupção moral, além da crescente ameaça de um império opressor. Habacuque, em meio a tudo isso, lamenta a Deus e clama por justiça[7].

Não se sabe ao certo a data em que o livro foi escrito, mas há duas hipóteses principais: a primeira enquadra-o antes da queda de Nínive em 612 a.C, de maneira que os opressores seriam os assírios; enquanto a segunda enquadra-o entre a Batalha de Carquemis, em 605 a.C, e o primeiro cerco a Jerusalém, em 597 a.C., de maneira que os opressores seriam os caldeus[8][9].

Conteúdo

Diferente dos outros livros dos profetas menores, o livro de Habacuque se estrutura a partir de um diálogo do profeta com Deus. No primeiro capítulo, ele reclama que Deus está indiferente diante de todo a crise social e espiritual de Judá (Habacuque 1:2–4), pelo que Deus lhe responde que levantará um império oriental para castigar o seu povo (Habacuque 1:5–11). Diante dessa resposta, Habacuque questiona Deus, argumentando que não faz sentido que ele use um império pior ainda para castigar Judá (Habacuque 1:12–17)[7][10].

No segundo capítulo, Deus faz uma promessa a Habacuque contra o império oriental, prometendo um dia destrui-lo, salvando, porém, os justos (Habacuque 2:2–8). Ele elabora quatro imprecações: a primeira, contra aqueles que cometem práticas econômicas injustas (Habacuque 2:9–11); a segunda, contra aqueles que empregam a violência para alcançar poder (Habacuque 2:12–14); a terceira, contra aqueles que se embebedam (Habacuque 2:15–17); e a quarta, contra aqueles que adoram ídolos (Habacuque 2:18–20)[7][11].

O terceiro capítulo é um poema de Habacuque dirigido ao cantor-mor. Nele, o profeta declara o seu temor diante de Deus e pede que ele avive a sua obra, aludindo a diversos dos seus feitos grandiosos e asseverando a sua fé inabalável nele (Habacuque 3:1–19)[7][12].

Porque ainda que a figueira não floresça,
nem haja fruto na vide;
ainda que decepcione o produto da oliveira,
e os campos não produzam mantimento;
ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas,
e nos currais não haja gado;
todavia, eu me alegrarei no Senhor;
exultarei no Deus da minha salvação.

— Habacuque 3:17-18, ACF.

Mensagem

O livro é geralmente interpretado como um convite a confiar em Deus mesmo diante da corrupção social[13]. As imprecações de Deus no segundo capítulo são uma chamada às vítimas de opressão para que elas desnudem a fragilidade e a insensatez dos seus opressores e se tornem agentes da história, de maneira a quebrar os seus medos e incentivá-las à luta contra a opressão e à mobilização social e espiritual[14]. Pelo que o poema final se erige como um modelo de atitude para todos os crentes em Deus, isto é, deve-se confiar nele independente do contexto social e esperar pelo momento em que ele fará justiça ao mundo[7].

Referências

  1. «Livro de Habacuc - Bíblia Paulus». Bíblia Paulus. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  2. «Profeta Habacuc - Aleijadinho». Enciclopédia Itaú. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  3. «Livro de Habacuc - Bíblia Ave Maria». Bíblia Católica. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  4. Clarisse Ferreira da Silva Christiane Tavares Ferreira da Silva. «O Profeta Habacuc e a esperança de justiça dos povos». Revista PUC-SP. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  5. Echegary, J. González et ali (2000). A Bíblia e seu contexto. 2 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria. 1133 páginas. ISBN 978-85-276-0347-8 
  6. Pearlman, Myer (2006). Através da Bíblia. Livro por Livro 23 ed. São Paulo: Editora Vida. 439 páginas. ISBN 978-85-7367-134-6 
  7. a b c d e «Book of Habakkuk | Guide with Key Information and Resources». BibleProject Guide. Consultado em 4 de maio de 2025 
  8. A Tradução Ecumênica da Bíblia (Ed. Loyola, São Paulo, 1994, p 953) prefere essa hipótese
  9. Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, pp 1.249-1.250
  10. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1995. p. 1336. ISBN 8526300482 
  11. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1995. p. 1337. ISBN 8526300482 
  12. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1995. pp. 1338–1339. ISBN 8526300482 
  13. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus. 1995. p. 1335. ISBN 8526300482 
  14. Habacuc Arquivado em 11 de dezembro de 2009, no Wayback Machine., Edição Pastoral da Bíblia, acessado em 11 de setembro de 2010

Ligações externas